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terça-feira, 27 de setembro de 2016

A política nossa de cada dia

João Batista Azevedo


A palavra “política” provém do grego “politiká”. Tal palavra era usada para se referir a tudo relacionado à Polis (cidade-estado) e à vida em coletividade. Sendo assim a política está diretamente relacionada com a vida em sociedade, no sentido de fazer com que cada indivíduo expresse suas diferenças e conflitos sem que isso seja transformado em um caos social.

A grande maioria das pessoas acha que política é uma atividade relacionada com governo, partidos políticos, esfera pública, ideologia, etc. Quem assim pensa ou pensou até hoje, não entendeu e não entende nada de política, e nessa esteira, o nosso universo político está cheio.

A política não está presente só na vida pública. A política é uma atividade humana. Portanto, dentro de casa, nos negócios, nas empresas, nas escolas entre alunos e professores, entre marido e mulher, em todos esses ambientes a política está presente. E com ética deve ser exercida.



Exatamente isto é o que se deve exigir de um político quando pensamos em lhe creditar o voto: que ele seja ético, que pense no coletivo e que tenha uma visão plural das políticas públicas a serem implantadas no espaço que pretende representar. Lamentavelmente não é o que se vê, em particular na nossa política.

Ora, se nos sentimos enojado com a política que é feita sobre as nossas cabeças, lá em cima, seria de boa ética que aqui embaixo pudéssemos agir de modo diferente. Isto cabe aos dois personagens desta epopeia: ao político e ao eleitor. Seria o caso de punir os corruptos que querem renovar seus mandatos, mas nem sempre é isso que acontece. Muitas vezes os reelegemos. Daí, depois de nada adianta reclamar quando os políticos sem ética começarem a aprontar suas presepadas. Por outro lado, o político calça-curta, nos rincões interioranos também se espelha nos políticos de altas patentes.


Está em moda, neste tempos de eleições municipais, uma modalidade da “política” e de “useiros da política”: a trairagem. Esta consiste em expor o caráter vil daqueles que precisavam ser éticos e se postam como verdadeiros enlatados de prateleiras, ou simplesmente mercadorias. Vão-se ao sabor do vil metal, do “quem dá mais”. Então há de se perguntar: são esses os políticos que nós queremos? São esses os políticos que precisamos? Certamente que não!

Só teremos bons gestores quando verdadeiramente soubermos escolher os nossos representantes na sua plenitude, sejam para o executivo ou para o legislativo. É hora de banir os que se locupletam, os que só olham para seus umbigos. Não cabe mais na política os que não possuem ideologia, os que mudam ao sabor das ofertas, os que não suportam os revezes da própria conjuntura política. A política é feita de situações, e para enfrentá-las, o agente político precisa ter postura.

A retidão de caráter deve ser a maior das virtudes daqueles que se dispõem a ser representante do povo. Se não, como confiar o voto a quem não preza à moral e à condição de homem público? Que ideia faz aquele que foi persuasivo junto ao político que age com desonestidade e venalidade? Quem compra e quem vende apoio/votos são igualmente merecedores da repulsa do eleitor.

Na política, perder ou ganhar é parte que cabe aos agentes da política. E é preciso resistir. Vencer deve ser mérito e prerrogativa do povo apenas. Ao eleitor cabe o julgamento dos políticos que queremos.

E o eleitor é povo.

P.S.: Qualquer associação ou semelhança com algum caso que você conheça não terá sido mera coincidência.


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