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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Os encantos do Sermão aos Peixes


 Crônica do entardecer

Por Hélcio Silva

(18 / 11 / 2015)


Um bom bocado de coisas há por aí de brincadeiras com o Mar. O mar sempre foi dos poetas e não dos historiadores. Mas os historiadores fazem a festa e os poetas não ficam zangados... E a rainha Iemanjá se diverte com isso!... Os peixes são a alegria da Rainha!... E ela, como mãe querida, estava presente quando do "Sermão aos Peixes", em 1654.

Quando apareceu aquela história de que o almirante holandês Adrian Jansen Pater ao perder sua última batalha naval teria dito - “O mar é a única sepultura digna de um almirante batavo” – fez-se acontecer uma festa prolongando-se até hoje entre a turma de historiadores...  Já os poetas organizaram uma baladinha em versos: “Escorregou no tombadilho / e o medo lhe assustou / agarrou-se a uma corda,  pois não sabia nadar / desesperado, se assustou / e de bandeira enrolada cair no fundo mar...”  

O caso de D. Sebastião é uma lenda. Uma história, por que não?
A culpa é da batalha de Alcácer-Quibir...

Mas como abre uma saudade!...  Parece ver-se Humberto catando:

“Maranhão, meu tesouro, meu Torrão / Fiz esta toada pra ti, Maranhão / Terra do babaçu que a natureza cultiva / Esta palmeira nativa é que me dá inspiração / Na praia dos lençóis tem um touro encantado / E o   reinado do rei Sebastião.”

Conta-se que, durante a batalha, o rei foi aconselhado render-se ao que teria dito:   "A liberdade real só há de perder-se com a vida."

A lenda de D. Sebastião é relatada por gerações. São muitos os contos sobre ela. Falava-se constantemente das diversas histórias oriundas da mesma fonte: O Rei Sebastião...  

O ex-vereador Zé Cupertino, meu colega de Câmara durante anos, contou-me histórias da princesa Ina, fatos relacionados com o porto. Dizia-me que a princesa Ina, neta de D. Sebastião, era a mãe protetora do Itaqui.

Há muitos textos sobre D. Sebastião, resumindo a lenda que envolve muitas histórias. Quase todos os contos na mesma direção. Vejam este que é quase do mesmo teor de outros que no nosso tempo de criança a gente ouvia em diversas conversas com os mais velhos... A criançada ficava com medo...  Ufa! 
Vejam:

 “ Na praia dos Lençóis, entre os municípios de Turiaçu e Curupuru, no Maranhão, nas noites de sexta-feira, não havendo luar, aparece um grande touro negro com uma estrela resplandecente na testa. Quem estiver na praia será tomado de um pânico irresistível (...).Quem tiver a coragem de ferir o touro na estrela radiante vê-lo-á desencantar e a aparecer El-Rei D. Sebastião. A cidade de São Luís do Maranhão submergir-se-á totalmente, e diante da praia dos Lençóis emergirá a Cidade Encantada, onde o rei espera o momento de sua libertação. Na praia dos Lençóis é proibido pelos pescadores levar-se qualquer recordação local, que tenha sido colhida na praia ou n’água do mar, conchas, estrelas, búzios, algas secas, etc. Tudo pertence a El-Rei D. Sebastião e é sagrada sua posse”

Lembro de outros fatos, alguns recentes. São Luís é uma cidade rica em histórias.

No dia 12 de outubro de 2012, o Secretário de Saúde vai à praia do Calhau, na Ilha de São Luís, levando suas netas para um banho de mar com objetivo de provar à sociedade que as águas eram limpas. Na solenidade do banho apareceram, misteriosamente e invisíveis aos olhos do secretário, a encantada Menininha da ponta d'areia e Joãozinho da das ondas do mar, ambos do reino misterioso de D. Sebastião, tudo sob os olhares cuidadosos de Iemanjá, mãe de Menininha e Joãozinho. 

D. Sebastião, ao longe e bem distante, observava tudo, ao lado de padre Vieira, a quem convencera não ser ainda hora de voltar com o "Sermão aos Peixes", fato que só ocorreu agora, em 2015.

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