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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Capoeira é usada como terapia para pacientes de unidade de saúde da CIC, em Curitiba


Nas tardes de terça-feira, a unidade básica de saúde Augusta, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), é tomada pelo som de palmas e do berimbau. Pacientes e comunidade são convidados a deixar o sedentarismo de lado para praticar o gingado e o jogo de braços e pernas da capoeira. A atividade proporciona melhor qualidade de vida e mais saúde aos participantes – na maioria idosos. Essa é a capoterapia.

O projeto encabeçado pelo médico Edison Paula Brum, professor da Universidade Positivo, teve início em maio e é conduzido por acadêmicos de Medicina e pela equipe da unidade de saúde. “Os movimentos da capoeira são adaptados ao público e respeitam os limites individuais. Com isso buscamos melhorar as condições físicas, a flexibilidade, a mobilidade, a convivência e diminuir níveis de estresse e pressão”, conta Brum.

A técnica de enfermagem Maria Helena Azevedo explica que, ao longo da semana, enquanto estão na sala de espera ou participam dos grupos de hipertensos e diabéticos, os pacientes são convidados a participar da atividade. “Explicamos que são alguns exercícios da capoeira adaptados aos idosos. É maravilhoso a universidade estar aqui. Eles vêm e mudam a rotina da unidade”, afirma Maria Helena.

Em três meses de atividade, cerca de 30 pessoas participaram da atividade. As aulas duram cerca de 60 minutos, das 16h às 17 horas de terças-feiras, e são promovidas no Espaço Saúde da unidade. Os alongamentos e movimentos são propostos e supervisionados pelos universitários, que têm experiência em capoeira. “Temos aulas de geriatria na universidade, mas não esse contato tão próximo com os pacientes. É gratificante ver a felicidade deles e saber que podemos trabalhar com a prevenção”, afirma o estudante de Medicina Maurício Littieri, de 24 anos.

Entre os participantes das aulas de capoterapia está a diarista Laurita do Rocio Cotekolski, de 57 anos. Sem faltar nenhuma aula, são nítidos os avanços que ela teve. “Eu tive um princípio de AVC [acidente vascular cerebral] e a minha perna direita travava muito. Subia escada com dificuldade e já melhorou muito”, conta. Ela diz que a atividade também permitiu que conhecesse outras pessoas. “Sou só eu e meu filho. Depois que comecei, fiquei mais ativa, estou com o corpo mais leve e melhorei meu alongamento. Eu tinha cansaço nas pernas e agora não tenho mais.”

Proximidade

Para o secretário municipal da Saúde, César Monte Serrat Titton, essa proximidade com as universidades de Curitiba é importante para somar esforços e desenvolver novas ideias em benefício da saúde da população. “Temos tido um contato muito interessante com a academia. As universidades são espaços de inovação e têm muito a contribuir com a saúde pública de Curitiba. As nossas equipes estão abertas a novos projetos”, conta.

O médico Edison Paula Brum relata que teve o primeiro contato com a capoterapia em Luislândia, no interior de Minas Gerais, durante um projeto de extensão universitária. “Trata-se de uma terapia auxiliar para tentarmos melhorar a qualidade de vida dos pacientes. O principal benefício é o convívio social, já que a maioria é idosa e leva uma vida mais solitária”, explica o médico, lembrando que a atividade não tem contraindicações e também é benéfica em quadros depressivos.


O levantamento dos resultados obtidos com o projeto deve ser feito até o final do ano. Ainda não há definição sobre a possibilidade de expansão da atividade.

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