domingo, 2 de dezembro de 2012

A Lei da Chibata




 
Caminhava pelas ruas, sonhando! Não sei bem que dia da semana foi – tanto tempo faz -, mas lembrei de que já estavam nas minhas contagens meus nove anos de vida. A queda do Estado Novo, extinto na época com o fim do primeiro ciclo getulista, parecia anunciar o surgimento de outra etapa na política brasileira, que se abria com a esperança sorridente de novos horizontes democráticos.  Naquele tempo, eu já sabia o que era uma ditadura, e convivi os meus primeiros sete anos com ela. Absurdo?!!!... Não!..., a criança quando nasce vai logo sentindo o peso da coisa, seja ela que coisa for... Pode até não perceber, mas sente. O Estado Novo foi um regime político ditatorial criado por Getulio Vargas precisamente no dia 10 de novembro de 1937 e durou até 29 de outubro de 1945. Eu apareci na Terra, nascido de parto natural, justamente 11 meses depois do início desse regime autoritário. Meu primeiro choro foi, portanto, na ditadura. Naqueles ventos de outrora, no entanto, não havia mensalão: Lula e Zé Dirceu ainda estavam por nascer.
Como afirmei no início desse reinício, inaugurando este novo blog, eu nasci respirando política, mesmo na ditadura.
Em 1947, na minha terra de Upaon-açu, nos tempos que a força do chicote vitorinista era a lei, havia também uma forte oposição comandada pelo general Lino Machado, com a participação ativa de Neiva Moreira, àquela época, político e jornalista, além da luta de outros bravos maranhense que desejavam enterrar o vitorinismo. Eu, ainda menino, ficava só na torcida, comendo manga passada na farinha d’água, e andando de calças curtas nas ruas da cidade.
O Maranhão, naquele ano de 1947, vivia uma febre de Lino, e não havia dúvidas de que o general ganharia as eleições. Vitorino sem arquivar o chicote, usou também a intriga para dividir as oposições. O chicote, a fraude e a intriga derrotaram Lino Machado, elegendo Sebastião Archer da Silva, o candidato do coronelismo vitorinista. Dizem que essa foi a maior fraude eleitoral registrada no Maranhão, sem qualquer culpa do Sarney, não integrado – naquela época - “nessas” artes (de fazer ou de impedir)... Ué!... O jovem - dito /cujo/falado - só tinha 17 anos, quando a fraude de 1947 derrotou Lino Machado. Fora, portanto, por falta de idade!... Depois, o dito/cujo/falado nos dias de hoje - agora com seus 82 anos - cresceu na melodia política... Passou a ser o Vitorino de ontem, com direito a foto, junto com o ex-coronel...

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