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quinta-feira, 8 de junho de 2017

Relator da ONU critica descaso à saúde mental no mundo e pede mudanças

Dainius Pûras disse que psiquiatras devem agir com coragem para reformar o sistema; ele afirmou que a saúde mental é "grosseiramente negligenciada pelos sistemas de saúde em todo o mundo".


Edgard Júnior, da ONU News em Nova Iorque.

O relator especial da ONU sobre Direito à Saúde, Danius Pûras, disse que o mundo precisa de uma "revolução" no sistema de cuidados de saúde mental.

Em relatório apresentado ao Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, esta quarta-feira, Pûras pediu aos Estados-membros e psiquiatras que ajam com coragem para reformar um sistema em crise construído sob medidas ultrapassadas.

Violência

Segundo ele, essa reforma é necessária para acabar com "décadas de negligência, abuso e violência".
O relator especial afirmou que "a saúde mental é grosseiramente negligenciada pelos sistemas de saúde no mundo inteiro".
Pûras quer que os países deixem de usar práticas e conhecimentos tradicionais e permitam uma mudança para uma abordagem baseada nos direitos das pessoas.
Ele deixou claro que o quadro atual é simplesmente inaceitável. Na sua opinião, "são necessários compromisso políticos ousados, medidas de resposta urgentes e ações imediatas".

Crise

Para o relator da ONU, as políticas e serviços de saúde mental estão em crise, não uma crise de "desequilíbrios químicos, mas de desequilíbrios de poder".
No pronunciamento no Conselho de Direitos Humanos, Pûras afirmou que muitos países continuam dependendo basicamente do uso de psicotrópicos.
Segundo ele, grupos médicos, apoiados pela indústria farmacêutica, mantêm o poder tendo como base dois conceitos ultrapassados: as pessoas que sofrem de problemas mentais são perigosas e as intervenções biomédicas são clinicamente necessárias em muitos casos.
O relator especial afirmou que essas medidas servem para perpetuar o estigma e a discriminação.

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