quarta-feira, 15 de julho de 2026

DIA DO HOMEM / HOMENS & GAMETAS - Por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta


DIA DO HOMEM /

HOMENS & GAMETAS

Por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta

O que poderia ser o dia a dia se não houvesse esta dor de barriga, esta cólica ácida, gastrite que apodrece o sol, o vento?

Livros, um monte de letras, um monte de pensamentos de pessoas que tinham o dia a dia para construí-los e as noites para trocar pelos dias...

O que não seria destas coisas monótonas se não houvesse a certeza da repetição? Não seria diferente. Dia a dia e noite a noite confundem-se. Há uma pequena diferença: um é branco e outro é preto (às vezes).

Minhas unhas crescem à noite ou ao dia? Sei lá! A poda dá-se a qualquer hora (embora meus dentes sejam postiços de tanto roê-las).

Dia? O que é isso? Algo que convencionaram chamar de dia. Poderia ser aid, como noite poderia ser etion. Quantas nuvens já passaram pela janelinha que me mostra o dia. Cirros, cúmulos e nimbos – seiscentos e tantos. Será? Não! Só há uma nuvem: aquela que se esparrama pelo céu formando mil e tantas figurinhas e figuronas.

Parecem anjos, parecem demônios... A noite também mostra, mas não vejo porque estou preocupado com o dia a dia. Tenho que preparar o amanhã, para poder viver hoje... Contar carneirinhos, escrever poesias, assinar o ponto, ler qualquer coisa que saiu da cabeça de alguém como eu.

Tem-se a ilusão de que se está vivendo. Ilusão, apenas ilusão, como se tem a ilusão de que a sombra serve para alguma coisa. Para que serve minha sombra? Boa pergunta! Para nada... Nem dia a dia nem noite a noite. Anote isso!!!

Não! Não anote! Seu dia a dia iria ficar como o meu: cheio de anotações e a noite a noite você transformaria em dia só em pensar loucuras: por que há dias? Por que há noites? Sei lá. Pergunte a Deus... Não! Não pergunte. Ele está ocupado com o nosso dia a dia, com a nossa noite a noite. O caderno dele está cheio de anotações claras e escuras desde o primeiro dia e a primeira noite.

Uma coisa é certa: há pecados tantos num, quanto no outro e, desde que existem dia a dia e noite a noite, há alguém malinando, numa irônica existência chamada solidão cotidiana...

(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 15.07.2026. SÃO LUÍS-MA).


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