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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Paraná terá seu primeiro parque de biociências


O Paraná terá o seu primeiro Parque Científico e Tecnológico de Biociências (Biopark). Iniciativa dos empresários fundadores da indústria farmacêutica Prati-Donaduzzi, de Toledo (Oeste), que conta com apoio do Governo do Estado, o Biopark terá quatro milhões de metros quadrados e espaço reservado para universidades, hospitais, incubadoras, indústrias e até áreas residenciais. O governador Beto Richa participou do lançamento, realizado nesta quinta-feira (22). Na mesma solenidade, Richa assinou decreto que cria o marco regulatório para a implantação do Complexo Paranaense de Parques Tecnológicos no Estado.

Idealizado por Luiz Donaduzzi e a esposa Carmen, o Biopark pretende gerar 30 mil empregos e transformar a região de Toledo em um polo do setor de biociências nas próximas décadas. O investimento inicial é de R$ 100 milhões. A expectativa é que esse volume possa chegar a R$ 500 milhões em cinco anos, de acordo com Luiz Donaduzzi.

Richa enalteceu a iniciativa. “É um projeto dos mais importantes para o Oeste do Paraná e demonstra, mais uma vez, a participação da Prati-Donaduzzi no desenvolvimento econômico e social da região. A indústria é a maior fabricante de medicamentos genéricos do Brasil e merece todo o apoio do governo do Estado”, afirmou o governador. “Já estive na Prati inúmeras vezes para celebrar parcerias, investimentos do Estado, anunciar a abertura do curso de farmácia e agora, temos mais uma demanda que é a abertura de um campus avançado da Unioeste dentro do Biopark”, disse.

Richa explicou que o apoio do Governo do Estado ao projeto do Biopark será com convênios, parcerias com entidades como o Instituto Tecnológico do Paraná (Tecpar) e Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), abertura de cursos de graduação nas universidades estaduais para ampliar a disponibilidade de técnicos. “É uma iniciativa que merece o apoio decisivo do Estado”, afirmou.

QUALIFICADA - A ideia do projeto Biopark é permitir a formação de mão de obra qualificada para o setor e estimular o desenvolvimento de pesquisas, a criação de startups e a instalação de empresas. “Na área de biociências há uma infinidade de possibilidades, desde a área de medicamentos, até produtos para animais e plantas, equipamentos, softwares, cosméticos e nutracêuticos” cita.

Um dos focos é o desenvolvimento de medicamentos a preço acessível para a população. Fundada há 22 anos, a Prati-Donaduzzi é atualmente a maior fabricante de medicamentos genéricos do País, com uma produção de 11 bilhões de doses por ano. “Hoje os parques em funcionamento estão dentro das universidades. O que vamos fazer aqui é o caminho contrário. Vamos trazer a universidade para dentro da indústria”, diz Donaduzzi. “Esse projeto vai se consolidar ao longo dos anos e vamos poder trazer progresso para a região toda”.

O objetivo da Prati-Donaduzzi é continuar produzindo medicamentos, sendo uma empresa brasileira e familiar, mas profissionalizada, e que continue crescendo ao longo dos anos. O parque tecnológico vai ajudar no crescimento. O empresário explicou que a intenção é trazer pessoas de fora, que demandarão moradias, veículos, escolas, lazer. “Há todo um desenvolvimento ao redor do projeto do parque, porque a ideia é que seja um ambiente seguro e agradável de trabalhar”.

UNIOESTE - O secretário da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, João Carlos Gomes, ressaltou o protocolo de intenções assinado, na mesma solenidade, pelo reitor em exercício da Unioeste, Moacir Piffer, e o empresário Luiz Donaduzzi. Pelo protocolo, será doado terreno para ampliação do campus da Unioeste em Toledo para dentro do Biopark. “Isso permitirá atender novos cursos da área de tecnologia que, por certo, serão importantes para o desenvolvimento e formação de recursos humanos dessa área aqui na região de Toledo”, disse ele.

Segundo o secretário, o primeiro curso será de química farmacêutica medicinal, que já existe na Unioeste e será transferido para o campus do Biopark. Atualmente a Prati já possui uma parceria com a Unioeste em residência industrial farmacêutica.

O Biopark vai abrigar, ainda, um campus do curso de medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O projeto deve ficar pronto dentro de um ano e meio. Além disso, contará com a Unibio, universidade corporativa que vai oferecer cursos técnicos e de pós-gradução.

O parque também contará com dois hospitais – um da Unimed e outro da Hoesp (Associação Beneficente de Saúde do Oeste do Paraná). A Prati deve também construir no local uma fábrica de medicamentos oncológicos, no futuro.

Eder Mafissoni, CEO da Prati-Donaduzzi, lembrou que toda indústria farmacêutica depende de muita pesquisa e o desenvolvimento é caro e lento. “A ideia do parque é atrair talentos e mentes brilhantes para facilitar o acesso à tecnologia e ao conhecimentos. O grande desafio no Brasil é conseguir conexão entre as universidades que detêm o conhecimento e a iniciativa privada, dando oportunidade para que os projetos acadêmicos  se transformem em produtos para a população”, disse ele.

HISTÓRICO - A maior fabricante de medicamentos genéricos do Brasil nasceu de um pequeno laboratório em Toledo, Oeste do Paraná, em 1993. O projeto nasceu pouco depois de o casal de farmacêuticos Carmen e Luiz Donaduzzi montarem um pequeno laboratório, após cursarem mestrado e doutorado na França. Atualmente são 24 horas de fabricação ininterrupta, em três turnos, de medicamentos líquidos e sólidos. A empresa emprega 4,5 mil pessoas e tem apoio do programa de incentivos fiscais Paraná Competitivo.

PRESENÇAS – Participaram da solenidade a empresária Carmen Donaduzzi, o coordenador de capacitação tecnológica da Secretaria Nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, José Antônio Silvério; o presidente da Agência Paraná Desenvolvimento (APD), Adalberto Neto; o presidente do Tecpar, Júlio Felix; o secretário de Estado da Comunicação Social, Márcio Villela; o presidente da Itaipu, Jorge Samek, e os deputados José Carlos Schiavinatto (estadual) Dilceu Sperafico (federal).


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