Beatriz Bulla e Talita Fernandes - O Estado de São Paulo
Técnicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recomendaram
ao ministro-relator Gilmar Mendes a rejeição das contas da presidente Dilma
Rousseff, nas prestações da campanha de 2014. O julgamento, inicialmente previsto
para esta terça-feira, 9, foi adiado para o dia seguinte, quando o Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) marcou uma sessão extraordinária.
A mudança ocorre para que a Procuradoria-Geral Eleitoral
tenha tempo de emitir seu parecer sobre o pedido de desaprovação das contas
elaborado por técnicos do TSE. A PGE recebeu o relatório apenas na tarde desta
segunda-feira e tem 48 horas para se manifestar.
O ministro Gilmar Mendes, que é vice-presidente do TSE e
relator da prestação de contas da campanha à reeleição da presidente Dilma e do
comitê financeiro do PT, viu a existência de "fortes indícios" de
doação acima do limite legal por parte de pelo menos cinco empresas.
Em despacho na noite de sexta-feira, 5, Mendes pede à
Receita Federal com urgência dados sobre o faturamento bruto da Gerdau Aços
Especiais e mais quatro empresas: Saepar Serviços e Participações, Solar.BR
Participações, Ponto Veículos e Minerações Brasileiras Reunidas. Juntas, as
cinco empresas doaram R$ 8,83 milhões, somando a destinação de dinheiro ao
Diretório Nacional do PT com doações diretas feitas à Dilma Rousseff e ao
Comitê financeiro para a Presidência da República.
Entre as cinco empresas que tiveram doações contestadas, a
Gerdau foi a que enviou o maior montante à candidatura da presidente Dilma, R$
5,01 milhões, seguida pela Minerações Brasileiras Reunidas, que doou R$ 2,80
milhões. A Solar Participações doou R$ 570 mil, a Ponto Veículos, R$ 450 mil e
a Saepar, R$ 250 mil.
O advogado das contas do PT, Sávio Lobato, disse que, mesmo
que as empresas tenham excedido o limite de doações, as punições recairão sob
elas, e não ao partido. "Pela legislação, quem faz doação acima do limite
é que deve ser punido", justifica. A resolução do TSE prevê pagamento de
multa pela empresa no valor de cinco a dez vezes a quantia extrapolada.
Contudo, pode também o candidato responder por abuso do poder econômico. As
empresas que ultrapassam o limite de doação ficam sujeitas também à proibição
de participar de licitações públicas e de firmar contratos com o poder público
por até cinco anos.
Resolução do TSE em vigor nas eleições de 2014 prevê que as
doações a candidatos sejam limitadas a 2% do faturamento bruto da empresa,
levando em conta o ano-calendário anterior à eleição. No caso dessas contas, a
porcentagem é calculada com base no faturamento de 2013. No início do mês,
Mendes havia solicitado à Receita dados contábeis de empresas que fizeram
doações à campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff. Após a resposta,
o ministro pediu informações agora especificamente sobre as cinco empresas.
"Considerando as informações contidas no ofício (...), que revelam fortes
indícios de descumprimento do limite para doação, oficie-se, com máxima
urgência, à Receita Federal para informar, com a brevidade possível, o
faturamento bruto das empresas abaixo relacionadas", decidiu Mendes.
Em novembro, Mendes requisitou que as contas da presidente
fossem analisadas também por técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU), da
Receita Federal e do Banco Central. A análise das contas do comitê financeiro
nacional do PT e da presidente Dilma está prevista para ser levada ao plenário
do TSE nesta segunda, dois dias antes do prazo máximo que o Tribunal tem para
julgar as prestações de contas.
Em nota, a coordenação financeira da campanha à reeleição da
presidente Dilma Rousseff afirmou que os aspectos questionados pelos técnicos
do TSE são de natureza formal e "em nada questionam a lisura da
arrecadação e das despesas".

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Este blog só aceita comentários ou críticas que não ofendam a dignidade das pessoas.