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quinta-feira, 2 de abril de 2015

Cristo Ressuscita!

Dom Canísio Klaus - Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)


Da CNBB

“Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos. Aleluia”!

É com este alegre convite da Liturgia das Horas do domingo de Páscoa que saúdo o povo diocesano. Alegremo-nos, pois “o Senhor ressuscitou”. No duelo entre a vida e a morte, foi “a vida que venceu a morte”.
A partir de agora, a certeza que nos acompanha é que a última palavra será da vida e não da morte. Por piores que sejam os sofrimentos e por mais pesada que seja a cruz, a vitória final da vida é certa para quem acredita em Jesus Cristo e se coloca no seu seguimento. É o que testemunhou, de forma categórica, Dom Oscar Romero, arcebispo de São Salvador, quando se sentiu ameaçado de morte: “Não creio em morte sem ressurreição. Se me matarem, ressuscitarei no povo salvadorenho”. E porque acreditou verdadeiramente na vitória final da vida sobre a morte não recuou diante das ameaças que o levaram ao martírio no dia 24 de março de 1980. Agora, em maio, ele irá ser beatificado pelo Papa Francisco.
A alegria da Páscoa e a certeza da ressurreição não nos livram das dores da vida presente. Assim como Jesus, cada um de nós tem a sua cruz a carregar e no dia a dia nos deparamos com muitos sofrimentos. Estes, porém, se tornam mais leves na medida em que podemos visualizar a glória da ressurreição final. É esta a grande certeza da Páscoa: “Com Cristo morremos e com Cristo também haveremos de ressuscitar” (Rm 6,8). Quem tiver coragem de tomar a sua cruz nos ombros, renunciar a si mesmo e se colocar no seguimento de Jesus Cristo tem garantida a felicidade eterna (Lc 9,23-24).
A certeza da ressurreição final não nos deve acomodar e nem nos tornar indiferentes diante do sofrimento dos irmãos. É a isto que nos alertava o Papa Francisco no início da quaresma ao nos convocar a nos posicionarmos contra a globalização da indiferença, que “está tomando conta da sociedade”. Não podemos ficar indiferentes diante do sofrimento humano, mas sim tratar cada pessoa como “o irmão e a irmã pelos quais Cristo morreu e ressuscitou”. Quem professa a fé em Jesus Cristo que morreu e ressuscitou irá se comprometer em zelar pela vida de cada ser humano, e, mais do que isso, irá se empenhar em criar as condições favoráveis ao desenvolvimento da vida na terra.
Faço votos que as celebrações pascais animem a esperança de todos os fiéis e os impulsionem a uma maior comunhão de vida. Que a certeza da ressurreição de Jesus impulsione a todos a um maior compromisso com a sua comunidade de fé e com a superação das dores e sofrimentos das irmãs e dos irmãos. Assim, juntos, poderemos celebrar a alegria da vitória da vida sobre a morte.
Feliz Páscoa!

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