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terça-feira, 19 de maio de 2015

Mais de 30 mil trabalhadores nas ruas por seus direitos

No Paraná, servidores públicos lutam pela garantia do pagamento da data-base.

Escrito por: CUT Paraná




Mais de 30 mil trabalhadores e trabalhadoras foram às ruas de Curitiba nesta terça-feira (19). Na memória o cheiro de gás lacrimogênio. As bandeiras do Estado manchadas com tinta vermelha denunciam que o massacre do último dia 29 de abril não foi esquecido. Os cartazes indicam que os servidores públicos não aceitam, de forma alguma, o reajuste de 5% em duas parcelas imposto pelo governador Beto Richa (PSDB) ao encerrar a breve negociação com a categoria. O percentual é inferior ao índice da inflação de 8,17%.
Mas apesar de todos os sentimentos esta é apenas a segunda etapa de uma mobilização que já dura meses. Ainda em fevereiro a categoria, liderada pelos professores e funcionários de escolas, iniciaram uma greve contra o confisco de suas aposentadorias. O projeto de lei arrastou-se durante meses entre idas e vindas ao poder legislativo, culminando com o massacre do dia 29. Agora a luta é para não perder o poder de compra e não ver o salário ser defasado pela inflação.

“Nós insistimos: não devemos nada para o estado do Paraná. É esse estado que deve para todos nós. Deve promoções, progressões, concursos públicos, formação continuada, uma educação de jovens e adultos adequadas, escolas que ofereçam segurança para o nosso trabalho. Temos um governo que deve, e deve muito, aos servidores públicos. Por isso estamos aqui em grande número na praça pública”, declarou à multidão nas ruas o presidente da APP-Sindicato, Hermes Leão.

A intransigência do Governo do Estado é apontada como um dos principais fatores que levam à continuidade da paralisação. “A nossa greve feita por professores e funcionários, sob a liderança decisiva da APP-Sindicato, é legítima e temos dialogado a pauta com toda a sociedade. Não aceitamos que o Governo, na última quinta-feira, fizesse um documento público encerrando as negociações com os servidores. Com todos os servidores! Desrespeitando as entidades, atacando o direito previsto na constituição brasileira”, enfatiza o Leão.

Enquanto isso, ao lado de barraquinhas de vendedores ambulantes que ofertavam faixas, apitos e bandeiras de luto pela educação, uma outra tenda arrecadava assinaturas pedindo uma CPI da Corrupção na Assembleia Legislativa do Paraná. A expectativa, segundo o responsável pela coleta, era reunir somente nesta terça-feira mais de oito mil assinaturas. Na mira da oposição estão as denuncias de desvios na receita estadual que atingem diretamente a campanha de reeleição do governador Beto Richa (PSDB).


 professora Veraci Minozzo
“Enquanto os políticos enchem os bolsos deles, esvaziam os nossos”, reclama a professora Veraci Minozzo, de 56 anos. Ela leciona química e física no Colégio Estadual Arnaldo Busato, em Coronel Vivida, cidade com pouco mais de 26 mil habitantes na região sudoeste do Estado. Ela saiu em um ônibus à meia-noite para chegar em Curitiba às 6h30 para participar da marcha. “Vivemos um momento muito conturbado, onde nossos direitos adquiridos com luta por muitos anos estão sob ameaça. Todos os nossos direitos foram conquistados com muito sangue, suor e sacrifício. Não é digno nós vivermos o momento que estamos vivendo”, lamenta.

Contudo, nem a canseira da viagem na madrugada, tampouco o longo tempo de resistência na greve desanimam a professora. “Enquanto não houver negociação e não sairmos ilesos de tudo isso continuaremos com a greve, nem que ela dure seis meses”, garante a professora enquanto ao fundo gritos de “Fora Beto Richa” ecoavam pelas ruas da capital paranaense.

Enquanto isso, poucos metros adiante, o professor de educação física Marcos Antônio Ferreira da Silva, 49 anos, mostrava-se contrariado com toda a situação. “Fico entristecido pois estão maltratando justamente as pessoas que tratam dos filhos da nossa terra. Quem educa nossos filhos? São os professores que estão lá para ensinar, então tudo isso é um desrespeito com o nosso próprio povo”, projetava.

Ele lamenta a ausência das aulas e a continuidade da greve, inclusive, ressaltando a saudade dos alunos e da convivência na comunidade escolar. Mas não vê outro caminho a ser seguido. “Infelizmente sim, sou a favor da continuidade da greve. Trabalho com o coração e sinto falta dos meus alunos. É humilhante para mim ter que passar por este tipo de coisa”, relata.

Contudo, ele também tira força de quem motiva seus sentimentos de saudades. “Os pais e alunos estão dando o maior apoio. Mas também vejo a tristeza na carinha dos alunos. É uma situação (provocada por um adulto) que está comprometendo o aprendizado deles”, pondera Silva que leciona Colégio Inês Vicente Borocz, em Curitiba.

Recuo – Na tarde de segunda-feira (18) o Governo do Estado suspendeu o envio do projeto de lei que propõe o reajuste de 5% em duas parcelas para os servidores públicos. O recuo pode ser visto como uma vitória da categoria, uma vez que o governador Beto Richa já havia declarado publicamente as negociações como encerradas.

Contudo, a categoria não abaixa aguarda e permanece vigilante e na luta até que as negociações sejam retomadas para atender as reivindicações, como o reajuste de 8,17% em parcela única e em junho.
O posicionamento é bastante lógico, sobretudo tendo em vista os recentes acontecimentos na desgastada relação da categoria com o Governo do Estado. Fato que pode facilmente ser traduzido pela nota dada pela professora Veraci ao governador Beto Richa. “Eu dou nota 1,5. Ele não aprendeu a lição”, finalizou.

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