Busca

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Ministério aponta Curitiba como referência nacional na prevenção contra uso de drogas


Representantes do Ministério da Saúde estiveram em Curitiba nesta semana para acompanhar como o programa #Tamojunto, que estimula a prevenção do uso de drogas entre estudantes, tem sido trabalhado no município e pactuar a expansão de outro projeto na rede municipal de ensino. A capital paranaense tem sido considerada um caso de sucesso, com resultados positivos e atuação intersetorial exemplar. Agora, Curitiba também dará continuidade ao trabalho com o Jogo Elos, que tem a finalidade de abordar indiretamente o mesmo tema com meninos e meninas mais novos.
“Consideramos a experiência de Curitiba como um caso de sucesso no País. A intersetorialidade aqui foi muito forte e o trabalho é feito com muita qualidade. Os números aqui são superiores aos dos outros municípios brasileiros”, afirma a coordenadora dos Programas de Prevenção do Uso e Abuso de Álcool e Outras Drogas do ministério, Sâmia Abreu. Curitiba está entre os 22 municípios do País que conduzem o #Tamojunto.

Em Curitiba, o #Tamojunto foi implantado no começo de 2014 e atingiu 4,5 mil estudantes de escolas municipais com idades entre 13 e 15 anos e 852 familiares e responsáveis. O Município tem 151 profissionais de saúde, educação e assistência social capacitados para dar continuidade ao projeto. A meta curitibana é impactar 8 mil jovens até o final de 2016, expandindo o programa também para instituições da rede estadual de ensino.

“A ação intersetorial que temos conduzido em Curitiba, com a participação das secretarias da Educação e da Saúde e da Fundação de Ação Social (FAS), engrandece nossos esforços para conscientizar adolescentes e familiares sobre a prevenção ao uso de álcool e drogas. Adaptar metodologias testadas em outros países para a nossa realidade faz com que os nossos passos sejam maiores e possamos trazer mudanças efetivas na vida dos jovens e das suas famílias”, diz o secretário municipal da Saúde, César Monte Serrat Titton, lembrando do caso de um pai que, depois de duas oficinas do #Tamojunto, voltou transformado. Estava mais arrumado, dizendo que havia parado de beber para ser um exemplo melhor para os filhos.

#Tamojunto

O trabalho é conduzido com os jovens ao longo de um semestre letivo, com 12 aulas, além de três oficinas com pais e responsáveis. Durante os encontros, os alunos têm a oportunidade de associar as mensagens sobre drogas ao dia a dia e debatê-las com os colegas, fortalecendo habilidades pessoais e sociais, como pensamento crítico e criativo, tomada de decisões, resolução de problemas, comunicação eficaz, assertividade, autoconhecimento, empatia, entre outros.

“Focando as ações de prevenção nos primeiros anos da adolescência, as chances de influenciarmos esses jovens aumentam muito. Precisamos atuar além das normativas e das imposições, de uma forma dinâmica e participativa, para que esses jovens se posicionem pelo não uso das drogas sem que se coloquem em risco ou sintam-se fragilizados diante das pessoas com quem convivem ou no ambiente em que vivem”, afirma o diretor do Departamento de Políticas sobre Drogas, Marcelo Dias Kimati.

Professores são capacitados em uma formação de 16 horas, da qual também participam gestores escolares, profissionais de saúde e assistentes e educadores sociais dos Centros de Referência da Assistência Social (Cras). Entre as atividades em sala estão momentos de roda de conversa, valorização de opiniões, momentos de reflexão em silêncio e jogo de perguntas e respostas. “Os professores são atores fundamentais nesse processo, já que eles podem aproveitar a relação e o conhecimento que têm sobre cada aluno para atraí-los e engajá-los nessas atividades”, diz a coordenadora do projeto, Paula Cordeiro.

O #Tamojunto é uma iniciativa do Ministério da Saúde inspirada no programa europeu Unplugged – que em inglês significa desligado, na tradução livre para o português –, desenvolvido por pesquisadores e conduzido pela Experiência de Prevenção do Uso de Drogas na Europa (EU-DAP). "Temos o desafio de vencer o forte apelo que as drogas têm com os jovens e reforçar seus vínculos comunitários e familiares. Todo esforço despendido com esse objetivo ajuda muito essa causa", afirma a presidente da FAS, Marcia Oleskovicz Fruet.

Jogo Elos

Direcionado a crianças entre 6 e 10 anos, o Jogo Elos é um programa preventivo articulado pelo governo federal que tem o intuito de construir novos modos de convivência social a partir de uma proposta lúdica. O projeto também foi inspirado em uma experiência estrangeira – desenvolvida na década de 1960 por pesquisadores dos Estados Unidos – e está presente em 15 municípios brasileiros.

Divididos em equipes, os estudantes são estimulados a seguir determinadas regras de convivência, combinadas previamente em conjunto com colegas e professor, que venham a impactar sobre comportamentos agressivos, hiperativos, tímidos e de isolamento. Esse tipo de atitude é considerado como fator de risco para possíveis problemas psicossociais, como o envolvimento com o álcool e drogas e a prática do bullying.

“Esse encontro com os representantes do governo federal firma a continuidade do #Tamojunto e a implantação do Jogo Elos de forma gradativa na rede municipal de ensino. A previsão é de que até o final de 2016, o projeto já esteja em andamento em oito escolas. É um projeto voltado para crianças menores e que potencializa o que elas têm de melhor”, afirma a secretária municipal da Educação, Roberlayne Roballo.

O trabalho tem duração de 10 a 30 minutos e pode ser proposto aos alunos de três a cinco vezes por semana ao longo de todo o ano letivo. Cabe ao professor monitorar os alunos ao longo das atividades propostas, mapear o comportamento deles e trabalhar em conjunto com profissionais de saúde para propor novas ações que tragam impacto nas atitudes dos estudantes.

Para a supervisora do Jogo Elos no Ministério da Saúde, Flora Lorenzo, Curitiba caminha para ser referência também nessa outra proposta. “Já temos resultados positivos com o Jogo Elos tanto a nível nacional como aqui em Curitiba [um piloto do projeto foi implantado em uma escola do município em 2014]. A cidade tem plenas condições para expandir a ação para outras escolas e conseguir mais resultados exitosos”, comenta.

Dados

Um estudo do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas (Cebrid) mostrou que, em 2010, 60,5% dos estudantes brasileiros já tinham provado álcool e 25,5% já haviam provado algum tipo de entorpecente, como maconha, cocaína, crack, êxtase, anfetaminas e solventes. Em Curitiba, estimava-se que, em 2013, 78,1% dos jovens entre 13 e 15 anos já tinham experimentado bebida alcoólica alguma vez na vida. Em relação a drogas ilícitas, um estudo de 2012 revelou que 14,4% dos estudantes curitibanos afirmaram que já tinham experimentado algum tipo.

Nenhum comentário: