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terça-feira, 31 de maio de 2016

Ídolo – o esquecimento cruel e imperdoável

Por José De Oliveira Ramos


Estamos voltando para o futuro – destino de todos que aqui estiveram e dos que aqui ainda estão. Não há escapatória: o orgulho é uma idiotice sem tamanho que só cabe na cabeça dos imbecis.
As glórias da “Vila famosa” cada dia se distanciam mais. Tem chegado, constantemente, a hora do retorno de muitos. Faz pouco tempo, com poucos meses de intercessão perdemos Pivide, Maçarico e Coelho. Um trio da mesma família que deu glórias e reconhecimento ao bairro do Anil.
Depois foi a vez de Jacinto. No ano passado a volta foi marcada para Ademir Marreiros, uma mistura de profissional-amador e esteio reconhecido na conquista da Copa Arizona pelo estado do Maranhão. No começo deste mês de maio, voltou Alencar que, embora nascido em Coroatá teve brilho inconfundível no futebol anilense.
Para as 18 horas deste 30 de maio de 2016, foi marcada a Missa de Sétimo Dia pela passagem de Gojoba, a ser realizada ali mesmo próximo de onde residia – no Planalto Pingão. Na realidade, JOSÉ RAIMUNDO MORAES, famoso no futebol brasileiro como Gojoba.
Menino que “engrossou as pernas” jogando no futebol amador do Anil dos áureos tempos da Vila Famosa, Gojoba nos deixou. Vítima do Parkinson, na realidade “descansou”. Sofreu muito – e o que mais a família sentiu, junto, foi o esquecimento de alguém que deu tantas alegrias a tanta gente.

Gojoba

Profissionalmente, Gojoba, deu títulos e status ao Moto Club, onde iniciou. Voou para Recife, onde defendeu o Sport e a seleção brasileira, atingindo o ápice da glória. Defendeu, ainda no auge da forma técnica, a camisa do Ceará Sporting Club e ali tornou-se um dos maiores e reconhecidos ídolos. Voltou para o futebol maranhense e formou peça importante na conquista do título brasileiro de 1972.
Parou de jogar profissionalmente. Desenhista Técnico profissional, entrou para a CEMAR (onde aposentou-se) e, para não ficar distante dos campos, preencheu o tempo ocioso “ajudando” a meninada que jogava no Grêmio Lítero Recreativo – era, teoricamente, o retorno ao Anil.
Diferentemente dos tempos idos, só alguns amigos mais próximos sabiam do sofrimento de Gojoba – acometido de uma doença que ainda não tem cura - e da família. Deus, o Criador, o premiou com o descanso.
Na crônica esportiva poucos souberam do fato – a nova geração é diferente das gerações de antigamente – e os dois clubes com os quais ele contribuiu com a beleza e a eficiência do seu futebol, não lhe prestaram nenhuma homenagem. Sequer foi respeitado um minuto de silêncio.
Um ídolo não merece isso. O erro imperdoável (principalmente pelo Sampaio Corrêa) precisa ser corrigido imediatamente.

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