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terça-feira, 8 de agosto de 2017

A VOZ DA GLOBO


Sebastião Nery

RIO – Em 1946 quando o mundo saia do horror da Segunda Guerra o pensador Alceu Amoroso Lima (Tristão de Athayde) sacudiu a universidade e os intelectuais brasileiros com um livro fundamental sobre o Brasil: “A Voz de Minas”.

Dias atrás o jornal “Estado de Minas” também convocou o país em uma proclamação nacional: “A Voz da Globo”, do consagrado advogado, jurista e escritor Sacha Calmon, Doutor em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais:

– “Qual a razão do protagonismo político da organizações Globo? Os Marinhos atuais não se igualam ao pai, mais prudente. Por onde vou – a parcialidade é tão visível – perguntam-me, sem que eu possa saber, o porquê de o grupo querer derrubar Temer. Respondo não conceber a causa, mas suponho que tiveram interesses contrariados, ou estão a serviço de um grupo político que não sei qual é, ou é por idiossincrasia (não é o PT, se é que há o tal grupo político).

Nenhum veículo jornalístico, escrito, falado ou visual chegou a tamanhos arroubos políticos contra a Presidência, esquecido de que o negócio televisivo depende de concessão do governo federal. A campanha é de alto risco. E já começam a circular boatos. Sempre boatos. Precedem os fatos ou deles se desprendem, justamente porque saem de inquéritos em andamento ou das inconfidências propositais ou não (vazamentos). A boataria se espalha como erva daninha.

Dizem uns que certos planejamentos tributários das Organizações Globo, para acomodar seus negócios no exterior, escamoteando receitas, lograram ficar em segredo, mas vieram à tona no governo Temer (não que o presidente determinasse), tanto que se indagou aos Marinhos a razão de tanto ataques ao governo, sem obter resposta, ao que pude apurar. De fato, o governo do presidente Temer surpreendeu-se com a virulência dos ataques, em todos os programas televisivos e pela imprensa escrita (O Globo). Corre por aí, entretanto, que foi a própria Receita Federal que fez a “delação” do passivo tributário do grupo, que não parece estar tão bem como aparenta. Mandou embora muita gente e se endividou com as novas instalações do grupo, que teriam custado uma fortuna.

O que se sabe com certeza é que a dita organização se deu muito bem com a ditadura militar, isso pode-se assentar sem medo de errar, como não se pode negar o ideário liberal que sempre adotou. E, por isso, deriva a estranheza de tantos com a atual linha editorial, diuturna e planejada. Se o Temer arrotar num jantar, dá manchete no jornal da noite e, certamente, no jornal escrito.

O que me estarrece mesmo é essa politicalha no maior veículo da imprensa nacional, neste momento tão grave por que passa o país. Depois de Lula e Dilma emitiram bilhões e bilhões de títulos em reais para capitalizar o BNDES, que, à sua vez, capitalizou os “campeões nacionais” do PT, como os irmãos canalhas Joesley e Wesley, do JBS, e Eike, o país travou. De superávits primários crescentes, desde que FHC saneou as finanças com o plano real, passamos a ter déficits primários crescentes, e exponenciais crescimentos anuais da dívida pública, que pode chegar (carry over) a 90% do PIB.

Então o que explica as Organizações Globo olhar com antipatia para fazer política pirrônica a um governo que limitou por emenda constitucional o teto de gasto público, segurou as burras do Tesouro, encaminhou as reformas trabalhista, previdenciária e logo a tributária e fez que a economia retomasse seu curso ascendente?”

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