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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Criança guiou o primeiro resgate no acidente aéreo da Chapecoense

ESPN


Uma criança guiou o resgate do primeiro sobrevivente encontrado na região onde caiu o avião que transportava a delegação da Chapecoense no município de La Unión, no departamento de Antioquia, segundo relataram testemunhas à Agência Efe.

O garoto, de aproximadamente 10 anos, ajudou no resgate do lateral Alan Ruschel, de um local conhecido como montanha El Gordo, onde ficou destruído o sonho do conjunto da Chapecoense de conquistar sua primeira Copa Sul-Americana.

"Quando estávamos estacionando as caminhonetes, chegou uma criança e nos disse que uns feridos estavam sendo retirados por outro lado", disse à Efe Sergio Marulanda, um dos moradores que colaboraram com o deslocamento dos seis sobreviventes da tragédia pelo terreno acidentado onde o avião caiu na noite de segunda.

Marulanda se transformou em um herói anônimo graças a um telefonema de seu irmão, um médico da região que lhe pediu trazer sua caminhonete 4x4 e as de outros quatro amigos para ajudar no resgate que começou duas horas após a colisão do Avro Regional RJ85, da companhia aérea boliviana Lamia.

"Um policial me disse: 'o senhor é o primeiro a chegar, coloque a criança na caminhonete e vá a resgatar os feridos'", lembrou o homem, natural de La Unión e torcedor do Atlético Nacional.

Em meio à cena "chocante", composta por um avião totalmente desintegrado e corpos espalhados, Marulanda recebeu em sua caminhonete o jogador Alan Ruschel, com equipes de resgates que lutavam para estabilizá-lo.

"Ele foi agasalhado, perguntou por sua família e seus amigos, disse que sentia muita dor no quadril, pois tinha uma fratura", disse ele, naquele que seria o primeiro milagre na montanha.

Ruschel, com alguma consciência, manteve curtos diálogos em espanhol com seus salvadores e depois foi levado para uma clínica na cidade de La Ceja.

Ao lado da principal estrada de La Unión foi instalado o Posto de Comando Unificado (PMU), que acumulou filas de automóveis, ambulâncias e jornalistas, pois foi ali onde se coordenaram todas as ações que permitiram o resgate de seis sobreviventes e 71 corpos.

A partir do Posto de Comando, partiam equipes de resgates em caminhonetes, motos e cavalos para o local da tragédia, situado aproximadamente cerca de 17 quilômetros e que exigia uma caminhada no último trecho de aproximadamente 30 minutos por um terreno acidentado que incluía uma ladeira, segundo explicaram os especialistas que atenderam a emergência.

Do lugar do acidente desciam paulatinamente heróis com nervos de aço e corpos afetados pelo frio, por conta de seus trajes úmidos e sujos de lama.

"Se esse avião cai um minuto depois, a tragédia teria sido maior", disseram os socorristas, garantindo que esses 60 segundos de diferença evitaram que a colisão acontecesse diretamente no município de La Ceja.

Um dos que integraram as equipes de resgate foi Teobaldo Garay, capitão do Corpo de Bombeiros do Peru, que estava visitando o país e fez parte do grupo que estabilizou o jogador Hélio Neto, último sobrevivente resgatado.

"Eu cuidava da cabeça e o pescoço, pois o paciente chegou com traumatismo craniano severo e com pouca consciência", disse Garay.

Na região, o diretor-geral da União Nacional para a Gestão do Risco de Desastres, Carlos Ivan Márquez, se encarregou de informar que a operação de resgate foi "uma das mais rápidas" já realizada na Colômbia, graças à logística aérea, terrestre, máquinas e humana.

Agora, as autoridades colombianas se concentram na investigação sobre as causas do acidente e na homenagem com velas, flores e camisetas brancas que o Atlético Nacional prepara para esta quarta-feira, no estádio Atanasio Girardot, na mesma hora onde deveria acontecer o confronto contra a Chapecoense pela final da Copa Sul-Americana.

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