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terça-feira, 23 de junho de 2015

Curitiba registra queda de 34% na letalidade da leptospirose com análise de áreas de risco


Curitiba conseguiu reduzir em 34,3% a letalidade (percentual de casos que acabam em óbito) da leptospirose desde 2012, baixando o índice de 12,8% para 8,4% no ano passado. Em 2008, essa marca chegou a 17,6%, com 91 casos confirmados e 16 óbitos. De lá para cá, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da Secretaria Municipal da Saúde começou o mapeamento das áreas de risco para a transmissão da doença e, no ano passado, pela primeira vez este índice ficou abaixo de 10% -- considerada a taxa esperada pelo Ministério da Saúde para o Brasil. Entretanto, com o mapeamento das áreas de risco, é possível reduzir ainda mais esta marca. A leptospirose é transmitida por uma bactéria presente na urina de rato – a leptospira – e que apresenta maior incidência durante o período de chuvas.

Em 2014, foram 95 casos confirmados e oito mortes decorrentes da leptospirose. Atualmente, Curitiba tem 114 áreas de risco para transmissão da doença que são monitoradas constantemente pelos profissionais do CCZ. Segundo o biólogo Diogo Ferraz, do CCZ, essas áreas estão distribuídas em todos os nove distritos sanitários de Curitiba e o trabalho de monitoramento dura o ano todo, seguindo um calendário pré-definido.
A definição das áreas de risco segue parâmetros do Ministério da Saúde. Entre os critérios de classificação estão o nível de saneamento do local, potencial de áreas inundáveis, proximidade de ocupações irregulares, áreas com acúmulo de lixo e histórico de casos de leptospirose.
Trabalho planejado
Ferraz explica que há uma metodologia de trabalho específica adotada para as áreas de risco, com um ciclo de três visitas da equipe do CCZ aos imóveis e que são realizadas em intervalos de dez dias. Em 2014, 37,5 mil imóveis localizados nessas áreas receberam a visita das equipes do CCZ e cerca de 40 mil pessoas foram orientadas sobre como auxiliar na redução da população de ratos. “Essa metodologia é fundamental para o resultado positivo do trabalho. Uma única intervenção não elimina o foco do problema”, salienta.
O biólogo conta que a visita engloba a avaliação ambiental do imóvel para verificar se existem vestígios de ratos (existência de trilhas, tocas, fezes), a aplicação de produto químico quando confirmada a presença de roedores e ainda a orientação dos moradores sobre as formas de evitar os animais e, assim, prevenir a leptospirose.
Além do mapeamento das áreas de risco, o CCZ está desenvolvendo um sistema de alerta de leptospirose. Trata-se de um sistema integrado para repassar informações estratégicas para unidades básicas de saúde e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) 24 Horas. “Como os sintomas da leptospirose podem ser confundidos com os da gripe, a localização geográfica do paciente é fundamental na hora de conduzir o tratamento e os profissionais da assistência precisam ter condições de fazer o diagnóstico precocemente, que é o fator principal para o sucesso do tratamento contra a leptospirose”, ressalta o superintendente de Gestão da Atenção à Saúde da Secretaria, César Titton.
Sintomas
O açougueiro Alécio Bonardi, 32 anos, mora ao lado de um córrego no Tatuquara que transborda em períodos de muita chuva. A área é uma das que são monitoradas pelo CCZ. Há menos de um mês, na tentativa de evitar a perda dos móveis de sua residência por causa da cheia no córrego, Alécio acabou contraindo leptospirose ao entrar em contato direto com a água contaminada. Os sintomas do que ele considerava ser uma “gripe forte” não passavam e ele foi buscar atendimento médico. “O médico chegou a pensar que era dengue. Mas os exames confirmaram que era leptospirose”, comenta.
Febre alta, dor de cabeça, dor muscular e nas articulações foram alguns dos sintomas verificados por Bonardi. “Quando descobri o que era, fiquei bastante assustado. Nunca tinha visto nenhum caso e não sabia quais eram os sintomas. Agora, todo mundo aqui de perto está atento”, afirma.
O diretor do Centro de Saúde Ambiental, Luiz Armando Erthal, destaca que em situações de cheias, o risco de exposição à doença aumenta. “A bactéria está presente na água contaminada pela urina dos ratos. Ela entra no organismo humano através da pele, principalmente quando há feridas ou lesões. Por isso, no momento de fazer a limpeza das residências, é fundamental usar acessórios como botas e luvas para evitar o contato direto com a água”, salienta.
Sintomas
Pessoas que tenham tido contato com a água das chuvas devem ficar atentas aos sintomas da leptospirose e buscar atendimento médico o mais rápido possível. Os mais frequentes são parecidos com os de outras doenças, como a gripe e a dengue. Os principais são: febre, dor de cabeça, dores pelo corpo, principalmente nas panturrilhas (batata-da-perna), podendo também ocorrer vômitos, diarreia e tosse. Nas formas mais graves geralmente aparece icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos) e há a necessidade de cuidados especiais em caráter de internação hospitalar. O doente pode apresentar também hemorragias, meningite, insuficiência renal, hepática e respiratória, que podem levar à morte.
O tratamento é baseado no uso de medicamentos e outras medidas de suporte, orientado sempre por um médico, de acordo com os sintomas apresentados. Os casos leves podem ser tratados em ambulatório, mas os casos graves precisam ser internados.

Precauções
- Ao circular por áreas que foram atingidas pelas chuvas, use sempre calçados bem fechados, preferencialmente botas longas;
- Inutilize todos os alimentos que tenham tido contato com a água das chuvas;
- Ao fazer a limpeza de residências, use sempre botas e luvas;
- Evite levar a mão molhada à boca ou aos olhos. Com isso, evita-se que a bactéria penetre por lesões existentes na pele ou nas mucosas;
- Animais domésticos devem ser vacinados com regularidade para evitar a doença;
- O lixo doméstico deve estar sempre embalado;
- Só consuma água fervida ou coloque algumas gotas de hipoclorito de sódio ou de água sanitária antes de beber ou cozinhar;
- Lave bem os alimentos, especialmente frutas e verduras que serão consumidas cruas;
- Mantenha as caixas d’água sempre tampadas;
- Mantenha os alimentos guardados em recipientes bem fechados e à prova de roedores (latas de vidro, alumínio);
- Retire as sobras de comida ou ração de animais domésticos antes do anoitecer e mantenha limpos os vasilhames;
- Quintais e terrenos devem estar sempre limpos e sem o acúmulo de entulhoscomo telhas, madeiras e materiais de construção, que costumam servir de abrigo aos roedores;
- Não jogue lixo nas ruas, córregos e rios;

- Ao perceber qualquer sintoma, procure um serviço de saúde e evite a automedicação.

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