ENTARDECER & AURORA
Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta
Não sei se ri espontaneamente ou se o fotógrafo pediu para que eu fizesse isso. De qualquer forma, era para ser assim...
Estão ali naquela antiga fotografia, o João, hoje pastor evangélico; o César, também seguiu o mesmo destino, embora em outra congregação, o Joel, o caçula da família, também anda nos caminhos do Senhor e o Paulo, um homem que entende de leis, um jurista.
Eu, por obra, também do destino, enveredei pelo mundo da literatura. Meus livros estão espalhados pelos quatro cantos da terra, em bibliotecas e, Inclusive, na maior do mundo que é a do Congresso Americano, além da rede mundial de computadores, a Internet.
Todos nós (da foto) continuamos nossa caminhada. O fotógrafo, esse se perdeu no tempo. Quem sabe, bem velhinho, aposentado ou talvez depositado num jazigo de algum cemitério...
Por falar em tempo, em que momento e por que deixou de existir? Faço essa dolorida pergunta, mas sei que não é da minha conta. Trata-se apenas de uma curiosidade...
Tudo é mágico e propósito de Deus. O fotógrafo e sua máquina, o tempo e o momento... É um milagre a tarde que veio depois da aurora daquele dia. Não posso esquecer da sombra que fazia a minha casa no ocaso. Lembro que a parede estava morna...
O tempo "parou" por um instante e em seguida continuou o seu destino: passar... Só me reconheço nessa foto, porque estava lá e lembro desse dia e daquela tarde... Muito tempo já passou e tudo mudou, até o meu sorriso simplório, li centenas de livros e até aprendi a produzí-los...
Acredito que acontece o mesmo com os meus irmãos, ao contemplar esse momento em forma de imagem, petrificadamente congelada...
É bom que o tempo passe, pois esse é o propósito dele. Sem essa missão de sempre passar, nunca haveria fotógrafo e eu, meus irmãos, todos meninos, nunca teríamos, naquele entardecer na aurora da vida, posado para aquele fotógrafo...
Contemplo por intermédio do tempo a minha face mais inocente, aquela que era fácil sorrir, pois a felicidade estava em todos os lugares, no meu pai e na minha mãe que aqui já na mais estão. Bons tempos vivi e como é bom revivê-lo e vê-lo mesmo que seja assim por meio de um álbum de família...
Sinto que acontece o mesmo com meus irmãos quando olham esta velha fotografia.
(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 11.08.2025 . SÃO LUÍS-MA).

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