Busca

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

DEUS CONTA COM OS PAIS



Por Lúcia Moysés*






Quem vive a experiência da maternidade, certamente sabe que cada filho é um ser com características próprias, com temperamento e personalidade singulares.

Aquilo que para a ciência é considerado como genético é, sob o enfoque da Doutrina Espírita, fruto das próprias experiências vividas por cada um de nós em existências anteriores. Nosso espírito imortal traz consigo as marcas das virtudes adquiridas e dos erros cometidos; das conquistas realizadas ou das carências a superar.

Assim é que muitos que já se tornaram pais não aguardam similaridade entre os filhos, embora esperem que nenhum deles vá ser tão diferente a ponto de parecer um estranho no ninho.

E foi exatamente assim que pensava uma mãe que conheci em um dos seminários para educadores que ofereci recentemente. O tema central – a educação dos filhos – despertou-lhe o interesse. Buscava respostas para o fato de ter entre seus filhos um completamente diferente dos outros irmãos. Buscou-me para conversar e em pouco tempo pude constatar que estava diante de uma mãe valorosa.

A decisão de ter um terceiro filho foi tomada a partir da constatação de que a maternidade somente lhe trouxera alegrias. Tinha um casal de filhos adoráveis. Havia o trabalho que os cuidados naturais exigem, mas nada fora do comum. Por isso, a expectativa de ser mãe novamente foi pontuada de felicidade.

O bebê nasceu e se desenvolveu normalmente, nos primeiros meses. No entanto, por volta do sétimo mês, começou a manifestar comportamentos estranhos. Não gostava de estar nos braços maternos, parecendo evitar o contato humano. Chorava sem motivo, por longos períodos, e nada o consolava. À medida que ia crescendo, aumentavam as expressões de desconforto da mãe diante das tentativas de aproximá-lo dos irmãos ou mesmo de qualquer outra pessoa. Aprendeu a andar cedo, mas custou a falar. Apesar de tudo isso, os exames médicos não registravam nada de anormal.

A mãe, no entanto, continuou procurando explicações, pois tinha certeza de que aquele filho representava um desafio a ser enfrentado: a criança trazia marcas de um temperamento forte, com tendências à violência e à agressão.

Por amor ao filho, começou a buscar ajuda profissional ao mesmo tempo em que voltou-se para os estudos psicológicos, numa tentativa de melhor entender o que se passava. Frequentou palestras, seminários, fez cursos. Tudo lhe apontava a necessidade de maiores doses de compreensão para com o problema. Mas foi somente quando se voltou para o conhecimento espírita que começou a encontrar respostas que a esclareceram e confortaram o seu coração.

Passou a entender que muitas mães generosas aceitam receber em seu ventre espíritos endurecidos, violentos e desajustados para uma nova romagem terrena. Deus assim o permite para que eles tenham a chance de evoluírem. “Não é raro que um mau Espírito peça lhe sejam dados bons pais, na esperança de que seus conselhos o encaminhem por melhor senda e muitas vezes Deus lhe concede o que deseja”, é o que afirma O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, na questão 209.

Muitas são as formas que a providência divina encontra para ajudar os seus filhos em desalinho, emaranhados em compromissos da retaguarda e com grande dificuldade de progredir espiritualmente. Uma delas é, exatamente, a que se deu no caso aqui relatado.

O entendimento que então passou a ter fez dessa mãe um ponto de apoio para aquele espírito. Compreendendo suas necessidades, ela própria se transformou, tornando-se mais paciente, mais tolerante e, principalmente, mais compassiva.

Quando se olha um filho como um espírito que cumpre, na Terra, sua trajetória evolutiva, como alguém que reencarnou para superar suas próprias falhas com vistas ao seu futuro de ser imortal, necessitando, muitas vezes, de amparo e compreensão, o convívio se torna mais fácil, por maiores que sejam os problemas apresentados.

E assim deveriam pensar todos os pais e mães: Deus conta com a sua ajuda.

Dedicar alguns anos das próprias vidas, dando amor e bons exemplos aos filhos que lhes foram entregues é bem pouco se comparados à grandeza de se sentir um colaborador do Pai na obra de redenção da Terra.

Lúcia Moysés é  escritora, palestrante espírita e educadora. 


Nenhum comentário: