Conheci
o Edson ainda quando éramos jovens, quase garotos. Ambos trabalhamos
inicialmente na Rádio Difusora de Raimundo Bacelar, que funcionava na Rua
Afonso Pena, na sonhada São Luís dos poetas e dos sonhos.
Crescemos ambos. Eu segui o magistério e ele caminhou pelas asas
jurídicas, chegando ao grau de ministro e até presidente do STJ: um jurista de
reconhecido saber!
Eu sempre leio Edson (o que ele escreve). Mas o ministro nunca
diz o dia que vai escrever; por isso, o visto pelos seus belos artigos sempre
passam com dias de atraso por meus olhos já cansados, enfrentando o diabo da
catarata!
Na política, o Edson foi deputado federal... Um bom deputado:
diferente de muitos que vejo por aí festejando centenas de milhares votos. Eu
exerci com orgulho o cargo de vereador de minha cidade por 18 anos, autor do
projeto de lei que consagrou "Louvação a São Luís" do poeta Bandeira
Tribuzzi como Hino Oficial da cidade.
Hoje amanheci querendo escrever algo diferente. Pela madrugada,
ligado na CBN, chegou a notícia de que o Lula disse estar de "saco
cheio"... Imaginem Lula de saco cheio! É um porre!
Mas prefiro voltar ao Edson (o Vidigal) e sua cultura
ímpar de escrever...
E ele pede uma Comissão Verdade no Maranhão, em artigo datado do
dia 8...
Paciência, gente! Mas eu não posso deixar passar em branco esta
revelação: Já quase no fim do artigo, o Ministro Edson Vidigal taca a ripa:
"Há
um elenco de Governadores de origens familiares reconhecidamente humildes que
acabaram donos de estações rádios e de televisões impondo pelo coronelismo
eletrônico a manipulação das informações para confundir a população e cravar
mentiras contra os que se lhes opõem – eis uma boa pauta, dentre outras, para
uma Comissão da Verdade no Maranhão."
Nessa
tacada, o Vidiga foi atingir também gente escondida nos quartéis do Dino, que a
partir de janeiro será governo. Gente que foi do generalato da oligarquia
caída... Oportunistas de profissão!
Agora, leiam por inteiro o artigo de Vidigal pedindo Comissão
Verdade no Maranhão:
O Povo
Quer Saber
Edson Vidigal
Desde a
redemocratização na segunda metade do ultimo século à data de hoje o Maranhão
só elegeu um Governador de bigode. Entre muitos políticos emergentes, a chave
do sucesso, quem sabe, não estaria ali naquele estreito puxadinho de pelos?
O então
jovem eleito foi imitado e por décadas seguiu imitado, mas como o sabão da
família Martins – nunca igualado.
Entre
os candidatos a Governador no ultimo domingo não havia nenhum de bigode. Apesar
do medo espraiado por uns e outros na campanha, de bigode mesmo não se viu nem
alma. Tampouco os fantasmas de outrora que votavam não só emprenhando as urnas
como produzindo maiorias absolutas para os donos do poder de então.
Agora,
passada a refrega - a festa, a lua de mel e as aspirações decorrentes. Depois,
em muitas coisas a razão negando o sim aos adjutórios mais sonhados.
O
endividamento maior que as possibilidades orçamentárias. A infraestrutura
incipiente. Educação fundamental de mentirinha. Ensino médio deficiente. Saúde
pública mais que enferma. Enfim, os lastimáveis índices desenvolvimento humano
- os piores do Brasil.
Tenho
sempre em mente a constatação de Goete que o doutor Tancredo costumava repetir
– mais difícil que abater o monstro é remover-lhe os destroços. É
o nosso caso no Maranhão.
Por que
não uma Comissão da Verdade? No Maranhão se praticaram violências só
comparáveis aos tempos de Trujillo na República Dominicana, Papa Doc e Baby Doc
no Haiti.
Já nem
me refiro às violências no campo, às grilagens de terras, às expulsões de
famílias de lavradores e de indígenas, aos crimes de mando, às pistolagens, que
inspiraram perseguições contra pessoas do bem como o Padre Vitor Asselin e o
lendário Manoel da Conceição.
Há
décadas, e não são poucas, se faz silencio como se todos nós fossemos cumplices
do enriquecimento de famílias que, notoriamente, não herdaram fortunas, não
ganharam prêmios bilionários nas loterias, não trabalharam duro em atividades
licitas e que no tempo integral da politica acumularam contas bancárias no
exterior, patrimônios imobiliários de valores incríveis aqui e alhures,
faculdades, fazendas quilométricas, redes de rádio e de televisão.
Há um
elenco de Governadores de origens familiares reconhecidamente humildes que
acabaram donos de estações rádios e de televisões impondo pelo coronelismo
eletrônico a manipulação das informações para confundir a população e cravar
mentiras contra os que se lhes opõem – eis uma boa pauta, dentre outras, para
uma Comissão da Verdade no Maranhão.
Como
justificava aquele jurado do programa do Silvio Santos antes de dirigir ao
apresentador uma pergunta incômoda – Seu Silvio, o Povo quer saber...

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