Prosperidade tem uma ordem
Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial
O Brasil, fiel aos costumes, parece ter descoberto uma nova teoria do desenvolvimento. Em vez de enriquecer para depois desfrutar os benefícios da riqueza, resolvemos desfrutar os benefícios primeiro.
Acredite se quiser.
Queremos salários, proteção social e jornadas de país rico. Falta apenas a parte “inconveniente”.
Ficar ricos.
A prosperidade tem uma ordem. Sociedades investem, acumulam capital, inovam, elevam a produtividade e produzem mais por hora. Depois transformam parte desse ganho em salários maiores, jornadas menores e mais bem-estar.
Nós decidimos começar pelo último capítulo. Nenhuma novidade.
É uma espécie de prosperidade por antecipação.
Temos produtividade baixa, investimento insuficiente, impostos escorchantes, burocracia abundante, insegurança jurídica e um Estado que gasta o que arrecada, o que toma emprestado e parte do futuro.
Depois nos surpreendemos quando o futuro chega mais caro.
O trabalhador, claro, permanece no centro do discurso. Nunca foi tão protegido. Protegemos seu salário, seu emprego, seus direitos e agora discutimos protegê-lo também das horas trabalhadas.
Só esquecemos de proteger uma coisa.
A criação de trabalho.
Quando investir deixa de compensar, o empresário não organiza passeata. Apenas não investe.
A fábrica que não abriu não aparece nas estatísticas; a máquina que não foi comprada não reclama, e o empreendedor que desistiu não dá entrevista.
E o emprego que não nasceu não vota.
Essa é a grande conveniência política da má economia. Suas vítimas mais numerosas são invisíveis.
A melhor proteção ao trabalhador continua sendo outra empresa querendo contratá-lo. Quando empregadores disputam pessoas, salários sobem, escolhas aumentam e o trabalhador conquista algo que governo algum consegue decretar.
Poder dizer não.
Uma sociedade civilizada ampara quem cai. O erro começa quando confundimos a rede que ampara a queda com a escada que permite subir.
Assistência protege. Produtividade enriquece. Liberdade permite avançar.
O Brasil resolveu inverter a cronologia da prosperidade.
Queremos repartir os frutos, descansar à sombra da árvore e discutir quantas horas passaremos debaixo dela.
Só esquecemos de plantar.
A prosperidade tem uma ordem. Podemos ignorá-la. Só não podemos revogá-la.

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