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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Coluna do Jersan

JOGO PESADO EM BRASÍLIA

Jersan Araújo


O presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) acusado de ter recebido cerca de cinco milhões de dólares do esquema de propina da Petrobrás, está jogando pesado contra a presidente Dilma Rousseff (PT) a quem atribui a “perseguição”. Apesar de ter conseguido adiar a sessão do Congresso Nacional, marcada para a última quarta-feira e a conseqüente apreciação de vetos à proposta de reajuste dos servidores do judiciário e dos aposentados, com base no salário mínimo, que ela, a presidente quer que o Congresso os mantenha, demonstra mais fragilidade como líder de um grupo antes muito forte dentro da Casa.

Os deputados do famigerado PMDB, por exemplo, voltaram a flertar com o governo depois de serem aquinhoados com cargos e promessa de liberação de emendas parlamentares e, aos poucos, demonstram pouco interesse em continuar apoiando as decisões do “garoto teimoso”, presidente da Câmara dos Deputados que, se cassado, será substituído pelo 1° vice-presidente, o maranhense Waldir Maranhão (PP). E pela movimentação do PMDB governista, do ex-presidente Lula e da própria Dilma Rousseff, Eduardo Cunha dança e Dilma, para decepção da grande maioria do povo brasileiro, fica. Os dois, na opinião de grande parcela da opinião pública deveriam “dançar” juntos.

Como resultado dessa desastrosa negociação entre governo e parlamento, o presidente do Senado, Renan Calheiros está prestigiado e deve comandar a votação dos vetos presidenciais, caso o Congresso Nacional realize sessão na próxima quarta. Dilma quer e Renan a obedecerá, com a sua influência, mantendo os referidos vetos e aprovando o ajuste fiscal. A grande maioria de deputados e senadores defendia os interesses dos servidores do judiciário e aposentados. Hoje a conversa é outra muito diferente.

O Poder Executivo, em qualquer nível, sempre exerceu a sua potência sobre os demais poderes, principalmente com relação ao legislativo. Não é raro observar-se governadores eleitos que não conseguem eleger a maioria de parlamentares, mas, num “passe de mágica”, sem muito esforço, consegue ter ao seu lado o número de “aliados” até superior ao que efetivamente precisam. A adesão aos governos é a demonstração clara da fraqueza e da subserviência dos que se elegem pela “oposição”. Qualquer prefeito, qualquer governador, querendo (e todos querem) tem a maioria no parlamento, à sua disposição. É a regra.

Dilma não corre mais o risco do impeachment. Com os “negócios” concretizados entre ela, os senadores, deputados e o PMDB, sob o olhar desconfiado do PT, hoje navega em águas calmas, enquanto todo o bombardeio cairá, daqui pra frente, sobre os ombros de Eduardo Cunha, o “garoto teimoso”. Na prestação de contas do governo de 2014 foram detectadas 18 irregularidades pelo Tribunal de Contas da União, no Tribunal Superior Eleitoral há uma ação pedindo a cassação do mandato dela por abuso de poder econômico na campanha do ano passado, mas apesar de tudo isso Dilma poderá sair ilesa. E a vida segue, neste Vale de Lágrimas.

O POVO SOFRE!...

E enquanto o governo “se arruma” o povo sofre as conseqüências. A inflação continua subindo, o desemprego, idem. O real perde o seu poder de compra com valorização do dólar cada dia maior. Os salários dos trabalhadores corroem e o governo promove uma reforma administrativa, sem grandes cortes de despesas. Coisa para “inglês “ ver. Pura enganação. Paga-se milhões de reais de propaganda nas grandes redes de televisão, enquanto faltam medicamentos nas farmácias básicas. É uma falta de respeito e até de humanidade à população mais pobre do Brasil, instada a pagar a conta de um banquete consumido pelos privilegiados do poder e corruptos do dinheiro público.

Não há investimentos em obras necessárias. Produtores rurais e empresários da indústria e do comércio reclamam da falta de crédito, que, quando está disponível, os juros são impagáveis. “A situação do Brasil é preocupante e a culpa não é da sociedade, mas, do governo autoritário e incompetente do PT” – garantem os mais entendidos.

CADÊ O EDITAL?

Há 15 dias, o presidente da Câmara Municipal de São Luís, vereador Astro de Ogum fez publicar na imprensa, nota em que anunciava a sua decisão de encaminhar ao setor jurídico da Casa, para a devida revisão, o edital sobre a abertura de licitação para a contratação do banco que passaria a administrar a(s) conta (s) do Poder Legislativo de São Luís. Na última sexta-feira, porém, a coluna recebeu a informação de que a história não é bem assim.

Na verdade, o procurador jurídico teria elaborado todo o processo, por determinação da Presidência da Câmara. O edital estaria pronto para ser publicado quando a Comissão de Licitação (esta sim) teria resolvido “revisar” e terminou “bagunçando o processo” que, agora, terá de ser reestudado, o texto reestruturado e os equívocos da Comissão de Licitação, eliminados. No domingo passado, ao comentar a demora na “elucidação” do caso, arriscamos em afirmar que “incompetência, certamente não é”. E agora?

Enquanto isso os servidores estão impedidos de contraírem empréstimos consignados, a juros menores e obrigados a usarem o cartão de crédito a juros estratosféricos. Não é justo com uma classe que passa dificuldades em função dos baixos salários que não são reajustados há exatos nove anos. “Presidente, use da sua autoridade (não autoritarismo), e resolva esse problema que está prejudicando todos nós” – apelou um servidor.

PRIVILÉGIOS

E a ex-prefeita de Bom Jardim, acusada de desviar milhões de reais da prefeitura, até sexta-feira continuava presa no Corpo de Bombeiros de São Luís. O ex-namorado dela já foi liberado e o ex-secretário da Casa Civil do Governo, acusa de receber propina da Constran, também, está em liberdade. Privilégios permitidos pelas leis.

É POR ISSO

É por isso que a corrupção continua. Os corruptos, mesmo assistindo a desmoralização a que estão submetidos empresários e políticos, pela prática desse “câncer”, agem sem trégua. As prefeituras e câmaras municipais do Brasil afora são os maiores antros de corrupção. Se mexer, fede... Eles, a exemplo de outros ladrões, com os assaltantes de bancos, não se intimidam.

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