Quando a ideologia destrói o cérebro
Roberto Kenard
Li, ontem, na Folha de S. Paulo, um artigo que confirma a incompetência (e não raro a vigarice) que reina em nossas universidades. Trata-se de algo vergonhoso.
No artigo, a senhora Maria Hermínia Tavares, esse o nome da autora, tenta mostrar os riscos de apostar no populismo moderado. O alvo logo se percebe: Flávio Bolsonaro. Não sou bolsonarista e nem tenho procuração para defendê-lo. Meu propósito aqui é outro: a vigarice aliada ao mais profundo analfabetismo histórico e político. Não espanta que dona Hermínia seja professora emérita da faculdade de filosofia da USP.
Para descrever os perigos do populismo moderado, ela, como não podia deixar de ser, mete-se a falar da extrema-direita na Europa, com sua "arraigada" postura contra imigração. É tudo besteira. Mais na frente provo. Por agora fiquemos com o populismo.
Pelo artigo de dona Hermínia, o populismo é um fenômeno político da direita. Porque só se refere ao populismo de direita, fica que ela não acredita exista populismo de esquerda. Ou pior: acredita exista populismo de esquerda, mas o considera benéfico.
Bom, não precisamos recorrer à Europa para triturar essa tese esdrúxula. Getúlio Vargas está aí mesmo para desmentir. O populista que instalou uma ditadura que perseguiu e matou muito mais do que a instalada em 1964. Getúlio cujo legado a esquerda, e não a direita, abraça orgulhosa. E por acaso Lula não é populista? Por isso reitero a pergunta: por que o populismo de esquerda não é populismo?
Sobre a Europa. Dona Hermínia não tem a menor noção do que ali se passa. Apenas repete, de forma acrítica, o que é uma vergonha, já que se trata de uma professora universitária, o que a esquerda mundial prega.
Bastaria observar que a Europa vive uma grave e profunda crise, que passa pelo desastre do Estado do bem-estar social, colapso demográfico e imigração irresponsável e que não leva em conta a carência de mão de obra, o que tem levado os países a sustentar milhões sem a contrapartida do trabalho, o que agrava a crise econômica e política. Sem falar na violência que escalou em países europeus tidos como exemplo de segurança.
Tratar os protestos a essa crise como de extrema-direita é vigarice. Primeiro, porque é uma visão rasa de um problema grave e complexo. Por fim, mostra que a pessoa é uma mera repetidora acrítica das vigarices propagadas pela esquerda.
Dona Hermínia mostraria equilíbrio, conhecimento do que se mete a falar e real posição contra o populismo se criticasse o populismo, indiferente a sua coloração ideológica. O populismo, seja de direita, seja de esquerda, é a erva daninha da política. E todo populista é demagogo, assistencialista e corrupto (essas características fazem lembrar de alguém?). Querer tratá-lo como fenômeno meramente da direita (sobretudo no Brasil, que é a negação dessa tese), repito, é vigarice.
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