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terça-feira, 15 de agosto de 2017

CONSPIRAÇÃO PARA DESESTABILIZAR RAQUEL DODGE


Jorge Oliveira

Brasília - Os procuradores estão assanhados. E a turma do Janot – que perdeu o poder – não vai dar sossego a nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que toma posse em setembro. Os descontentes não admitem que Dodge tenha sido indicada por Temer e seu nome aprovado pelo Senado Federal, mesmo sendo a segunda na escolha da lista tríplice em eleição realizada pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR). Dodge está pagando dois preços: o de ser mulher e o de ter enfrentado os ressentidos lá dentro da procuradoria, que virou uma espécie de latifúndio de alguns.

Diante da ousadia de Raquel Dodge, que decidiu desafiar Rodrigo Janot, seu conhecido rival lá dentro, existe uma campanha difamatória contra ela, que a mídia registra como notícia mas que, na verdade, é usada para desestabilizar a nova procuradora depois do seu encontro com Temer no Palácio Jaburu para marcar a sua posse. Ora, Dodge não deve pagar por um erro infantil como esse. Um erro infantil, sim, pois a posse dos procuradores, por tradição, é na sede da procuradoria e não no Palácio do Planalto, como o Temer sugeriu.

O preço que estão cobrando dela por esse deslize político é alto demais. Como futura procuradora-geral da República, que tem que zelar pela operação Lava Jato na qual o presidente da República está envolvido, ela não deveria ter aceito o convite do Temer. Mas e daí, alguém acha que Raquel Dodge, cuja ficha é exemplar no cargo de subprocuradora, vai ser parcial nos julgamentos dos réus da Lava Jato daqui por diante? Claro que não. Os mesmos procuradores que tentam atear fogo ao circo são os mesmos que deram aos irmãos Batista o salvo conduto que os livrou de vários crimes, inclusive o de formação de quadrilha.

Raquel Dodge entrou em parafuso depois que viu a sua audiência com o presidente da República virar o principal acontecimento do país. A TV Globo, inclusive, enalteceu o cinegrafista que a flagrou entrando no Palácio do Jaburu como se isso fosse um acontecimento extraordinário. Bobagem, idiotice de um noticiário comprometido por razões desconhecidas. A mídia dirigida chega a insinuar que ela teria aconselhado o presidente a entrar com uma ação de suspeição contra Janot, alegando perseguição política. Alguém de bom senso acredita numa idiotice dessa? Os perdedores – aqueles que fizeram campanha pró sucessor de Janot –  acreditam, sim. Por isso, magoados, espalham versões mentirosas para desestabilizar a nova procuradora.

Ora, não vamos esquecer que a turma do Janot, que deixa o poder, foi responsável pelo maior favorecimento de uma delação premiada da história do país. E que isso o deixa numa situação de vulnerabilidade, caso a Raquel Dodge decida reabrir a delação premiada dos irmãos Batista. Uma investigação interna iria, portanto, vasculhar os bastidores do acordo que deu a Joesley o salvo conduto que ele precisava para se safar de todas as acusações que recaem sobre ele de formação de quadrilha. Tudo baseado na sua própria confissão da distribuição de mais de l bilhão de reais a políticos e lobistas para que suas empresas fossem favorecidas com empréstimos em bancos oficiais.

Ao tentarem denegrir a imagem de Raquel Dodge os seus detratores não estão considerando a sua biografia ciosa, zelosa e sem mácula à frente da justiça brasileira. São essas qualidades que nos dão a garantia de que os responsáveis pelos escândalos públicos vão continuar a ser julgados com a isenção de quem quer apenas fazer justiça e não política, como se desdobram atualmente as últimas investigações de Janot e sua equipe. Se Dodge quisesse fazer política à frente da procuradoria-geral da República teria outra forma de encontrar Temer, como fazem alguns na calada da noite. Não iria, evidentemente, ao Jaburu naquela hora onde os jornalistas ficam a espreita dos convidados do presidente.

Janot deixa a chefia da procuradoria sem responder convenientemente a dois fatos que jogam nódoas na sua toga: a insinuação de Temer de que ele estaria envolvido em casos obscuros com os irmãos Batista, e o envolvimento de um dos seus colaboradores (que deixou a PGR) com a JBS para negociar os casos de leniência.

Pela retidão do seu comportamento e a sua magnanimidade é difícil imaginar que casos como esses respinguem na toga de Raquel Dodge no exercício do novo cargo.

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