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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Criança tem sensibilidade à Justiça?

(*) Mhario Lincoln


Muito se tem debatido sobre a maioridade penal chegar aos 16 anos. Isso me levou a fazer uma grande pesquisa na internet para saber o básico das reações infantis, muito antes dessa idade limite discutida penalmente.
E cheguei a uma pesquisa muito interessante, publicada no site da Hypescience, esta, compartilhada agora:
"Segundo a mais recente pesquisa, crianças pequenas preferem devolver itens perdidos aos seus legítimos proprietários, do que pegá-los para si. Se por algum motivo devolver não for uma opção, as crianças ainda tentam impedir uma terceira pessoa de tomar aquilo que não pertence a ela. Além do mais, crianças de três e cinco anos de idade são propensas a responder às necessidades de um outro indivíduo – mesmo quando essa pessoa é um boneco – como se fossem as suas próprias necessidades," escreve em artigo bem elaborado a  jornalista Natasha Romanzoti, 25 anos. E cita mais sobre a pesquisa:
“A principal implicação é que a preocupação com os outros – empatia, por exemplo – é um componente central de um senso de justiça”, diz Keith Jensen, da Universidade de Manchester (Reino Unido). “Esse senso de justiça baseado no dano às vítimas é provavelmente central para a prosocialidade humana, bem como a punição, ambas as quais formam a base da cooperação exclusivamente humana”.
Para descobrir o que motiva um senso de justiça em crianças pequenas, Jensen, ao lado de Katrin Riedl e outros colegas, deram oportunidade a crianças de três e cinco anos de idade no Instituto Max Planck em Leipzig, na Alemanha, de pegar para si itens de um fantoche que os tinha “tomado” de outro fantoche. As crianças eram tão propensas a intervir em nome do fantoche “vítima” como eram por si próprias. Quando dada uma gama de opções, crianças de três anos preferiram devolver um item do que pegá-lo. “Parece que um senso de justiça centrada no dano causado às vítimas emerge cedo na infância”, afirmam os pesquisadores.
Os resultados destacam o valor de intervenções de terceiros para a cooperação humana. Eles também podem servir para ajudar pais e professores de crianças pré-escolares.
“A mensagem é que as crianças pré-escolares são sensíveis a atos que prejudicam os outros. Dada uma escolha, elas preferem restaurar as coisas para ajudar a vítima do que punir o autor”, explica Jensen. “Ao invés de punir as crianças por más ações ou discutir as más ações dos outros em formas punitivas ou focadas no agressor, as crianças podem entender melhor a restauração como a solução de um dano causado a uma vítima”. Desta forma, segundo a mesma conclusão a que chegou a autora do texto publicado na Hypescience, mesmo as crianças tendo uma reputação de serem teimosas e egoístas, "a ciência mostrou que não é bem assim", diante dessa pesquisa inédita. Ou seja, "a partir dos três anos, elas já possuem um nível surpreendente de preocupação pelos outros e um senso intuitivo de justiça."
Natasha Romanzoti, então, complementa: Na sociedade humana, a cooperação é muitas vezes incentivada através de punição. No entanto, estudos anteriores mostraram que os chimpanzés, por exemplo, não puniam os egoístas e trapaceiros, a menos que eles próprios tivessem sido prejudicados diretamente.
Outra Pesquisa
Em outra interessante pesquisa,  bebês tão novos quanto 15 meses, idade na qual eles estão apenas começando a entender a linguagem e se familiarizar com as suas habilidades motoras recém-descobertas, já compreendem os conceitos de partilha e de justiça. Os pesquisadores também descobriram que as crianças têm diferentes “personalidades”, com algumas ficando chocadas pela injustiça e outros com a partilha igual.
“Essas normas de justiça e altruísmo são mais rapidamente adquiridas do que pensávamos. Os resultados também mostram uma conexão entre a justiça e o altruísmo em bebês, de tal forma que as crianças que são mais sensíveis à repartição justa dos alimentos também são mais propensas a compartilhar seu brinquedo preferido”, disse a pesquisadora Jessica Sommerville, da Universidade de Washington, EUA.
Pesquisas também indicam que as crianças são capazes de entender o altruísmo e reagir de acordo com isso, pois elas estão mais dispostas a ajudar aqueles que voluntariamente compartilham seus brinquedos. Para ver quando esses traços de partilha e de equidade começavam a aparecer, os pesquisadores mostraram vídeos a 47 bebês, de um adulto dividindo ou não biscoitos ou leite entre dois outros adultos.
Os pesquisadores observaram as reações dos bebês aos vídeos para o que é chamado de “violação de expectativa”; quando os bebês são surpreendidos por algo, eles tendem a olhar mais tempo para esse algo. Em média, os bebês assistiram aos vídeos com a partilha desigual com mais atenção, mas alguns ficaram mais surpresos do que outros.
A equipe também testou a vontade da criança de compartilhar, apresentando-lhes dois brinquedos e pedindo que os bebês escolhessem um. Um pesquisador então se aproximou da criança e perguntou: “Posso ficar com um?”. Um terço das crianças passou para a pesquisadora o brinquedo que tinham escolhido, e um terço passou o segundo brinquedo. O terço restante não passou qualquer brinquedo, o que não significa exatamente que eles não estavam dispostos a compartilhar, pois eles poderiam estar nervosos em torno de um estranho, ou não ter entendido a tarefa.
Quando os pesquisadores compararam os resultados das duas experiências, eles descobriram que os bebês caíram em uma das três categorias. 92% dos bebês que compartilharam seu brinquedo preferido também foram os que ficaram chocados com a injustiça nos vídeos – eles foram chamados de “compartilhadores altruístas”.
Das crianças que compartilhavam seu brinquedo favorito, pelo menos 86% também ficaram chocada com a partilha igual no vídeo, chamado de “compartilhadores egoístas”. Segundo a pesquisadora, parece que a justiça pode até ser algo embutido em nossos cérebros; um estudo de 2010 mostrou que os centros de nosso cérebro reagem a divisão injusta de recompensas monetárias.
Embora a justiça possa ser um conceito arraigado, as nossas ideias de justiça parecem mudar à medida que envelhecemos. Pesquisas anteriores mostraram que as crianças parecem gostar que tudo seja dividido igual, mas os adolescentes mais velhos são mais propensos a apreciar o mérito quando se trata de dividir a riqueza. Isso poderia ser devido a mudanças no cérebro e adaptação às experiências sociais.

(Com:LiveScience)

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