5 setembro 2018
Novo relatório revela que não há melhorias desde 2001;
uma em cada três mulheres e um em cada quatro homens não faz exercício
suficiente para ser saudável; Brasil entre países onde o problema mais cresceu;
Moçambique tem um dos melhores resultados em todo o mundo.
Mais de um quarto da população adulta mundial, ou cerca
de 1,4 bilhões de pessoas, não era suficientemente ativa em 2016. Essa
população apresenta maior risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2,
demência e alguns tipos de câncer.
A conclusão é do primeiro estudo da Organização Mundial
da Saúde, OMS, que avaliou a atividade física global ao longo do tempo.
Lusófonos
A pesquisa, publicada esta quarta-feira, em Genebra, foi
feita em 168 países e incluiu 1,9 milhão de participantes. Apesar de não
apresentar os valores individuais para todos os Estados, destaca alguns países
lusófonos.
Moçambique e Uganda, com 6%, têm as taxas mais baixas de
inatividade física. Outros cinco países, Lesoto, Tanzânia, Niue, Vanuatu e
Togo, tinham taxas abaixo dos 10%.
Na posição oposta, as maiores taxas eram encontradas no
Kuwait, Samoa Americana, Arábia Saudita e Iraque, onde mais da metade de todos
os adultos eram insuficientemente ativos.
O estudo analisou 65 países que levantaram dados sobre
este tema entre 2001 e 2016. O Brasil estava entre os Estados onde a falta de
atividade física mais aumentou, com um crescimento superior a 15%.
Os autores do estudo explicam que a subida é causada por
desenvolvimento econômico e urbanização, mas deixam um aviso. Apesar da “descida
em atividade doméstica e ocupacional ser inevitável, é essencial dar incentivo
para atividade física de transporte e de lazer, através de infraestruturas
públicas e promoção de normas sociais.”
Diferenças
Segundo a OMS, um adulto deve cumprir 150 minutos de
atividade física moderada por semana, ou 75 minutos de alta intensidade, para
se manter saudável. Em 2016, 32% das mulheres e 23% dos homens não cumpria
estes objetivos.
Esta diferença entre gêneros verificava-se em todas as
regiões do mundo, menos no sul e sudeste asiático. Em nota, uma das autoras do
estudo, Fiona Bull, disse que “resolver esta desigualdade é essencial para
alcançar os objetivos globais e exige intervenções para promover oportunidades
seguras, acessíveis e culturalmente acessíveis para as mulheres. ”
Os níveis de atividade física insuficiente são mais do
que o dobro nos países de alta renda em comparação com os países de baixa
renda, e aumentaram em 5% nas nações mais ricas entre 2001 e 2016. Segundo a
pesquisa, a transição para ocupações mais sedentárias e meios de transporte
motorizados são os grandes motivos desta mudança.
Objetivos
A pesquisa afirma ainda que a situação teve pouco
progresso entre 2001 e 2016. Se a tendência se manter, o objetivo de reduzir a
taxa de insuficiência de atividade física em 10% até 2025 não será cumprida.
Em nota, a autora principal do relatório, Regina Guthold,
explicou que “ao contrário de outros riscos de saúde globais, os níveis de
insuficiência de atividade física não estão a cair mundialmente. ”
Para Guthold, isso “é uma grande preocupação para a saúde
pública e prevenção de doenças crônicas. ” A especialista diz que cerca de 75%
dos países têm um plano de ação sobre este tema, mas poucos foram implementados
e tiveram impacto.
A pesquisa é publicada três semanas antes do 3º Encontro
de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre Doenças Não
Transmissíveis, que acontece a 27 de setembro em Nova Iorque.

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