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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O ÚLTIMO DIA DE AGOSTO


Carlos Chagas

Felizmente, setembro chegou. Agosto fez das suas, terminando com o impeachment de Dilma Rousseff e a preservação de seus direitos políticos, ainda que não se saiba bem para quê. Mês do capeta, que saiu pelo ralo com o anúncio, pela equipe econômica, de que o salário mínimo, ano que vem, passará para 945 reais. Vá o agora presidente definitivo, Michel Temer, viver com essa merreca, mesmo dispondo de casa, comida e outras mordomias. Talvez por isso tenha decidido viajar para a China logo depois de empossado.

Algumas lições podem ser tiradas do dia da posse que não foi posse, pois ele já era presidente. A primeira, de que torna-se obrigatório vetar o uso de telefone celulares e sucedâneos nas solenidades de entronização de presidentes da República.

Espetáculos ridículos como o uso dessas maquininhas deveriam ser objeto de ampla proibição. Vetustos deputados, senadores e bicões amontoados no plenário do Senado e adjacências deram a impressão de um circo armado no Congresso. A cada instante alguém levantava o braço exigindo que as autoridades se imobilizassem sorrindo e olhando firme o horizonte, quando não abraçados com Temer e olhando um horizonte inexistente, entre seguranças com cara de bravo e a expectativa de incontáveis papagaios de pirata. Sendo também que ninguém andava, por impossibilidade física.

Pairava sobre a multidão a alma danada do deputado Eduardo Cunha, várias vezes citado naquele plenário pela presidente escorraçada como a causa de todos os males. Ele não apareceu, mas se estivesse presente, seria objeto de linchamento explícito.

Entre selfies e abraços de urso, o novo presidente custou a escalar os degraus até o pódio onde prestou o juramento à Constituição, sob os acordes do Hino Nacional.

Teve de tudo na plateia, a começar pela negação do maior princípio da Física, de que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. Podem sim, em se tratando de posses improvisadas.

Graças aos céus, durou pouco, mas para o futuro seria bom que solenidades assim recebessem um mínimo de organização. Afinal, ninguém sabe quando será a próxima…

Em outro palco apresentava-se Dilma Rousseff, para as despedidas. Sua retaguarda também foi disputada, a começar pelas “meninas” que durante todo o julgamento comportaram-se como se as bancadas do Senado fossem um galinheiro. Onde não faltou o “galinho maluco” para agredir adversários e a paciência do vetusto juiz que dirigia os trabalhos.

Madame prometeu oposição desvairada e jurou que a história não acabaria assim. Faltou-lhe coragem para personalizar o retorno, preferindo o plural ao exclamar “nós voltaremos”. Nós quem, cara pálida? Para onde e de onde? Posto em frangalhos, o PT ainda não revelou seu plano de batalha, mas jamais será liderado por ela.

A improvisação nas duas cerimônias do último dia de agosto dá o tom do que nos espera. Ou setembro será diferente?

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