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quinta-feira, 25 de junho de 2015

Mercado Municipal de Curitiba é referência no controle de pragas


Em um local como o Mercado Municipal, onde a oferta de alimentos é farta, o controle de pragas urbanas é uma exigência constante. O que tem garantido a eficácia no combate às pragas é a rígida aplicação e fiscalização de uma metodologia chamada de Programa de Controle Integrado (PCI).
Semanalmente, o controle no Mercado é feito do chão ao teto. A limpeza geral e o monitoramento da iscagem para o controle acontecem habitualmente às segundas-feiras, quando as bancas abrem facultativamente pela manhã e fecham pela tarde para a lavagem dos espaços comuns.
Os especialistas consideram o Mercado Municipal uma referência no controle de pragas urbanas em ambiente público, pela metodologia aplicada e pelos resultados obtidos. “Podemos dizer que é uma referência porque, neste momento, está altamente controlado. É uma referência na metodologia desenvolvida, considerada de excelente qualidade”, afirma a vice-presidente da Associação Paranaense dos Controladores de Pragas e Vetores (Aprav), Maria Nagano.
Ela defende que o controle exige que a empresa contratada seja capacitada para atuar na área. “O responsável técnico tem que entender da biologia e das formulações utilizadas. Não pode ser só ir e colocar veneno, sem monitoramento e boas práticas. O trabalho que vem sendo feito no Mercado é altamente técnico”, conclui Maria Nagano.
“Não existe a eliminação total de pragas, isso faz parte da cadeia alimentar. Hoje, o que temos no Mercado é um ambiente controlado”, explica a médica veterinária Virgínia Gasparini, gerente técnica do Controle de Qualidade da Secretaria Municipal do Abastecimento, que desenvolveu a metodologia para a implantação do PCI. Ela conta com o apoio da engenheira agrônoma da Secretaria, Hilda Carachenski, que semanalmente monitora o trabalho desenvolvido pela empresa contratada e de limpeza realizada pelos permissionários.
Controle
Barreiras físicas, iscas atrativas (quimicamente tratadas) e outros produtos químicos de baixo impacto, limpeza e a utilização de normas de boas práticas no manejo de alimentos e lixo são as principais medidas adotadas. “Todo local que possui água, alimento, abrigo e acesso está sujeito a pragas. Temos que impedir o acesso das pragas aos alimentos utilizando as tecnologias de menor impacto às pessoas e aos alimentos”, enfatiza a médica veterinária. O trabalho de implantação do Programa de Controle Integrado (PCI) foi iniciado por Virgínia há mais de cinco anos.
Com o objetivo de alcançar o estágio atual, além da limpeza e do controle semanal, os permissionários recebem orientação e monitoramento constantes sobre limpeza, organização e manejo do lixo. “Trimestralmente fazemos um check list, que gera pontuação para cada permissionário, e quando necessário eles são notificados e até autuados”, explica a engenheira agrônoma Hilda.
Ela também acompanha semanalmente o trabalho realizado pela empresa especializada no manejo de pragas. “Toda semana, ao final do monitoramento, o técnico responsável entrega um relatório. Se algum tipo de infestação de praga é identificado, nós atuamos imediatamente. O permissionário é acionado, o técnico aplica o procedimento adequado e passamos a fazer um monitoramento mais intensivo daquele local”, explica a engenheira agrônoma.
Dentro do processo de controle de pragas, o técnico Dorival Rodrigues realiza o manejo de pragas. Baratas, ratos, formigas, moscas de ralo e pombos estão entre as mais comuns.
A limpeza é fator essencial no controle de pragas urbanas, por isso os permissionários têm de fazer a retirada do lixo duas vezes ao dia. “Os permissionários têm até as 10 horas pela manhã para retirar o lixo e à tarde, novamente, antes de fechar”, informa o gerente do Mercado Municipal, Júlio César Alves dos Santos. Todo o lixo é mantido em uma área externa do Mercado, onde resíduos orgânicos, embalados em sacos plásticos reforçados, são depositados em contêineres e o lixo reciclado, depositado em um pequeno barracão, diariamente recolhido por uma associação de catadores. 
Barreiras
O controle integrado de pragas no Mercado inclui ainda a adoção de medidas que facilitam a limpeza dos boxes pelos permissionários e a instalação de barreiras físicas contra roedores e pombos. Com o auxílio do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) foram desenvolvidas esquadrias de metal para o fechamento das frestas das portas de acesso pela Rua General Carneiro. Os boxes e as bancas de alimentos foram alterados, todos têm as prateleiras suspensas do chão e parte delas possui rodinhas para que possam ser movimentadas para a limpeza geral do ambiente.
“Quando não era padronizado sempre havia problema”, lembra Rodrigues. A infraestrutura inicial de controle contou ainda com a implantação de um anel sanitário no entorno do Mercado para evitar o acesso de roedores. Ele conta que as tubulações do entorno receberam telas aramadas e chegou-se a fazer, inclusive, uma desinfestação em um prédio comercial vizinho para conseguir o controle esperado no Mercado.
Outra praga urbana comum são os pombos. Para impedir o acesso deles, foram instaladas espículas (ponteiras de metal), nos pontos de pouso das aves. Em frestas do telhado, que eram utilizadas como abrigos e ninhos, foram instaladas telas, impedindo o acesso e a proliferação. Os dejetos do telhado também são frequentemente limpos pela equipe de Rodrigues.

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