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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

FÉRIAS DA ANA...


Depois do café da tarde rumei para Aruanda. Fui visitar Pai José e ver a Cabocla Jurema... E ela – muito bonita - já estava a tomar “bença” ao nosso preto velho... E Pai José, com sua mão bondosa, disse: Deus te “abençoe”, minha fia... 

E eu firmei a vista na Jurema com seu penacho verde, que é da cor do mar!... Beijando as mãos do Pai José, a cabocla sorria!

Jurema é das matas!

De repente Arariboia chega em seu cavalo branco a me dizer: “Irmão, a crônica da Ana acabou de chegar... Vamos no meu cavalo que te levo de volta para Upaon-Açu...”

E saímos pelo tempo, entre as nuvens, até Arariboia me deixar na praça dos Sabiás, próximo à minha casa!

E agora, já em casa, só me resta publicar a bela crônica de Ana Campos, aqui no meu blog:


FÉRIAS

Ana Campos*


Férias é aquele pedacinho de tempo, onde se saboreia outros paladares, onde se cheira outros aromas, onde se descobre outros lugares... e onde muitas vezes, se volta ás origens.

É também um tempo para recarregar baterias.

Férias, é para descontrair, relaxar, viajar... É uma ausência de rotina, onde o tempo não tem relógio e onde tudo nos fascina.

Férias, é abstração do quotidiano, é aquele pedacinho de tempo tão delicioso que tentamos intensificar, porque sabemos que passa tão rapidamente... Por isso lhe chamamos um pedacinho.

É sempre preparado com entusiasmo... e é tão saudoso!

Porque para além de gostoso, ele é muito valioso!...

É literalmente um tempo para desfrutar... Sempre algo que queremos concretizar. Porque se desejou, se sonhou, se preparou com tempo e dedicação.

A mala se arrumou... e finalmente esse dia chegou... e a família se juntou!...

Vai ser outro acordar, outro espreguiçar e até outro respirar.

É aquele pedacinho de tempo, em que os nossos sentimentos badalam, onde as nossas emoções se estendem para outros mundos, onde se invoca liberdade, e em boa verdade, destilam-se paixões em nossos corações.

É uma essência natural, uma nervura de frescura onde se torna instrumental... trazendo uma harmonia interior, se tornando uma sinfonia.

É um pedacinho de tempo, vivido até ao ínfimo momento, e em cada fragmento se torna uma inspiração!...

E eu, passando pelo meu Alentejo onde tudo é planície, tudo é sobreiro, tudo é casa caiada de branco, tudo é passarinho cantando... E com um calor abrasando...

Um suco se vai tomando e se vai escrevinhando... e das férias se vai falando...

Mas como vai ser quando acabar? É certo que estas vão terminar, mas logo, logo, outras irão começar. Apenas se faz uma pausa, para melhor saborear....

Então vamos tranquilizar e nas próximas pensar!...

*Ana Campos é escritora, cronista portuguesa. As crônicas de Ana Campos são transmitidas semanalmente, às sextas-feiras, pela Rádio Portuguesa do VAR

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