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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Tudo bem no ano que vem

Edson Vidigal

A contagem regressiva segue e com o ano novo um novo Governo. Como disse o Flávio, eleitos só ele e o Brandão. Por isso quem estiver em cargo de confiança, Secretário, Assessor Especial e quejandos que vá logo cuidando da fantasia para o carnaval.

Não sei como vão as démarches, mas com certeza o Poder estará com Momo pelo menos por três dias, os principais da folia quando não faltará nada, quem sabe nem mesmo bolsa família.

A essa altura não haverá mais ninguém que não cante a marchinha  que desde agora está com tudo para fazer sucesso – “ai, ai meu Deus / me dei mal / bateu em minha porta / o japonês da Federal...”

No Brasil é sempre assim – o que não acaba em samba enredo no templo da folia, a Avenida Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, nem em Recurso Especial no STJ, acaba na boca do Povo como essa marchinha sobre o japonês da Policia Federal.

Tu sabias que o Marquês que dá nome à passarela do samba nunca sambou? O nobre patrício era Desembargador em Minas Gerais quando Sua Majestade o Imperador do Brasil, o D. Pedro II, o Imperador de verdade, conferiu-lhe tamanha honra nobiliárquica.

De fato, tirando o Marquês de Tamandaré, o novel Patrono da Marinha, temos Marquês mais conhecido pelo Povo em geral do que o Marquês de Sapucaí?

Sim, o Marquês de Itararé, apenas uma paródia de Aparício Torelli, o editor do jornal satírico “A Manha”, celebrizado por frases que grande cunho politico tipo – “não é triste mudar de ideia; triste é não ter ideia para mudar”; “tudo seria fácil se não fossem as dificuldades”. E tal.

Tu imaginas o que me perguntou o taxista ontem em São Paulo quando falei que estava em cima da hora o meu embarque para Brasília?

Perguntou muito curioso e sorridente se eu conhecia o japonês? Que japonês? Não tem tanto japonês aqui? Respondeu-me sim, mas que da Federal só conhece aquele que adora ver na televisão prendendo os grandões.

Circulam piadas Brasil afora sobre o japonês transformado, de repente, em arauto contra a impunidade e garoto propaganda da operação lava a jato.

Expliquei ao taxista que não é bem assim. O policial de ascendência nipônica que aparece sempre em primeiro plano nas fotos e vídeos das operações da Federal foi destacado para a missão que a cumpre muito bem, com seriedade e discrição.

Indubitável que o japonês da Federal já é figura nacional com um fã clube tão ardente a rivalizar os admiradores de um Zeca Pagodinho, um Elimar Santos ou a nossa Marron.

Tenho por hábito não tratar ninguém por apelido. Japonês não é apelido. Por isso, senhoras e senhoras, lhe informo que ele levou da pia batismal o nome dele é Newton Ishii.

Newton sabe muito bem sobre o que é ser preso. Ele próprio já o foi sob acusação em processo criminal e hoje não só goza da confiança da administração superior da Policia Federal como também é tido como excelente profissional.

O Flávio anuncia mudanças no seu time. O Lula até demorou a trocar o Capitão do Time. Mas aí em meio à crise do mensalão, trocou.

Edson Vidigal, Advogado, foi Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal.

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