Análise: Lula, Trump, Petróleo e Terras Raras: o 'Pulo do Gato”
08 Mai 2026
Ney Lopes
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu ontem, 7, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, na Casa Branca para uma reunião bilateral. A relação entre os dois assemelha-se ao “pulo do gato” descrito na fábula. Um sorri para o outro, fecham acordos pontuais, mas nenhum revela seu jogo inteiro. Eles apertam as mãos enquanto calculam a distância para escapar de um eventual "bote" (seja uma nova sanção de Trump ou uma guinada de Lula em favor da China).
Petróleo barato
Trump precisa desesperadamente que o preço da gasolina caia para manter a inflação domada e o eleitorado satisfeito. Porém, ele continua preso àquele dilema: precisa orquestrar isso sem que o preço do barril de petróleo afunde a ponto de falir as empresas americanas do Texas e de Dakota que financiam e apoiam seu governo. É um jogo de xadrez diário.
No diálogo com Lula, a lógica trumpiana foi simples:"Eu te ajudo a baixar o preço da gasolina nos EUA via Venezuela/Petrobras, e você me ajuda a salvar a siderurgia brasileira baixando os impostos de importação". Trump ganha petróleo barato; Lula ganha relevância geopolítica e contratos bilionários para a Petrobras.
O trunfo dos minerais
Outro tema econômico quente e estratégico no diálogo foi a aquisição da mineradora Serra Verde, localizada em Minaçu (Goiás), pela americana “USA Rare Earth” por US$ 2,8 bilhões, em abril de 2026. A Serra Verde não é uma mineradora comum; ela é a única operação em escala comercial fora da Ásia capaz de produzir os quatro elementos magnéticos de terras raras. Esses minerais são a base da tecnologia moderna, sendo indispensáveis para a fabricação de superímãs usados em carros elétricos, turbinas de energia eólica, smartphones e equipamentos de defesa militar.
Atualmente, a China domina de forma quase absoluta a extração e, principalmente, o refino de terras raras no mundo. A economia global é refém desse monopólio. O objetivo americano é claro: garantir o controle de uma cadeia de suprimentos crítica fora do alcance chinês e assegurar o seu próprio domínio tecnológico e militar para as próximas décadas.
Ganhos econômicos
As evidências mostram, que a sobrevivência de China e Estados Unidos depende de ganhos econômicos reais, e não debates sobre costumes ou democracia. É um "casamento de conveniência". Trump sempre desconfiou do Brasil. No seu primeiro mandato, ele reclamou abertamente que o Brasil é um dos países mais difíceis do mundo para se fazer negócios porque "cobra muitas tarifas". Em 2019, acusou o Brasil e a Argentina de promoverem uma "desvalorização maciça de suas moedas" para roubar mercado dos agricultores americanos, anunciando o retorno de tarifas sobre o aço brasileiro via rede social.
“America First".
Vê-se, que na política internacional, não existem ressentimentos permanentes, apenas interesses urgentes. Trump engole sua aversão histórica às políticas tarifárias do Brasil em troca de segurança energética e supremacia contra a China; Lula ignora as diferenças ideológicas abissais de olho nos dividendos para a Petrobras e para a indústria nacional. É uma valsa calculada sobre um campo minado. Como na velha fábula felina, ambos saem do encontro jurando parceria, mas com as garras recolhidas e prontas para o bote. O verdadeiro 'pulo do gato' ainda está por vir."O sucesso (dependerá de como Lula conseguirá equilibrar a soberania brasileira com as exigências de uma Casa Branca muito mais voltada ao "America First".
Curtinhas
Filme
“12 anos de escravidão” – NETFLIX - Um escravo liberto, que vive em paz ao lado da esposa e filhos. Um dia, após aceitar um trabalho que o leva a outra cidade, ele é sequestrado e acorrentado. Vendido como se fosse um escravo e precisa superar humilhações
Frase
“Dialogar envolve escutar sem planejar a resposta”.
Irã: 1.500 navios retidos
Cerca de 1.500 navios e as respetivas tripulações continuam retidos no golfo Pérsico devido ao bloqueio imposto pelo Irão no estreito de Ormuz, afirmou hoje um responsável da Organização Marítima Internacional (OMI).
Proposta na mesa
Os Estados Unidos e o Irã estão muito próximos de fechar um Memorando de Entendimento. O pacote prevê o fim oficial da Guerra do Irã de 2026, a reabertura do Estreito de Hormuz e restrições ao enriquecimento de urânio pelo Irã. Em troca, os americanos aliviariam algumas sanções econômicas e liberariam bilhões de dólares em fundos iranianos que estavam congelados.
Trump sorrindo
Lula chamou a reunião com Trump de histórica. De bom humor, disse ter feito Trump sorrir. “O presidente Trump rindo é melhor do que ele de cara feia”.

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