Fonte: Agência Senado
Um grupo de senadores se reuniu nesta terça-feira (5) com o
presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro José Dias Toffoli, na
sede do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), para entregar uma carta de apoio à
manutenção da prisão de condenados em segunda instância. O documento tem as
assinaturas de 43 dos 81 senadores.
O STF volta a analisar nesta quinta-feira (7) as Ações
Declaratórias de Constitucionalidade (ADC) 43, 44 e 54, nas quais se discute a
possibilidade de início do cumprimento da pena antes de serem esgotadas todas
as possibilidades de recurso (trânsito em julgado). Até o momento, quatro
ministros consideram que a possibilidade é constitucional e outros três
entendem que a medida ofende o princípio constitucional da presunção de inocência.
O grupo reforçou que, juntos, os senadores que apoiam a
manutenção da prisão representam cerca de 70 milhões de votos, de 33 diferentes
estados e do Distrito Federal.
— O ministro Toffoli foi respeitoso ao receber uma carta
assinada pela maioria absoluta da Casa, representando milhões de eleitores que
querem encerrar a página histórica da impunidade. O Brasil precisa avançar e o
combate à corrupção precisa ser mantido. É importante que o STF, como guardião
da Constituição, compreenda essa relevância e faça o seu trabalho no julgamento
de quinta-feira — afirmou o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE).
O ministro teria explicado aos senadores que, como não há
cláusula pétrea no tema, cada ministro está livre para fazer o seu
entendimento.
— Tanto pode o Supremo manter como não manter [a prisão em
segunda instância]. Eles não estão vinculados a nenhum princípio jurídico. Vai
depender da consciência e do entendimento de cada ministro — explicou o
senador Lasier Martins (Podemos-RS), que também estava presente no
encontro. Para ele, o fim da prisão em segunda instância vai transformar o
Brasil em um “paraíso da delinquência”.
Mais cedo, os parlamentares se reuniram com o
procurador-geral da República, Augusto Aras.
— Manifestamos nosso apoio à manutenção da prisão em
segunda instância e para que haja andamento de investigação contra qualquer
pessoa envolvida na Lava Jato. Doa a quem doer. Chega de impunidade — afirmou o
senador Major Olimpio (PSL-SP), pelo Twitter.
Também pelo Twitter, o senador Marcos do Val (Podemos-ES)
observou que, caso o STF derrube a prisão em segunda instância, caberá ao
Congresso aprovar projeto tratando do caso.
— Resumo da reunião: o sentimento que tivemos é de que o
STF irá votar pelo aguardo do trânsito em julgado, derrubando, assim, a prisão
em segunda instância. Portanto, caberá ao Congresso a alteração no Código Penal
ou na própria Constituição Federal.
No Senado, está em análise na Comissão de Constituição e
Justiça (CCJ) a PEC 5/2019, do senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR). A
proposta tem a senadora Juíza Selma (Podemos-MT) como relatora. Já na Câmara
dos Deputados tramita a PEC 410/2018, do deputado Alex Manente
(Cidadania-SP), que trata do mesmo tema.

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