Diagnóstico Invertido
Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial
Há algo pior do que a ignorância. É o conhecimento produzido para provar aquilo em que já se decidiu acreditar.
Esse é um dos grandes vícios intelectuais do nosso tempo.
Primeiro escolhe-se a conclusão moralmente desejável. Depois vêm a pesquisa, os dados e os argumentos. A realidade entra por último. Se não colaborar, claro, pior para ela.
Chamo isso de diagnóstico invertido.
Parte de cientistas, economistas e educadores capturados por essa lógica “ilógica” transformou-se numa nova classe de tecnocratas, parentes próximos dos “ungidos” descritos por Thomas Sowell. Não querem apenas compreender o mundo. Sentem-se autorizados a corrigi-lo.
E aí acontece algo extraordinário. A ciência continua com aparência de ciência. Há papers, estatísticas, modelos, títulos acadêmicos, congressos e notas de rodapé. Mas, se a conclusão chegou antes da investigação, aquilo deixou de ser conhecimento. É lixo intelectual certificado!
Na economia, essa inversão permite discutir desigualdade esquecendo a pergunta anterior. Como se cria riqueza? Combater a pobreza exige produtividade, inovação, iniciativa privada, empregos e oportunidades. Redistribuir pode ser uma escolha política. Imaginar que distribuição substitui criação de riqueza é outra coisa.
Na educação, o problema é semelhante. O conhecimento acumulado cede espaço à pedagogia da identidade. Evidências inconvenientes são simplesmente descartadas.
Até a compaixão passa pelo filtro ideológico. Algumas vítimas são imediatamente reconhecidas. Outras precisam caber na narrativa.
O antissemitismo contemporâneo é uma demonstração trágica dessa seletividade. Quando a indignação escolhe suas vítimas, já não é princípio moral. É notoriamente preferência política.
A mentira antiga falsificava os fatos. A atual ficou literalmente mais “modernosa”. Aprendeu a produzir conhecimento para domesticá-los.
Ciência, com c maiúsculo, existe justamente para descobrir aquilo que não gostaríamos de descobrir.
Uma sociedade permanece intelectualmente livre enquanto a verdade puder constranger nossas preferências. A decadência começa quando nossas preferências ganham o direito de constranger a verdade.
Enquanto invertermos o diagnóstico, continuaremos invertendo o futuro.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Este blog só aceita comentários ou críticas que não ofendam a dignidade das pessoas.