A lógica do atraso
Alex Pipkin, PhD em Administração
Chamam de sensibilidade. Eu chamo de rendição.
Nunca tivemos tanto acesso a dados e evidências. Ainda assim, retrocedemos para uma preferência infantil por soluções que não sobrevivem a cinco minutos de realidade. Decide-se pelo que conforta o ego, não pelo que resolve o problema. A economia se transformou num painel de desejos, em que se ignora que ela continua sendo um sistema brutal de causa e consequência.
A vida não opera sobre intenções. Opera sobre incentivos.
Uma vez que o ambiente premia risco e responsabilidade, o indivíduo avança. Não por altruísmo, mas pela ambição legítima de colher o que plantou. Ao fazer isso, arrasta consigo tudo ao redor. O lucro, agora demonizado em grau máximo, é apenas o sinal de que algo útil foi entregue a alguém.
O que vivemos hoje é o triunfo da antítese. Um Estado que chama gastança do dinheiro do contribuinte de direito e financia o delírio com um garimpo tributário permanente. Um manicômio regulatório em que contratar é um ato de coragem. O resultado não é proteção; é escassez organizada.
Nesse cenário, o empreendedor não hesita; ele se retrai. Não calcula expansão; passa a calcular danos. A prudência se transforma em medo, e esse passa a ser a única estratégia possível.
O mais perverso é que isso não é erro, é planejamento deliberado. Transformaram ressentimento em política e vendem contenção como qualidade. Promete-se justiça destruindo exatamente os mecanismos que permitem a ascensão. No final, sobra o igualitarismo mais antigo da história. Evidente, todos nivelados, por baixo.
Isso contamina tudo. A ambição desaparece do mapa. O esforço próprio perde valor. A mediocridade deixa de ser exceção e passa a ser a regra.
O diagnóstico já não é o problema. O problema é a recusa.
Recusa em aceitar o que funciona, e em enfrentar o custo do crescimento. Recusa em trocar conforto por responsabilidade.
Sem isso, não há injustiça a corrigir.
Há apenas a escolha do caminho ordenado do atraso.
A desistência, não inocente, de correr riscos, lutar e conquistar.

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