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domingo, 29 de março de 2015

Sarney pensa que engana


Acordei muito cedo e comecei lendo o artigo do Sarney.

Com mais tempo para escrever, o Sarney sonha... Escreve seus sonhos; mas não conta a verdade por inteiro!... Tenta enganar o povo com uma realidade que não existe, por vezes – ou quase sempre –, invocando grandiosos escritores, poetas, jornalistas de renome.

E o Sarney, em seu artigo deste domingo, revela que "Astolfo Serra escreveu que o mapa do Maranhão era colorido: “as terras, de ouro; as águas de nossos rios, de diamantes”. Essa a visão dos intelectuais, cheios de amor pelo Maranhão, construída com paixão pela cultura, lhe deu projeção e glória. Porém, o outro lado da medalha estampava a amarga realidade do atraso. Foi para acabar com isso que a nossa geração sonhou e juntou a cultura ao desenvolvimento, binômio que iria fazer do Maranhão um dos estados brasileiros de maior futuro.”

Tudo de ouro e diamante!... Que beleza, Sarney! Tuas referências às nossas terras ricas!... Exaltaste os lindos poemas de cada palavra do texto de Astolfo!

Que dirias hoje, tu, em tuas visões deste Maranhão pobre, empobrecido a partir de tua posse, em 1965, como governador do Estado?

Astolfo recitou palavras que falavam da riqueza do nosso solo, de nossos rios, de nossos mares, de nosso povo, da nossa gente...

Mas o Sarney não escreve a verdade quando afirma que “sonhou e juntou a cultura ao desenvolvimento, binômio que iria fazer do Maranhão um dos estados brasileiros de maior futuro.”

Oh, Sarney! Construíste, com a tua turma, um Maranhão mais pobre, com muita gente passando fome. O teu grupo não preparou o Maranhão para o hoje, nem para o futuro do amanhã! O Maranhão era um estado muito rico que teu ciclo empobreceu.

O Maranhão é hoje de algumas famílias ricas e uma multidão de pobres!

A tua excelsa inteligência e tua vasta cultura não encobrem teus pecados nem os isentam; valem menos – e muito menos – que a grandiosa misericórdia de Deus pelo povo pobre da nossa terra!

Citaste Astolfo Serra, mas poderias também ter regressado ao século XVII e  amparado os teus poemas sonhadores na inteligência luminosa do padre francês Yves d'Évreux, cronista que escreveu belas artes dos poucos anos que por cá ficou!... Para ele até o nosso céu era mais belo e magnífico; e as estrelas da nossa terra bem mais brilhantes do que as da França, no seu dizer!

Lágrimas poderiam existir, mas a natureza abundante, rica e bela, as enxugava apontando para um horizonte de futuro bem melhor; tal o tamanho da riqueza do nosso solo.

Muitos cronistas escreveram sobre o solo de Upaon-Açu.

Revelam algumas anotações de historiadores que Claude d'Abbeville teria sido o primeiro (maior) cronista da nossa terra, notadamente naquele período  compreendido entre os séculos XVI e XVII.

Sabes – pois és um estudioso da terra – que ele (o padre Yves d'Évreux) conviveu naquele tempo com o também escritor (cronista) Claude d'Abbeville, e aqui chegaram juntos, na expedição francesa numa nau comandada pelo almirante François de Razilly. Todos falaram e escreveram sobre as coisas boas da nova terra: o Maranhão!

Não me cabe aqui – agora – fazer outras citações nem lembrar a fundação da cidade, arrolar um testemunho de Daniel de La Touche.
Um dia – talvez – escreverei algo com mais informações sobre Yves d'Évreux e Claude d'Abbeville.

No entanto, para encerrar os meus contos de hoje lembro algo que reli ontem (por coincidência ou não) com relação Yves d'Évreux, portanto, antes de ler o artigo do Sarney.

Como estava sem nada para fazer, fui reler “França Equinocial” do professor Mário Meireles e procedi a uma releitura do texto cravado na página 37, onde está uma das belas revelações do padre Yves d'Évreux, sobre o Maranhão: “o clima é são e salubre e que desperta muito apetite..., que suas águas são incorruptíveis..., que é belo e magnífico o céu porque nele há estrelas maiores e brilhantes e mais luzentes do que em França.”

De HS, direto da Ilha de Upaon-Açu 

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