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quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Corrupção

A fé deve transformar a polis, a política, para que ela seja, com os bons políticos e o povo consciente, um real e bom serviço ao bem comum.


Dom José Alberto Moura

Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

Deus advertiu Moisés sobre a corrupção do povo a quem Ele tinha feito muitos prodígios para ajudá-lo a conquistar a terra prometida. De fato, o povo estava adorando bezerro de ouro no lugar do verdadeiro Deus (Cf. Êxodo 32,7-14). Mas, ao invés de castigar os judeus, o Senhor perdoou seu pecado a pedido daquele patriarca.

Quanta corrupção em nossa sociedade! Até parece um tecido social apodrecido! É possível mudar isso? Felizmente temos os intercessores e pessoas de bem que ainda temem a Deus e têm força para mudar, contando com a ação divina através deles. Precisamos estimular todas as forças vivas da sociedade para isso, a começar da educação em família, formando o caráter das pessoas desde o nascimento, para a vida com valores humanos, éticos e cristãos. A formação para a alteridade é fundamental. Aí vão se respeitar a vida, a verdade, o bem, a justiça, a honestidade, o bem comum e a relativização do ter em vista do ser.

O Apóstolo Paulo se coloca como exemplo para todos, devido à misericórdia de Deus para com Ele (Cf. 1 Timóteo 1,16). Oxalá haja também conversão de todos os que lesam o povo, principalmente os pobres, devido à sua conduta desonesta  na política, na economia e em tantas outras instituições. Enquanto isso não acontece de forma abrangente, os que são lesados precisam usar seu potencial de força transformadora através do voto, da pressão popular, da fé comprometida com a transformação social, embasada na Palavra de Deus, na oração e na doutrina da Igreja. A fé deve transformar a polis, a política, para que ela seja, com os bons políticos e o povo consciente,  um real e bom serviço ao bem comum.

Nas parábolas da ovelha perdida e do filho pródigo o Mestre ensina sobre a misericórdia divina em relação aos perdidos e de desvio de conduta (Cf. Lucas 15,1-32). Ele quer o bem de todos e dá o perdão a quem quer voltar. Ele insufla os que não o querem para reverem sua posição. Ele condena o pecado, mas quer o bem do pecador. Jesus não compactua com o erro e o desvio de conduta. Insiste para não pecarmos, pois, é um mal para nós mesmos e a sociedade. Confia aos discípulos a missão de também irem e ensinarem aos que estão afastados de seu caminho para se converterem. Felizes os que ouvem esses discípulos e voltam para o bom caminho. Além de fazerem o bem para si mesmos, contribuem para uma convivência de justiça e harmonia. Deste modo, todos terão vida digna. Não faltará o pão para o alimento material e espiritual. Todos se envolverão para tornar o convívio de inclusão na vida realmente humana e cidadã.

Muitos não têm consciência de seu erro. Por isso, precisam ser admoestados, como Paulo o foi por Jesus. A admoestação deve ser feita, sem dúvida, por Deus, que o faz também através de quem, por causa dele, se preocupa com o bem dos errados e de toda a sociedade. A admoestação se faz através do voto, da pressão popular, do processo legal, do aconselhamento... Não podemos nos omitir ou lavar as mãos. Temos que, juntos e individualmente, procurar meios para isso.

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