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terça-feira, 25 de julho de 2017

O que todos precisam saber: O poço é bem mais fundo

Tenho por prática buscar bons artigos, de bons autores. Busco sempre textos que sejam de utilidade para a sociedade...

São muitos os problemas sociais, principalmente nos dias de hoje... 

Que desgraça fazem as drogas contra nossos jovens!

Como são os fins de semana, em muitos casos, para muitos dos nossos jovens?

Nossas autoridades políticas não estão cuidando do Brasil nem dos jovens.

Hoje, pedi um artigo para ler. Pedi a quem? Não importa...

Há tempo, e faz tempo, leio a escritora Laura Medioli. E eu leio seus textos no Jornal “O Tempo”, de Belo Horizonte.  

Parece que a estou vendo quando começa seu artigo, escrevendo assim: “Como se não bastasse a desgraça do crack, mais cinco drogas da moda ameaçam nossos jovens: popper, champanhe rosa, GHB, NBOMe e K2.”


Gostaria que todos pudessem ler, com muita atenção, todo o texto do artigo de Laura Medioli, que publico abaixo:

O poço é bem mais fundo


Laura Medioli









Como se não bastasse a desgraça do crack, mais cinco drogas da moda ameaçam nossos jovens: popper, champanhe rosa, GHB, NBOMe e K2.

O sugestivo nome “popper” vem do barulho que a ampola contendo a substância fazia ao ser aberta. Isso em 1970. E agora, 50 anos depois, ela volta, com o mesmo nome, para ser consumida por uma juventude que não se cansa de buscar novas formas de obter um suposto prazer, que, no final, pode virar um pesadelo.

Segundo matéria que leio na “Veja”, o champanhe rosa produz efeito parecido com o do ecstasy, outra desgraça que circula nas baladas, mas é ainda mais perigoso por ser encontrado sob a forma de cristais, dificultando o controle da quantidade a ser consumida.

E tem também o K2, que até dois anos atrás só existia nos EUA. Sei disso porque há quase dois anos escrevi sobre ele nesta mesma coluna.

“Trata-se de uma maconha sintética que vem se disseminando entre jovens de grandes metrópoles americanas. Uma mistura de ervas e substâncias químicas que transforma seus usuários em ‘zumbis’, iguais aos frequentadores de nossas cracolândias. De preço acessível, é encontrado por US$ 1 ou US$ 2, enquanto a maconha naquele país custa US$ 5. Sem querer ser pessimista, acredito que logo, logo essa praga chegará ao Brasil, assim como ocorreu com o crack e outras drogas” (O TEMPO, 27.9.2015).

Pois é, chegou.

Segundo matéria da “Veja”, seu efeito é 85 vezes, isso mesmo, 85 vezes mais potente que o da planta. Dá para imaginar tamanho desvario?

Desconheço a origem do nome K2, mas, inevitavelmente, me transporto à famosa montanha do Himalaia de mesmo nome. Considerada a segunda maior do mundo, é também a mais perigosa – para cada quatro alpinistas que chegam ao seu topo, um morre. Mais ou menos como deve ocorrer com a nova droga, cujos dependentes, após êxtases e loucuras, despencam num precipício sem fim, sob os olhares perdidos de quem também embarcou nessa jornada.

Outro dia, escutei de minha cozinheira: “Laurinha, hoje, no ponto de ônibus, tinha uns seis meninos fumando crack e maconha. E, no meio deles, uma menina que devia ter uns 10 anos”.

Não é difícil imaginar o destino dessas crianças. Dificilmente chegarão aos 30 anos. A garota, com seu corpo de menina, provavelmente, em pouco tempo, carregará no ventre, ainda em formação, outra criança. Sem condições físicas e psicológicas, seu fardo será pesado. Mães e filhos do vício.

E vem aquela sensação de impotência perante uma força que desconhecemos. O poço das drogas é bem mais fundo do que imaginamos. Além das vítimas, faz desmoronar a família, o trabalho, a dignidade. “Democrática”, ela atinge todas as raças e classes sociais, muitas vezes num caminho sem volta.

O filho de uma amiga, jovem de classe média-alta, vem me contar das novas modas nas baladas. Assustado com a quase morte de um colega, repreende os companheiros que não se satisfazem apenas com bebida e entram de cabeça nas chamadas “drogas sintéticas”, muitas vezes adulteradas, trazendo riscos ainda maiores.

“O cara fica muito doido, não quer parar de dançar, fala sem parar e ainda mistura com álcool, potencializando os efeitos”, me explica com precisão o que vivencia em alguns fins de semana com a turma.

“Um conhecido meu estava tão maluco e agitado que, de repente, caiu no chão tendo convulsões. Ou levou gato por lebre, ou, então, misturou demais... As pessoas andam meio sem noção”. Continuo dando corda ao assunto. Pergunto se os pais desconfiam que seus filhos estejam consumindo alucinógenos. Ele me diz que a maioria, não. Acreditam que aquela ressaca, no dia seguinte, tenha sido consequência da mistura de bebidas.

Alertar os filhos sobre as drogas é importante. Aproveitar a deixa de uma matéria, um filme ou um noticiário na TV talvez seja o momento ideal para introduzir o assunto, demonstrando com exemplos e fatos concretos os riscos e os prejuízos que elas podem acarretar. Não em tom de repressão, mas numa linguagem simples, direta, de quem também já foi jovem um dia e sabe das curiosidades e das tentações. Afinal, qual jovem nunca tomou um porre ou experimentou um baseado? Poucos, garanto. Por isso, a atenção e a participação dos pais, principalmente com os adolescentes, devem ser uma constante. E, antes de xingar ou reprimir seus filhos, deveriam conversar, com calma e naturalidade, porque um bom diálogo pode valer bem mais que uma bronca homérica. Alertá-los de que a subida para o mundo das drogas não é longa, mas o precipício que se segue a ela, além de profundo, pode ser fatal.

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