As associações que representam os magistrados do Maranhão (AMMA) e do Brasil (AMB) se posicionaram oficialmente, nesta segunda-feira, 8, sobre o episódio que envolveu o juiz, Marcelo Testa Baldochi, da comarca de Senador la Rocque e três funcionários da empresa aérea TAM de Imperatriz, que acabaram recebendo voz de prisão e foram conduzidos a uma delegacia de polícia na noite do último sábado, 6.
As duas entidades criticaram a postura do magistrado e
afirmaram que se tratou de um caso isolado. “Não compactuamos com este tipo de
atitude, que apenas denigre a imagem da magistratura. Este foi um caso isolado,
a magistratura maranhense é ciosa dos seus deveres e tem um comportamento
exemplar. A AMMA oficiará à Corregedoria [Geral de Justiça] pedindo inclusive
que o episódio seja apurado de forma isenta, pois assim perseveremos o conceito
da magistratura junto à sociedade”, disse o presidente Gervásio Santos, que
nesta terça-feira, 9, deve apresentar à CGJ a representação contra o juiz.
Em nota pública, o presidente João Ricardo Costa da
Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), João Ricardo Costa, cobrou a
apuração do episódio e disse que o “comportamento noticiado não representa a
conduta dos juízes
brasileiros”.
Entenda o caso
Na noite do último sábado, 6, três funcionários da TAM de
Imperatriz foram mandados ao plantão central da Polícia Civil, após receberem
ordem de prisão do magistrado. Segundo depoimento prestado pelos funcionários
na delegacia, o juiz teria ordenado a prisão dos funcionários ao ser impedido
de entrar em uma aeronave, minutos após os procedimentos de embarque serem
encerrados.
Após as conduções à delegacia, o juiz conseguiu o embarque
para Ribeirão Preto (SP), mas em uma aeronave de uma outra empresa. Segundo o
delegado regional de Imperatriz, Francisco de Assis Ramos, os funcionários
foram ouvidos e posteriormente liberados.
Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pela Associação dos
Magistrados Brasileiros (AMB):
Nota Pública
A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) compartilha
da indignação da sociedade e considera inadmissível qualquer atitude praticada
por agentes públicos, magistrados ou não, que represente abuso de poder e de
autoridade.
Em função das recentes notícias veiculadas sobre um juiz que
teria dado voz de prisão a funcionários de uma empresa aérea, ao ser impedido
de realizar o embarque, a AMB defende a transparente apuração dos fatos
garantindo o devido processo legal; e reitera que o comportamento noticiado não
representa a conduta dos juízes brasileiros, que laboram diariamente
assegurando direitos fundamentais e as liberdades públicas.
João Ricardo Costa
presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Este blog só aceita comentários ou críticas que não ofendam a dignidade das pessoas.