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terça-feira, 8 de agosto de 2017

“A bola rola e é gol da fome”: Salário de Neymar é um desrespeito com a humanidade

Uma Reflexão

O mundo passa fome: crianças - muitas, milhares, milhões - sem o pão!... O desemprego ronda o planeta... Aliás, cerca o mundo da terra nossa!... São desigualdades sociais!

Nascemos todos iguais, mas somos desiguais!... Diferentes!... Nunca houve tantas desigualdades sociais no mundo quanto hoje, principalmente aqui no Brasil...

Tanta fome! Tanta fome!... Ah! Meu Deus!

Abro as páginas da ONU e vejo o mapa da fome...

Nas páginas do Vaticano vejo o incansável Papa Francisco pedindo paz, amor, solidariedade, fraternidade e fim das desigualdades sociais.

Olho para o Brasil e deparo um quadro de destruição da Pátria, dos nossos princípios, destruindo o futuro da grande Nação!

Meus neurônios choram!... Há uma desesperança neste País...

Pedimos oração: “Senhor Deus!... Amado Pai Criador!...  Amada mãe terra... Amada mãe  água!... Sagradas forças do Universo... Oh Deus!... Dai a todos nós um mundo melhor, sem as violências das guerras, um mundo mais justo..., de paz, harmonia e amor!”

Parado!... Ainda com a energia da oração!... Sentado à sombra do cajueiro daqui do quintal de casa, com um vento suave da manhã que vem de não sei de onde, reflito sobre o mundo de hoje...

Abro o blog do meu amigo João Batista Azevedo, poeta e escritor, filho de São João Batista, e leio o artigo de outro poeta, meu querido amigo, também escritor e poeta Cunha Santos, com o título: "Salário de Neymar é um desrespeito com a humanidade..."

Leio mais uma vez o artigo abaixo:

Salário de Neymar é um desrespeito com a humanidade

Por Cunha Santos

(Do blog de João Batista Azevedo)



“A bola rola e é gol da fome”, disse uma vez o poeta tangido pela pobreza circundante em seu país quando, em pleno vigor da ditadura militar o “escrete canarinho” era usado para mascarar de democracia um regime de exceção e doirar situações extremas de penúria, torturas, mortes e autoritarismo.

A “pátria de chuteiras” orgulha-se agora de donatária do craque mais caro do mundo. O passe de Neymar custou mais de R$ 800 milhões e seu salário alcançará a estratosférica quantia de R$ 115 milhões por ano. Isso dá um salário mensal de cerca de 9,5 milhões de reais. E sendo mais específico ainda, ele ganhará o equivalente a R$ 319 mil reais por dia. 
Ou ainda cerca de 13.200 reais por hora. O craque receberá, por um contrato de 5 anos, algo além de meio bilhão de reais. Toda essa enormidade de dinheiro para chutar na direção certa uma bola de futebol.

Nesse mundo de guerras fratricidas provocadas pela miséria, de fome e desemprego, de crianças sem escola, sem saúde e sem alimento, de refugiados se afogando em marés de inanição, não me parece que esse deva ser um motivo de orgulho para o Brasil. Nem para o Brasil, nem para o Paris Sain’t Germant, nem para a Espanha, nem para país nenhum.


É um desrespeito, uma humilhação para com uma humanidade cuja maior parte navega um mar de desgraças e muito sofrimento. No Brasil em que a pusilanimidade política faz com que uma Reforma Trabalhista corroa direitos seculares dos trabalhadores e uma Reforma Previdenciária pretende transformar aposentados e pensionistas em velhos esmolengos disputando moedas, esse monumento ao capitalismo selvagem e à alienação soa como crime nas panelas e pratos vazios do subemprego e da desnutrição.

Observo que quase 1 bilhão de pessoas ainda sofrem com a fome em todo mundo, vivendo com menos de 1,25 dólares por dia e que o Brasil está entre os 21 países mais miseráveis do planeta. Conferir um salário equiparável a um prêmio da Mega Sena acumulada, todos os anos, a um único ser humano é primeiro reconhecer o fracasso prático e teórico de todas as boas intenções, todas as políticas de elevação moral e espiritual do homem.

Esse espetáculo, o futebol, que altera níveis de adrenalina ao redor do mundo e reúne multidões incalculáveis em suas arenas romanas, certamente merece seus heróis. Mas sinceramente a fila de aleijados e desassistidos nas portas dos hospitais da América do Sul, os esqueletos ambulantes da África Oriental, a adolescência e a infância tangidas ao crime pela fome e desorientação também são espetáculos, se não dignos de euforia e supremação, pelo menos de assistir e observar.

“Neymar não tem nenhuma culpa disso”, dirão muitos ou todos. Sim, ele não tem culpa. Ninguém tem. São esses apenas testemunhos infalíveis de que, diante de Deus, ou da ideia de Deus, a humanidade fracassou.

Mas é gol. O mundo grita gol, o Brasil grita gol, ninguém está obrigado a refletir sobre nada disso. Vamos comemorar.

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