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terça-feira, 4 de abril de 2017

OMS chama a atenção para "miséria humana" na Síria; 300 mil já morreram

Líderes mundiais reunidos em Bruxelas para debater a catástrofe humanitária no país árabe; agência lamenta falta de médicos, ambulâncias e hospitais, que poderiam ter evitado muitas mortes; 70% das escolas do país não funcionam.


Leda Letra, da ONU News em Nova Iorque.

Líderes mundiais estão reunidos em Bruxelas, na Bélgica, para debater a catástrofe humanitária na Síria. A conferência de dois dias começou esta terça-feira com a Organização Mundial da Saúde, OMS, chamando a atenção para as 300 mil pessoas que foram mortas no país desde o início do conflito, há seis anos.

A agência mencionou também 1,5 milhão de feridos, além dos 13 milhões de deslocados dentro do país e dos 5 milhões de sírios refugiados em outros países. Segundo a OMS, "a miséria humana por trás destes números é muitas vezes negligenciada".

Queda na produção

Com milhões de vidas destruídas por conta da guerra, o setor de saúde na Síria precisa de recursos com urgência. Faltam médicos, ambulâncias, equipamentos e medicamentos. Assim, várias pessoas feridas acabam morrendo pela falta de cuidados. A OMS destaca que a produção local de remédios caiu quase 70%.

A escassez de água potável e de saneamento básico facilita o risco de surtos de doenças e os índices de vacinação caíram pela metade. Para 640 mil pessoas em áreas cercadas, a situação é ainda mais crítica.

Escolas

A OMS continua fazendo o possível para ajudar os sírios e no ano passado, conseguiu vacinar 2 milhões de crianças contra a pólio, apoiar 6 milhões de consultas e entregar 10 milhões de medicamentos.

Outro problema são os mais de 330 ataques ocorridos a trabalhadores de saúde e a hospitais. Para continuar fornecendo assistência ao longo deste ano dentro da Síria, a OMS precisa de US$ 455 milhões, além de US$ 373 milhões para operações de saúde em prol dos sírios refugiados em nações vizinhas.

A Agência da ONU para Assistência a Refugiados Palestinos também participa do encontro em Bruxelas. Segundo a Unrwa, 70% das escolas na Síria deixaram de funcionar devido ao confronto.

Performance

Os centros de ensino foram destruídos, danificados ou ficaram totalmente inacessíveis pelos confrontos. Muitas escolas também passaram a abrigar famílias que abandonaram suas casas.

Ao mesmo tempo, os alunos que frequentam as escolas administradas pela agência da ONU na Síria tem desempenho melhor do que os estudantes de outros países da região.

O comissário-geral da Unrwa, Pierre Krähenbühl, declarou em Bruxelas que a informação é "inspiradora". As escolas da agência são frequentadas por meio milhão de refugiados palestinos na Síria, na Jordânia, no Líbano e nos territórios ocupados.

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