Triunfo da vida
"Jesus, em suas palavras, diz que Deus é o Deus da
vida"
Todas as pessoas percorrem um caminho profundamente marcado
por alegrias e sofrimentos. Está nas alegrias o otimismo do seu momento, mas
nas tristezas pode ocorrer o derramamento de lágrimas, os diversos sofrimentos
e a baixa autoestima. Tudo isso revela o sentido mistérico da vida, até para
concluir que ela não se satisfaz sozinha. Sua plenitude está fora de si mesma.
Jesus, em suas palavras, diz que Deus é o Deus da vida. Ele
não se conforma com as práticas que conduzem à morte não natural. Essa
realidade está presente no modelo de sociedade dos últimos séculos, que envolve
situações de insustentabilidade, deixando a população com “antena ligada”,
insegura e totalmente ferida na expectativa de um futuro de esperança
promissora.
As pessoas têm uma identidade, uma tradição, sua cultura e
religião. A prática constante da migração costuma desarticular essa riqueza e
deixar que as pessoas fiquem desestabilizadas e feridas em sua dignidade. A
confiança em Deus é o principal caminho de sustentação, porque Ele é o aliado
do povo e é capaz de fazer gerar a vida mesmo num contexto de insegurança e
morte.
O triunfo da vida tem sua total plenitude na promessa da
ressurreição. A vida, no tempo presente, se arrasta no meio de sofrimento, de
“gemidos”, traduzidos nas palavras de Paulo (cf. Rm 8,22). Isto está evidente
na vida de quem sofre as catástrofes, como é o caso dos atingidos pelas
barragens assassinas. Os sobreviventes remoem uma profunda amargura pela perda
de entes queridos.
Terminado o Sínodo da Amazônia, depois de longos dias de
intensa reflexão e estudo sobre o sentido da vida e da fé nesse espaço sagrado,
fica agora a sensação de que a evangelização precisa reencontrar ali o seu real
caminho missionário. Os diversos aspectos referentes ao religioso e ao
ecológico estão totalmente interligados, fazendo parte da história dos
moradores amazônicos.
Os itinerários da vida percorrem pistas divinas e são
guiados pelo Espírito Santo de Deus-Pai. Desta mesma forma acontece nas
comunidades cristãs comprometidas com os ensinamentos de Jesus Cristo, onde o
enfoque da vida tem dimensão coletiva e comunitária. É justamente por isso que
o Evangelho diz explicitamente que Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos
(cf. Lc 20,38).

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