terça-feira, 11 de agosto de 2026

Diagnóstico Invertido - Artigo de Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial


Diagnóstico Invertido

Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial

Há algo pior do que a ignorância. É o conhecimento produzido para provar aquilo em que já se decidiu acreditar.

Esse é um dos grandes vícios intelectuais do nosso tempo.

Primeiro escolhe-se a conclusão moralmente desejável. Depois vêm a pesquisa, os dados e os argumentos. A realidade entra por último. Se não colaborar, claro, pior para ela.

Chamo isso de diagnóstico invertido.

Parte de cientistas, economistas e educadores capturados por essa lógica “ilógica” transformou-se numa nova classe de tecnocratas, parentes próximos dos “ungidos” descritos por Thomas Sowell. Não querem apenas compreender o mundo. Sentem-se autorizados a corrigi-lo.

E aí acontece algo extraordinário. A ciência continua com aparência de ciência. Há papers, estatísticas, modelos, títulos acadêmicos, congressos e notas de rodapé. Mas, se a conclusão chegou antes da investigação, aquilo deixou de ser conhecimento. É lixo intelectual certificado!

Na economia, essa inversão permite discutir desigualdade esquecendo a pergunta anterior. Como se cria riqueza? Combater a pobreza exige produtividade, inovação, iniciativa privada, empregos e oportunidades. Redistribuir pode ser uma escolha política. Imaginar que distribuição substitui criação de riqueza é outra coisa.

Na educação, o problema é semelhante. O conhecimento acumulado cede espaço à pedagogia da identidade. Evidências inconvenientes são simplesmente descartadas.

Até a compaixão passa pelo filtro ideológico. Algumas vítimas são imediatamente reconhecidas. Outras precisam caber na narrativa.

O antissemitismo contemporâneo é uma demonstração trágica dessa seletividade. Quando a indignação escolhe suas vítimas, já não é princípio moral. É notoriamente preferência política.

A mentira antiga falsificava os fatos. A atual ficou literalmente mais “modernosa”. Aprendeu a produzir conhecimento para domesticá-los.

Ciência, com c maiúsculo, existe justamente para descobrir aquilo que não gostaríamos de descobrir.

Uma sociedade permanece intelectualmente livre enquanto a verdade puder constranger nossas preferências. A decadência começa quando nossas preferências ganham o direito de constranger a verdade.

Enquanto invertermos o diagnóstico, continuaremos invertendo o futuro.


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