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sábado, 3 de setembro de 2016

É ELE MESMO


Carlos Chagas

A candidatura do Lula em 2018 está posta, ancorada na tentativa de ressurreição do PT. A leitura que fica da decisão dos companheiros seria cômica se não fosse trágica: não há mais ninguém. Em tantos anos de experiência, o partido não criou sucedâneos para seu fundador. Quem achou que era Dilma quebrou a cara, bem antes, até, de seu afastamento. Nem nos governos estaduais nem no Congresso apareceu um substituto. Sequer nos meios sindicais.

Indaga-se a razão desse engessamento e a resposta só pode ser uma: porque o Lula não deixou. De tal  maneira ocupou espaços e reivindicou todos os comandos que agora ficou sozinho. Quando escolheu Dilma para sucedê-lo, todo mundo aceitou. Não havia alternativa. Bem que ele tentou voltar em 2014, mas Madame não deixou. Imaginou-se rainha da Cocada Preta e exigiu disputar o segundo mandato. Parece que fez até pressão para constranger o antecessor, ameaçando divulgar episódios de sua vida privada. Deu no que deu, com o esfacelamento do PT.

Hoje, para tentar recuperar o tempo perdido, voltam-se mais uma vez os companheiros para o Lula, pelo mesmo motivo de sempre: não há outro.

Condições, ele possui, mesmo submetido a virulenta campanha de descrédito, em boa parte liderada pelos que tremem de medo de sua volta. Vão tentar desmoralizá-lo e até mobilizar o Judiciário, pelo simples motivo de não haver adversário.

Se chamado a escolher um candidato, mesmo disposto a encontrá-lo, não conseguirá. Terminará olhando-se no espelho e concluindo ser ele mesmo, caso o PT se disponha a lutar pelo poder. Ainda que a contragosto, a maioria das forças populares ficará com ele, apesar dos desmandos e do caos deixado por Dilma.

Resta saber se, entrado nos setenta anos, terá saúde e disposição para enfrentar uma campanha. E apoio parlamentar suficiente para evitar a arapuca onde caiu sua malograda criação.

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