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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

12 mil árvores saem por ano do Horto da Barreirinha para ruas de Curitiba


Neste Dia da Árvore, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente abriu as portas do Horto da Barreirinha para um grupo interessado em conhecer a produção de árvores da cidade. É dali que saem as cerca de 12 mil novas árvores plantadas anualmente pela Prefeitura somente nas ruas de Curitiba - cerca de mil por mês. A produção do horto, mantido pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, também garante o plantio em praças, parques e às margens de rios (mata ciliar).
Instalado em uma área de uso restrito de 125 mil metros quadrados, ao fundo do Parque da Barreirinha, o Horto possui atualmente um acervo em estoque de aproximadamente 110 mil mudas, das quais cerca de 30 mil já estão prontas para o plantio. No local, são produzidas as mudas de árvores de espécies nativas e algumas espécies arbustivas.

 “É um pingo no oceano, mas com certeza, sem esse trabalho o oceano seria bem menor”, poetizou Ageu Souza, assistente que trabalha há 35 anos na Secretaria do Meio Ambiente e há um ano atua no tratamento de sementes e de repicagem (fase do primeiro broto) no Horto da Barreirinha. Ageu e outros técnicos que trabalham no local, acompanhados pela engenheira agrônoma Érica Mielke, diretora do departamento de Produção Vegetal, receberam na manhã desta segunda-feira (21) o primeiro grupo de visitantes públicos do Horto.

A primeira visita pública, nesta segunda-feira (21), serviu como um projeto-piloto para atrair visitantes para o projeto Fábrica de Árvores, que ainda será lançado. As visitas devem ter periodicidade semelhante à do programa Fábrica de Flores, que abre o Horto do Guabirotuba para visitas públicas sempre no último sábado de cada mês. No Horto do Guabirotuba são cultivadas as mudas de floríferas e exemplares arbustivos para o ajardinamento da cidade. 

“Foi uma boa surpresa. As pessoas parecem felizes de estar aqui. Recebemos em torno de 200 pessoas, divididas em vários grupos”, disse Érica, que repassou os dados técnicos sobre o trabalho e o acervo mantido no Horto da Barreirinha.

O tempo da natureza

Curitiba conta hoje com cerca de 300 mil árvores plantadas somente nas ruas.  Érica destaca que as árvores destinadas à arborização demandam maior tempo de enviveiramento e têm maior custo. “Uma muda leva pelo menos quatro anos para ficar pronta para o plantio”,informa. Os cuidados começam com a seleção e o preparo de sementes e se estendem até que as árvores atinjam uma altura média de dois a três metros. A visitação pública desta segunda-feira foi voltada para a primeira etapa, de preparo das sementes.

No grupo de visitantes estavam pessoas do grupo de terapia ocupacional da Secretaria Municipal de Saúde; de grupo de ginástica da Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Juventude (Smelj); estudantes do sétimo período da Escola Estadual Maria Pereira Martins e participantes individuais que souberam da abertura da visita no Horto da Barreirinha.

Mesmo para os mais experientes, como Leonilda Rodrigues Wallendorf, do grupo de terapia ocupacional, houve algumas surpresas sobre o preparo adequado de sementes. “Aprendi que tem muitos jeitos de plantar. Não sabia que algumas sementes têm que descascar e algumas deixar de molho”, contou a aposentada. “Algumas sementes exigem que as cascas sejam retiradas manualmente, precisa beneficiar e preparar. Tem época certa de colheita porque é preciso ter alguma umidade interna para poder germinar. Por isso, muitas pessoas catam sementes e não germinam”, explicou Ageu. Ele ensinou ainda que há espécies de rápido desenvolvimento, em que a germinação ocorre entre três e quatro meses, enquanto outras podem levar até seis meses. Ageu citou como exemplo o limão rosa, que germina em até três meses, enquanto a Araucária pode levar até seis meses para germinar e de 15 a 20 anos para produzir a pinha, fruto da espécie.

A segunda fase é a da repicagem, quando há um broto externo. Essas mudas são mantidas no viveiro e exigem regas diárias pela manhã e pela tarde. Durante todo o processo é preciso manter a muda limpa, sem ervas, o que exige cuidado diário até chegar a fase de plantio, depois de ganharem certa altura. “Não pode deixar que a erva daninha tome conta. Erva daninha não precisa nem de água, cresce no seco”, explicou.

Os visitantes também puderam conhecer a estufa, onde há espécies arbustivas, como a azaléia. Após percorrer todos os ambientes de cultivo, o estudante de 15 anos Mateus Meira, da 7ª. série, disse ter achado o “trabalho maravilhoso” e que não tinha ideia de como era o processo de reprodução de árvores e arbustos. “Explicaram bem como é o trabalho. Aprendi como plantar, cuidar e fazer florescer”, observa o estudante.

Os dois hortos municipais atendem exclusivamente aos projetos de paisagismo da cidade. No Horto da Barreirinha, o trabalho é feito por 13 servidores. Fundado em 1959, o Horto produz anualmente 50 mil mudas utilizadas na arborização de  ruas, parques e praças da cidade. São mais de 150 espécies, 70% nativas. Embora ainda não esteja aberto à visitação pública, o Horto já recebe grupos escolares e visitas técnicas, mediante agendamento prévio ou em ocasiões comemorativas, como o Dia da Arvore.

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