Jorge Hessen
A britânica
Liv Pontin conta que vinha pensando sobre o suicídio havia algum tempo, após
perder o emprego e enfrentar problemas de saúde mental, que a levaram a ser
internada em um hospital. Por isso, decidiu que seu último dia de vida seria 24
de março de 2017.
Neste dia
resolveu ir à estação de trem de sua cidade. Enquanto aguardava apreensiva na
plataforma a passagem do trem. Em seguida surgiam as luzes do pesado veículo
que fazia a rota entre Brighton, na costa sul da Inglaterra, e Bedford ao norte
de Londres. O “maquinista” era Ashley John que estava conduzindo o comboio e
notou que havia algo errado, de repente, apareceu, do “nada”, um rosto de
mulher e Ashley decidiu buzinar rapidamente.
Pontin se
preparava para o salto nos trilhos. Estava parada ali na plataforma, esperando
e olhando, como se estivesse paralisada, mas ao ouvir o estridente apito do
trem, mudou de ideia. Liv recorda que foi uma questão de segundos. Aquilo a fez
não dar o último passo da plataforma para o trilho. Ashley parou na estação e
avisou a todos os passageiros que o trem aguardaria alguns minutos ali. Em
passos acelerados Ashley foi atrás de Liv Pontin, a chamou e começaram a
conversar.
Liv disse
que a conversa que manteve com Ashley salvou sua vida. Se recorda que Ashley
estava muito calmo e demostrava genuinamente estar preocupado com ela.
Ressaltou que isso fez uma enorme diferença porque estava em profunda crise.
Disse que naquela noite, Ashley salvou sua vida, pois quando alguém interage
com você em meio a uma crise, você volta para o momento presente. Uma das
coisas mais estranhas sobre o que aconteceu foi o fato de uma pessoa
desconhecida ter-me visto no pior momento de minha vida e mudar os rumos do meu
destino. Confessa Liv Pontin.
Nesta
ocorrência supomos aceitável interferência espiritual (através de Ashley) em
defesa da vida de Liv Pontin. Por isso, tal episódio remeteu-me ao livro
“Chico, de Francisco”, de autoria de Adelino da Silveira , que narra sobre
certa senhora que procurou o Chico Xavier com uma criança nos braços e lhe
disse:
- Chico, meu
filho nasceu surdo, mudo, cego e sem os dois braços. Agora está com uma doença
nas pernas e os médicos querem amputar as duas para salvar a vida dele. Há uma
resposta para mim no Espiritismo?
Foi com a
intervenção de Emmanuel que a resposta veio:
- Chico,
explique à nossa irmã que este nosso irmão em seus braços se suicidou nas dez
últimas encarnações, e pediu, antes de nascer, que lhe fossem retiradas todas
as possibilidades de se matar novamente. Mas, agora que está aproximadamente
com cinco anos, procura um rio, um precipício para se atirar. Avise nossa irmã
que os médicos amigos estão com a razão. As duas pernas dele vão ser amputadas,
em seu próprio benefício, para que ele fique mais algum tempo na Terra, a fim
de que diminua a ideia do suicídio.
De todos os
desvios da vida humana o suicídio é, talvez, o maior deles pela sua
característica de falso heroísmo, de negação absoluta da lei do amor e de
suprema rebeldia à vontade de Deus, cuja justiça nunca se fez sentir, junto dos
homens, sem a luz da misericórdia.
O suicídio é
um ato exclusivamente humano [os seres irracionais não cometem suicídio] e está
presente em todas as culturas. Suas causas são numerosas e complexas. Alguns
veem o suicídio como um assunto legítimo de escolha pessoal e um “direito”
humano (de maneira absurda conhecido como o "direito de morrer"), e
alegam que ninguém deveria ser obrigado a sofrer contra a sua vontade,
sobretudo de condições como doenças incuráveis, doenças mentais e idade
avançada que não têm nenhuma possibilidade de melhoria.
Na verdade,
cada suicídio é uma tragédia que afeta famílias, comunidades e países inteiros.
Em muitos países, o tema é um tabu — o que impede pessoas que tentaram se
suicidar de procurar ajuda. Até hoje, apenas alguns países incluíram a
prevenção do suicídio em suas prioridades de saúde e apenas 28 nações relataram
ter uma estratégia nacional de prevenção, segundo dados da Organização Mundial
de Saúde.
As
estatísticas registram que a cada 40 segundos pelo menos uma pessoa morre por
suicídio no mundo, totalizando quase 800 mil mortes por ano, segundo a
Organização Mundial da Saúde. Especialistas apontam que, em grande parte dos
casos, há um histórico de transtornos mentais, diagnosticados ou não:
depressão, ansiedade, esquizofrenia, bipolaridade, borderline (de comportamento
impulsivo e compulsivo), entre outros. Mas, não é possível reduzir o suicídio a
uma única causa, mas a depressão causa uma disfunção dos neurotransmissores do
cérebro. É parte de um conjunto de fatores psicológicos, culturais, físicos e
bioquímicos além da depressão, há o desespero, desamparo de grupo social,
desesperança, desemprego, divórcio e dependência química.
Do pondo de
vista Espírita, uma situação grave que merece ser analisada é a obsessão que
pode ser definida como um constrangimento que um indivíduo, suicida em
potencial ou não, sente, pela presença perturbadora de um obsessor (encarnado
ou desencarnado). Há suicídios que se afiguram como verdadeiros assassinatos,
cometidos por perseguidores desencarnados (e encarnados também). Esses seres
envolvem de tal forma a vítima que a induzem a matar-se. Obviamente que o
suicida nesse caso não estará isento de responsabilidade. Até porque um
obsessor não obriga ninguém ao suicídio. Ele sugere telepaticamente ao ato,
porém a decisão será sempre do suicida.
Na
literatura espírita encontramos livros que refletem o assunto. Temos como
exemplo: "O Martírio dos Suicidas", de Almerindo Martins de Castro, e
"Memórias de um Suicida", ditado pelo Espírito Camilo e psicografado
por Yvonne A. Pereira.
Toda
experiência física, por penosa que seja, é uma benção concedida por Deus para
nosso crescimento, a benefício de nossa reparação dos enganos do passado,
aprendizado e evolução a que somos destinados. E por isto não devemos
desperdiçar a chance que nos foi outorgada mais uma vez, porém aproveitá-la,
valendo-nos dos preceitos que Jesus nos deixou para que aprendêssemos a nos
amar, respeitando nossas vidas, nossos limites e oportunidades, para então
podermos amar a nosso próximo como a nós mesmos.
Em O
Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V, item 14 instrui que a calma e a
resignação adquiridas na maneira de encarar a vida terrena, e a fé no futuro,
dão ao Espírito uma serenidade que é o melhor preservativo da loucura e do
suicídio. E na questão 920, de O Livro dos Espíritos, lemos que a vida na Terra
nos foi dada como prova e expiação, e depende de nós mesmos lutarmos, com todas
as forças, para sermos felizes o quanto pudermos, amenizando as nossas dores.
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