Notícia publicada no MSN Brasil
A ex-presidente Dilma Rousseff(PT) foi alvo de pedido de prisão temporária (cinco dias) feita pela Polícia Federal ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal. A solicitação corre em inquérito que apura o pagamento de propinas milionárias do grupo J&F, de Joesley Batista, a senadores do MDB em troca de apoio à candidatura da petista.
Dilma não é investigada no inquérito. Os alvos são os
senadores Eduardo Braga (MDB-AM), Renan Calheiros (MDB-AL) e Jader Barbalho
(MDB-PA), o ministro Vital do Rêgo Filho, do Tribunal de Contas da União (TCU)
e os ex-senadores Valdir Raupp (MDB-RO) e Eunício Oliveira (MDB-CE).
Segundo os policiais, a prisão de Dilma era “indispensável”
para a identificação de fontes, autoria e materialidade dos crimes
investigados. O pedido, no entanto, foi negado por Fachin por se tratar de uma
“medida extrema”, visto que a ex-presidente não apresenta “concretas condutas
atentatórias às apurações” do caso.
“No caso, nada obstante, como já afirmado, esteja
satisfatoriamente demonstrada a plausibilidade das hipóteses investigativas
levadas a efeito pela autoridade policial, a pretensão de restrição da
liberdade de locomoção dos investigados não se encontra provida da indicação de
concretas condutas atentatórias às apurações que evidenciem a necessidade da
medida extrema”, observou Fachin em sua decisão, que autorizou a operação
realizada na terça-feira, 5, para cumprimento de buscas e apreensões.
Em decisão proferida em 21 de outubro, Fachin dispensa o
pedido de prisão contra a ex-presidente seguindo manifestação apresentada pela
Procuradoria-Geral da República (PGR), atualmente comandada por Augusto Aras.
“Nesse sentido, possível se fazer referência à manifestação
da Procuradoria-Geral da República, pontuando que ‘não há evidências de que, em
liberdade, os investigados possam atrapalhar a execução das medidas de busca e
apreensão’. Com essas considerações, indefiro as prisões temporárias
requeridas” concluiu o relator da Lava Jato.
Com a palavra, Dilma Rousseff
“É estarrecedora a notícia de que a Polícia Federal pediu a
prisão da ex-presidenta num processo no qual ela não é investigada e nunca foi
chamada a prestar qualquer esclarecimento.
A ex-presidenta sempre colaborou com investigações e jamais
se negou a prestar testemunho perante a Justiça Federal, nos casos em que foi
instada a se manifestar.
Hoje, 5 de novembro, ela foi convidada a prestar
esclarecimentos à Justiça, recebendo a notificação das mãos civilizadas e
educadas de um delegado federal. No final da tarde, soube pela imprensa do
pedido de prisão.
O pedido de prisão é um absurdo diante do fato de não ser
ela mesma investigada no inquérito em questão. E autoriza suposições várias,
entre elas que se trata de uma oportuna cortina de fumaça. E também revela o
esforço inconsequente do ministro da Justiça, Sérgio Moro no afã de perseguir
adversários políticos. Sobretudo, torna visível e palpável o abuso de
autoridade.
Ainda bem que prevaleceu o bom senso e a responsabilidade
do ministro responsável pelo caso no STF, assim como do próprio Ministério
Público Federal.”

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