Fonte: Agência Senado
O presidente Jair Bolsonaro entregou nesta terça-feira (5)
ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, parte de um pacote de propostas
elaboradas pela equipe econômica do governo para reformar o Estado brasileiro.
São três propostas de emenda à Constituição (PECs): a emergencial, que pretende
reduzir gastos obrigatórios, a do pacto federativo, que muda a distribuição de
recursos entre União, estados e municípios, e a que revisa fundos públicos.
Davi e senadores reúnem-se hoje com o ministro da Economia,
Paulo Guedes, às 8h30, na residência oficial do Senado, para tratar dos
textos. Uma coletiva de imprensa está prevista para acontecer no pátio
interno da residência, após a reunião.
O conjunto de medidas (Plano Mais Brasil), que serão
detalhadas pela equipe econômica, é a prioridade do governo após a aprovação da
reforma da Previdência (PEC 6/2019). Um dos objetivos é pôr em prática o
princípio do “mais Brasil, menos Brasília”. Ou seja: descentralizar o dinheiro
que fica com a União, aumentando a autonomia de estados e municípios, uma das
bandeiras de campanha de Bolsonaro durantes as eleições. O presidente apontou
que as propostas deverão ser aperfeiçoadas por deputados e senadores e disse
esperar que a votação das medidas se encerre até “meados do ano que vem”.
— Sempre ouvi nesta Casa que gostaríamos de continuar
recebendo visitas de prefeitos e governadores a título de visita apenas, mas
não para nos pedir algo orçamentário. Isso estando garantindo nesta emenda,
eles decidirão o que fazer melhor porque eles vivem isso no dia a dia — disse o
presidente.
A iniciativa de Jair Bolsonaro de levar pessoalmente as
propostas ao Senado foi classificada por Davi Alcolumbre como um reconhecimento
ao trabalho do Parlamento na aprovação da reforma da Previdência.
— Sua presença aqui hoje, da sua equipe, é a presença do
respeito à política. É um gesto de aproximação com a política e com os
políticos — disse o presidente do Senado.
Ao receber as propostas, Davi Alcolumbre disse que “este
Parlamento foi eleito para fazer as coisas acontecerem”. Afirmou que o atual
Congresso será “o mais reformista” da história e enfatizou que propostas do
governo conciliam-se com o que a Casa pensa.
— A gente não precisa concordar com tudo, mas precisa
buscar conciliação, porque o Brasil espera da gente essa conciliação — disse.
Davi destacou que os textos foram construídos “por várias
mãos” e afirmou que pretende reunir os senadores e avaliar com líderes
partidários qual tramitação dará a essas matérias.
Transformação
O ministro Paulo Guedes e o ministro da Casa Civil, Onyx
Lorenzoni, acompanharam o presidente Jair Bolsonaro na entrega das propostas
nesta terça. Elas serão analisadas inicialmente pelo Senado e, se aprovadas,
seguirão para a Câmara. As três propostas são assinadas pelo líder do governo
no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO), e pelo líder do governo no
Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE). Segundo Paulo Guedes, o governo está
propondo uma transformação do Estado brasileiro em várias dimensões.
— Tem a consolidação de uma cultura fiscal, uma cultura de
austeridade de sustentabilidade fiscal. Na verdade, nós vamos garantir finanças
sólidas para a República brasileira e ao mesmo tempos estamos descentralizando
recursos para estados e municípios — disse o ministro da Economia.
Paulo Guedes estima que as mudanças no pacto federativo
aumentarão a transferências de recursos a estados e municípios em cerca de R$
400 bilhões a R$ 500 bilhões.
— O dinheiro tem que estar na ponta, tem que estar onde o
povo está. Tem que estar na base e é isso que o presidente está fazendo —
assinalou.
Onyx Lorenzoni reforçou que a tese construída na eleição,
de "Mais Brasil, menos Brasília", começa agora a ganhar corpo.
— Um novo tempo virá para estados e municípios — disse.
Propostas
A PEC Plano Mais Brasil traz mudanças na divisão de
recursos de União, estados e municípios, o chamado pacto federativo. O texto
prevê, entre outros pontos, a descentralização de recursos do pré-sal, a
criação de um Conselho Fiscal da República que se reunirá a cada três meses
para avaliar situação financeira dos estados e medidas de desvinculação,
desindexação e desobrigação do Orçamento.
A PEC propõe, por exemplo, mudanças na regra que hoje
destina percentuais fixos da receita com gastos em saúde e educação, permitindo
que gestores públicos tenham mais flexibilidade para escolher o que é
prioridade.
Já a PEC emergencial institui gatilhos para conter gastos
públicos em caso de crise financeira na União, estados e municípios. A proposta
traz uma espécie de regra de ouro para os estados, instrumento que proíbe o
endividamento público para pagar as despesas correntes, como os salários do
funcionalismo público, benefícios de aposentadoria, contas de energia e outros
custeios. Entre as medidas, está a possibilidade de redução de jornadas e
salários de servidores públicos.
O governo aponta que a PEC emergencial é fundamental para
reduzir despesas obrigatórias e abrir espaço já no Orçamento de 2020 para
realizar os investimentos que resultem em maior benefício para a população.
A terceira PEC vai propor ampla revisão dos fundos
constitucionais e infraconstitucionais para liberar mais de R$ 200 bilhões hoje
travados nesses fundos para abater a dívida pública.
Enquanto senadores discutem essas propostas, deputados
deverão se debruçar sobre outras medidas, como a PEC da reforma administrativa,
que muda as regras do serviço público. O texto deve ser encaminhado à Câmara
nos próximos dias.
Repercussão
Líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho,
afirmou as propostas são fruto de intenso diálogo entre governo e Congresso
para elevar o controle dos gastos públicos, equilibrar a distribuição de
recursos entre União, estados e municípios e acelerar a retomada do crescimento
econômico e a geração de emprego.
— Temos certeza que o Senado dará a sua contribuição para o
Brasil avançar com a agenda de reformas.
O senador Eduardo Gomes considera que o conjunto de medidas
vai transformar o país.
— Esse pacote traz uma série de medidas que podem, de
maneira efetiva, transformar em realidade aquilo que já é um discurso muito
usado pela classe política de repactuação dos recursos federais a uma nova
ordem federativa — avaliou.
Para o senador Rogério Carvalho (PT-SE), as medidas
representam “mais um pacote de maldades do governo contra a população”.
— São medidas que na sua maioria, com raras exceções,
propõem conter o gasto público e mais uma vez de forma regressiva, ou seja,
buscando retirar de quem tem menos para pagar juros — criticou.
A senadora Soraya Tronicke (PSL-MS) afirmou que o novo
pacto federativo vai dar mais autonomia os estados e os municípios.
— Isso é um marco na história do Brasil porque nunca
ninguém deu tanto poder para os estados e os municípios. O presidente Bolsonaro
está de parabéns por estar abrindo mão disso tudo — avaliou.
Para a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), as reformas
são importantes, mas o Senado precisa estudar as propostas.
— As reformas devem acontecer, precisam acontecer, mas nós
precisamos estar atentos na vida do brasileiro, na vida do estado brasileiro. A
gente não pode repetir a história do Chile. Nós vamos analisar cada ponto desse
pacote, vamos trabalhar exatamente nessa frente: a defesa dos brasileiros, de
trabalhadores brasileiros e também a defesa do nosso Estado — disse.

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