Fonte: Agência Senado
Em audiência pública na Comissão de Assuntos Sociais (CAS),
médicos e familiares de doentes de fenilcetonúria apresentaram as dificuldades
da rede pública de saúde para detectar precocemente e tratar a doença, que não
tem cura. Quando não o tratamento não é iniciado antes de o bebê completar três
semanas de vida, a fenilcetonúria provoca retardo mental grave, convulsões e
hiperatividade.
Em alguns estados, de acordo com a vice-presidente do grupo
Mães Metabólicas, Leandra Paroneto, a demora na liberação do resultado do teste
do pezinho, que detecta a doença, e o não fornecimento de fórmulas alimentares
terapêuticas causam gastos ao poder público que poderiam ser evitados.
— O paciente com a fenilcetonúria não pode consumir a
proteína natural e depende de um alimento proteico artificial para se
desenvolver. Quando não tem esse alimento, resta-lhe uma única alternativa: a
proteína natural, que é nociva para o cérebro desse paciente e provoca
sequelas. E aí todo o gasto que o Estado já fez no diagnóstico e no tratamento
do paciente até aquele momento de interrupção [do fornecimento do alimento
artificial] foi jogado no lixo — disse Leandra.
Além do custo com as terapias que os pacientes demandarão
por causa das sequelas, explicou ela, frequentemente há gastos públicos com a
Defensoria Pública, que dá início a processos judiciais visando assegurar o
direito do paciente à alimentação adequada.
A fenilcetonúria é uma doença rara, que afeta 1 a cada 10
mil pessoas. A nutricionista Monique Poubel, do Centro de Referência de Doenças
Raras do Distrito Federal, explicou que, quando não é tratada adequadamente,
pode inclusive provocar microcefalia e autismo.
O neurologista infantil e neurogeneticista André Pessoa
afirmou que é preciso aprovar com urgência uma terapia que vem sendo utilizada
nos Estados Unidos desde 2018, baseada na reposição da enzima pegvaliase.
Segundo ele, mesmo indivíduos tratados com a terapia convencional desenvolverão
problemas cerebrais, como incapacidade de realizar funções de
automonitoramento, estimativa de tempo e controle de impulsos.
— Um estudo mostrou que 24% dos pacientes adequadamente
tratados com fórmulas e dietas têm déficit neurológico. Isso lança dúvida sobre
a eficácia do tratamento atual. Foi lançada recentemente a reposição enzimática
que não está aprovada no Brasil. Será que esses pacientes também não precisam
dessa reposição? — questionou.
A diretora da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) Alessandra Bastos Soares relatou a fiscalização de fábricas de
formulações alimentares especiais destinadas aos portadores de várias doenças
metabólicas:
— A Anvisa reconhece a dificuldade que há para pacientes.
Lamentavelmente, algumas fábricas foram interditadas pela Anvisa porque as
fórmulas que eram preparadas não tinham a menor condição de serem utilizadas e
representavam um risco para a saúde dessas crianças.
Segundo a coordenadora substituta do Componente
Especializado da Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde, Luciana Costa
Xavier, somente em 2018 o governo federal forneceu 16 toneladas de fórmulas de
aminoácidos isentas de fenilalanina para 1,9 mil pacientes maiores de 1 ano e
370 quilos para 150 pacientes recém-nascidos.
O presidente da CAS, senador Romário (Podemos-RJ), leu
mensagens enviadas por cidadãos do estado do Rio de Janeiro denunciando a falta
da formulação na rede pública de saúde.

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