terça-feira, 7 de abril de 2026

Voto tem estômago - Artigo de Alex Pipkin, PhD em Administração


Voto tem estômago

Alex Pipkin, PhD em Administração

Durante muito tempo, votar foi um exercício quase intelectual. Escolhia-se um lado, adotava-se uma narrativa, defendia-se um enredo maior. Sim, democracia, riscos, redenção. A realidade era um mero detalhe, domesticado pelo marketing político.

Funcionou, até parar de funcionar.

Porque a realidade não debate; ela cobra. E não parcela.

O Brasil de hoje não é um gráfico de PowerPoint; é um país de 81 milhões de CPFs asfixiados. Não é retórica, não. É crédito negado, nome sujo, conta vencendo antes do salário cair. A economia deixou de ser tema e se transformou em sufoco.

Isso muda a biologia da política.

Não é só a falta da carne; é a impossibilidade de sustentar a própria vida. O juro se transformou em armadilha, e o atraso em rotina. A dívida deixa de ser exceção e se transformou em estado permanente.

O desespero, cedo ou tarde, senta-se à mesa.

Foi ali que a promessa foi feita. Lembram da picanha e da cervejinha? Simples, direta, irresistível. Não era um plano, era uma imagem. Parecia que imagens venceriam argumentos.

Até encontrar a realidade.

A carne sumiu, o carrinho encolheu. Pior, o limite estourou.

Com tal circunstância, algo então acontece.

É, o voto desce.

Sai da cabeça, onde cabem narrativas, e encontra o estômago.

O estômago, pressionado pelo boleto e pela prateleira vazia, não tolera ficção. Ele não lê discurso e não assiste propaganda.

Ele lê o extrato.

O governo de lulopetista tenta amortecer com benefícios. Não resolve.

Pelo contrário, o efeito bumerangue se impõe, na taxa de juros, que agrava ainda mais a inadimplência.

Não há almoço grátis!

Não se paga dívida com narrativa. A realidade não negocia, ela naturalmente chega no nome negativado e fica.

Quando isso se espalha, não há argumento que sustente.

O eleitor pode até repetir o discurso.

Mas vota com a dívida. Dívida não é ideológica.

É aritmética. E cobra, sempre.


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