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domingo, 12 de julho de 2015

RECADO DA CRIANÇA QUE IRÁ NASCER


Lúcia Moysés*







Sonhar com o filho que ainda vai nascer é uma das experiências mais recorrentes entre as futuras mães. São dias especiais os seus. É o corpo que vai se transformando pouco a pouco, são os movimentos do bebê se fazendo lembrar a todo instante, os exames, os preparativos, tudo concorrendo para aumentar suas expectativas, levando-as a concentrar o pensamento no filhinho que aninha em seu ventre. Assim, é natural ver os sentimentos e experiências vividos durante as horas de vigília repercutindo nos seus sonhos.

Mas será que é somente isto? Um reflexo do dia sobre o cérebro da mãe?

A Doutrina Espírita nos aponta outras possibilidades. Baseando-se no princípio da reencarnação, ela admite que em cada gestação há um espírito que retorna à vida na Terra, alguém que já viveu anteriormente e que longe está de ser uma folha em branco. Ao contrário, é dotado de razão, emoções e sentimentos.

Para inúmeros espíritos, o processo reencarnatório não é nada fácil. Angustiados pelas incertezas da jornada que irão encetar, sentem medo, têm dúvidas, sofrem.

Sendo o sono um momento de emancipação da alma, a constante lembrança da mãe de que há um novo ser se formando no seu próprio corpo favorece a comunicação espiritual entre ambos. Isto se dá por intermédio dos sonhos. (O capítulo VIII de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec expõe esse tema de maneira admirável).

Conhecendo a realidade desse processo de intercâmbio entre a futura mãe e o filho que vai nascer, pude compreender o que deve ter se passado quando Mônica, uma companheira de ideal, grávida pela primeira vez, me pôs a par do sonho que tivera com o seu bebê.

Tudo começou quando se preparava para fazer o exame de ultrassom que deveria identificar o sexo da criança. Na noite anterior sonhou que se tratava de uma menina, fato posteriormente confirmado.

O mais extraordinário, no entanto, ocorreu poucos meses depois. A futura mamãe estava às voltas com o chá de bebê: convite para as amigas, lista de presentes, lembrancinhas... Havia muito com o que se preocupar.

Estudiosa da Doutrina dos Espíritos, Mônica e o marido procuravam manter-se sintonizados com o Bem, cultivando o hábito da oração antes de dormir. Tampouco se descuidavam das conversas carinhosas com aquela alminha que lhes estava sendo encaminhada. No seu lar, a menininha seria recebida com muito amor.

Certa noite, ela teve um sonho muito claro e impactante. Via uma garotinha que pressentia ser a sua. Usando um tipo de linguagem não articulada, como uma mensagem telepática, ela dizia da sua satisfação em receber o carinho de pessoas amigas no chá de bebê. No entanto, fazia um veemente apelo à mãe: que pedisse aos convidados que destinassem parte dos presentes para crianças carentes, revelando a sua preocupação com os que não têm o mínimo, sequer, ao nascer.

Por sua singeleza e por tudo o que revela, esta foi uma história que muito me comoveu. Acreditando que houve, de fato, um encontro de almas, me ponho a pensar sobre a grandeza desse espírito, que deixa transparecer a bondade a se espalhar do seu coração antes mesmo do seu nascimento.

Nesses tempos em que a valorização das conquistas materiais parece sobrepujar a das morais, o recado do espírito reencarnante é bem claro: sejamos solidários, pratiquemos a fraternidade e o amor aos nossos semelhantes.

Entendo que ele quis dizer que criança não precisa de tantos bens materiais, não precisa ser encastelada em quartos principescos, tendo um guarda-roupa a sua espera que em curto espaço de tempo se perderá. Precisa de direção e amparo para que não se perca da Estrada do Bem.


Lúcia Moysés é escritora e escreve semanalmente no Jornal Correio Espírita 

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