Busca

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

“Dilma, sob tutela, abdicou. Renan é o primeiro ministro. E salve-se quem puder”, por Alberto Goldman


Formou-se a frente de sustentação e de tutela de Dilma Rousseff. A mulher de forte personalidade, a gerentona de garra, entregou os pontos. O novo governo brasileiro será conduzido pelo senador de Alagoas, Renan Calheiros, o mesmo que havia renunciado ao cargo para não ser cassado e que agora volta como presidente do Senado e, de fato, o como o todo poderoso chefe do governo petista/peemedebista. O primeiro ministro.
Ao apresentar um conjunto de 27 pontos como se fosse a salvação do país e como se fosse trivial aprova-los, Renan obteve o entusiástico apoio de Dilma, o que permitiu a ela, candidamente, afirmar que era isso mesmo que queria. Pontos, aliás, que em épocas anteriores teria rejeitado com palavras que não se repete em casas de família.
Dilma abdicou, de fato, para que não tivesse de fazê-lo de direito, à presidência da República. Renan, com a assessoria de Michel Temer e de mais alguns senadores e ministros, e o respaldo de Sarney e de Lula, obteve a adesão da rede Globo, o que foi possível comprovar nas três últimas edições do Jornal Nacional, duas delas com extensas falas de Dilma em Boa Vista e no Maranhão ( editadas pela agência federal oficial de notícias ) e a última com a demonstração da movimentação dos governistas no café da manhã, no almoço, em jantares e em reuniões as mais diversas.
O que menos se esperava era o JN tornar-se o Diário Oficial da União. Ou da aliança que governa o país. É o que faz uma economia em depressão: menos negócios, menos publicidade, agências de “rating” rebaixando empresas, inclusive na área de comunicação. É um salve-se quem puder.
Faltou, no entanto, combinar com o Eduardo Cunha, até agora um resistente. Mais ainda, e essencial, faltou combinar com os brasileiros. Depois da experiência das últimas eleições não vão mais comprar gato por lebre.

Nenhum comentário: