quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Crônica de Zé Carlos


Crônica de Zé Carlos

02 / 09 / 2026

Após um longo e preguiçoso período de convalescença, já venho reaprendendo a caminhar. Vou me firmando em passos miúdos e lentos, tal o luar preguiçoso a se demorar dentro da noite sonolenta e sem pressa. Tal a luz, que ia se fazendo extinta, renovando-se e se encorpando a me alumiar as trêmulas e indecisas passadas.

O certo é que, com teimosa teimosia, me apego a minhas crenças, ora cambaleante como o menino ávido a palmilhar caminhos, a ansiar a liberta liberdade e a correr atrás de tantos e desafiantes mundos; ora fora de combate, só "espiano ais côsa aconteceno", como se já estivesse muito além desta "real idade".

E, em oscilante enfermidade, ambígua e angustiante, tenho muito a agradecer à minha família e aos amigos, que não "mi deixaro di mãu". Persistiram que persistiram, mesmo com o meu silencioso silêncio, a me alvoraçar os dias com suas preocupações e com seus desejos de me ver bem.

E, ainda que não esteja totalmente recuperado, sigo um vivo e teimoso vivente, que vou me permitindo persistir e sonhar e murmurar e falar e cantarolar e gritar em meus medos, em minhas vontades e em minhas certezas. Volto a me enxergar em minhas limitações e em minhas possibilidades.

E volto, ainda que lentamente, a me fazer presente ... Volto à sagrada narração e à sagrada poesia!

Zé Carlos Gonçalves



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Quem vigia os vigiadores? - Artigo de Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial

 

Quem vigia os vigiadores?

Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial

Há anos repito uma provocação que parecia restrita aos manuais de governança. Quem vigia os vigiadores? Hoje, o dilema teórico se transformou em crônica policial.

A narrativa de que o ministro Alexandre de Moraes jamais recebera mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ruiu com o levantamento do sigilo. Segundo laudo da Polícia Federal tornado público, a perícia identificou dezenas de arquivos direcionados ao contato “Alexandre de Moraes BRASÍLIA”, nos quais Vorcaro buscava socorro e perguntava se era possível “bloquear a maldade”.

Não é ilação. É registro pericial.

Se o contato era conhecido, a versão oficial precisa ser explicada. Se era desconhecido, resta explicar por que se atacou a imprensa antes que a própria perícia esclarecesse os fatos.

Em qualquer corporação submetida a um compliance minimamente sério, uma contradição dessa magnitude seria suficiente para retirar o executivo da linha de comando enquanto uma investigação independente apurasse o ocorrido.

No STF, aparentemente, inventamos uma modalidade mais sofisticada de governança. O investigado permanece, os colegas observam e as instituições responsáveis por fiscalizar aguardam prudentemente que o constrangimento passe.

A situação se torna ainda mais grave diante dos contratos milionários entre o Banco Master e o escritório da esposa do ministro e dos metadados divulgados que atribuiriam a edição final de uma minuta ao próprio “Ministro Alexandre de Moraes”. Isso exige esclarecimento independente justamente porque conflito de interesses não começa quando se prova um crime. Começa quando existem relações capazes de comprometer, ou parecer comprometer, a necessária imparcialidade.

LATITUDE DO MEU SONHO - Por Carlos Alberto Lima Coelho, escritor e poeta


LATITUDE DO MEU SONHO



Carlos Alberto Lima Coelho, escritor e poeta

São Luís - Maranhão-Brasil


Há momentos em que fecho os olhos e, paradoxalmente, é quando mais consigo enxergar.

Na minha contemplação interior, uma luz esverdeada invade a retina da imaginação. Não sei se nasce diante dos olhos ou dentro da alma. Apenas surge, silenciosa e inesperada, como se o universo resolvesse abrir uma fresta para que eu pudesse espiar alguns de seus mistérios.

Penso na aurora boreal.

A ciência explica aquele espetáculo com a precisão que lhe cabe. Fala dos átomos de oxigênio nas altas camadas da atmosfera, das partículas vindas do vento solar, das colisões invisíveis que acabam transformadas em luz. É bonito compreender. Mas talvez existam fenômenos que, depois de explicados, continuem guardando o mistério.

Porque a ciência pode dizer de onde vem a luz. Difícil é explicar o que ela acende dentro de nós.

E então viajo.

Sem malas, passaporte ou passagem, transporto-me mentalmente para a Lapônia finlandesa. Caminho por extensões brancas, sinto o vento frio no rosto e levanto os olhos para um céu que parece ter sido pintado por mãos invisíveis.

Lá, entre noites intermináveis e dias em que o Sol parece esquecer-se de desaparecer no horizonte, minha imaginação se embriaga de solidão.

Uma embriaguez diferente daquela dos tempos de boemia.

Sou, nesse instante, novamente o príncipe das noites mal dormidas. Mas já não procuro as mesmas madrugadas. O tempo mudou o endereço dos meus desejos.

DIA NACIONAL DO REPÓRTER FOTOGRÁFICO & CINEMATOGRÁFICO Por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta


DIA NACIONAL DO REPÓRTER FOTOGRÁFICO & CINEMATOGRÁFICO

Por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta

Por entre máquinas lambe-lambes, objetivas, analógicas, digitais e maís recentemente através de um celular, o passado por algum motivo perdido, se revela e, no agora e também no futuro, pode-se ver quão importantes são esses seres (os artistas das lentes), que com um "clic" de milésimos de segundos, fazem registros únicos, mágicos.

Refiro-me aos repórteres fotógrafos (as), os cinematográfos, todos responsáveis por verdadeiras poesias e outras produções em forma de imagens.

POVO DO MEU AGRADO ** BOM DIA, MEU SERTÃO!**



POVO DO MEU AGRADO

02 / 09 / 2026

** BOM DIA, MEU SERTÃO!**



Tem riqueza que não mora no dinheiro,

mora no milho colhido no terreiro,

na sombra boa de uma árvore

e na companhia de quem divide a vida.


Ele segura a espiga,

ela ajeita o balaio,

e entre uma conversa e outra

o trabalho vai ficando mais leve.


Lá no fundo, a casinha guarda histórias.

Na frente, o milho lembra que tudo tem seu tempo:

tempo de plantar, tempo de cuidar

e tempo de agradecer pela colheita.


Que o nosso dia comece assim,

com simplicidade no coração,

esperança renovada

e fartura na mesa.


**Bom dia! Que nunca falte fé, trabalho e um pedacinho de sertão dentro da gente.**

*****

“Povo do Meu Agrado é uma página dedicada à cultura, poesia e encanto do Nordeste. Aqui você encontra versos que celebram a beleza da nossa terra, os cantos dos pássaros, a força do sertão e a sabedoria popular.”


Poeta Sertanejo - Ao passar novamente pela estrada de terra...

 

Poeta Sertanejo

02 / 09/ 2026

Ao passar novamente pela estrada de terra, eu pude ver a beira do caminho.

Belas casas de caboclos, e lindas roseiras protegidas pelos espinhos.

E a abelha jataí no mourão da cerca de arame, e o amigo tiziu no talo do capim que cantava dando um pulinhos.

Senti o cheiro do mato lá na baixada, que protegia o pequeno riozinho.

Também avistei lá no alto da serra, uma saudade que acenava pra mim.


Fui passando de casa em casa, e onde passava a doce lembrança me acompanhava.

E montado no lombo da recordação, no tempo da infância aos poucos eu voltava.

Papai garra trabalhando lá no roçado, mamãe da casa cuidava.

O coberto do poço, e o velho paiol onde as tralhas ficavam.

O piquete das vacas leiteiras, e a velha porteira onde eu me balançava.

A casa tinha uma grande varanda, e uma cadeira onde meu pai sentava.


Ouvindo a voz silêncio, o seu paieiro ele ali tranquilo pitava.

No fundo da casa tinha uma lagoa, onde patos em brincadeira sobre as águas se deslizavam.

E assim aos poucos do meu passado eu recordava…

Bom dia meu povoooooo

Um dia abençoado para todos vocês


terça-feira, 1 de setembro de 2026

ACÁCIAS & PALIDEZ - Por Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta



ACÁCIAS & PALIDEZ

Antonio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta

Enquanto não acontecem os meus sonhos; enquanto os meus sonhos não passam de sonhos;

enquanto o que acredito é loucura para os outros;

enquanto os outros acham que tudo é loucura, tenho que esperar uma eternidade para ter a certeza de quem tem, realmente razão: se o odor das flores

ou os perfumes dos outros...

Estou fazendo minha parte, acredito... Acredito na acácia que serviu de cruz para Deus e nos acúleos que cose minhas vestes rotas,

estas mesmas que sugam o suor da minha fronte de sal, de sal, de sal...

Por isso, tenho, no meu jardim, uma dessas árvores com acúleos ... Vez outra, fito-os à distância

e, mesmo assim, sinto dores intensamente...

Tenho que cumprir com o meu destino... Sou um predestinado, às vezes acossado, restando-me apenas acácias amarelas no meio do meu jardim...

(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 01.09.2026. SÃO LUÍS-MA)


Poeta Sertanejo - Canta a seriema lá no cerrado, o galo no batido da asa também...


Poeta Sertanejo

 01 / 09 / 2026

Canta a seriema lá no cerrado, o galo no batido da asa também, já deu o seu recado.

O chaminé está funcionando e o caboclo, está acordado.

João de barro está no pé do eito, mostrando ser um bom sujeito, vai trabalhando animado.

Ao contrário do que diz a música, a dona Joaninha está sempre ao lado.


Galinhada no terreiro, é igual formigueiro esparramado.

Sinto a presença de Deus, quando vem a barra do dia.

No mangueirão é bonito ver a leitoada, junto as porcas de cria.

A festa da natureza está por todo lado.

Na orquestra dos passarinhos, nas capivaras no banhado.

Na plantação de café e milho, também no arrozal cacheado.

Está no peito do sertanejo, que vive sossegado.

Sua felicidade está nas vacas leiteiras, também no cavalo arreado.

No canto do sabiá, que em liberdade canta apenas por agrado.

Sua felicidade está nos braços de Maria, também nas graças de poder levantar mais um dia, se sentindo abençoado.

Bom dia meu povoooooo

Um dia abençoado para todos vocês


segunda-feira, 31 de agosto de 2026

UM NINHO NA MEMÓRIA - Artigo de Gabriel Chalita, Acadêmico da Academia Paulista de Letras


UM NINHO NA MEMÓRIA

Acadêmico: Gabriel Chalita*

A minha alma é ninho. Quem quiser se aconchegar que venha. E voe, quando quiser.


Um ninho na memória


Havia uma senhora na cidade da minha infância que gostava de passarinhos. Lembro-me com carinho das feições do seu rosto, da voz que amansava a vida, do nome de santa, Teresa.

Mesmo em dias de chuvas fortes, em que as árvores do seu quintal enlouqueciam, ela aguardava o tempo bom. E dormia depois do almoço, sei disso porque, não poucas vezes, almoçava com ela. E com seu neto, Gustavo, da minha idade. Ela pedia licença para se distrair do dia e descansar o pensamento.

No quintal, havia uma espécie de tanque aumentado que usávamos como piscina, em dias quentes. E tinha a Fabiana, a outra amiga inseparável.

Teresa era viúva. Gostava de falar sobre o marido. Sobre as viagens que fizeram juntos. Uma vez, foram ao estrangeiro e receberam a bênção do papa. Ela nunca se esqueceu. E nunca deixou de dizer daquela viagem tão longe e tão perto na sua memória.

Na casa de Teresa, havia passarinhos. Havia ninho de passarinhos. E ela gostava de ver os nascimentos, os piados, os barulhos, o canto. Fabiana falava dos passarinhos do seu pai, criados em gaiolas. Falava com tristeza. Não queria que eles fossem presos. Falava do irmão que armava um alçapão para pegar. Eu também ficava triste. Imaginava uma família de passarinhos passeando e um deles, por distração, preso em um alçapão. Que dor para aquela família. Que covardia para quem armava para prender, para fazer sofrer.

OS CICLOS DA VIDA, por Carlos Alberto Lima Coelho, escritor e poeta


OS CICLOS DA VIDA

Carlos Alberto Lima Coelho

São Luís - Maranhão-Brasil

A vida nunca caminha em linha reta. Ela se movimenta em ciclos, como as marés, como as estações, como o sol que desaparece no horizonte apenas para nascer novamente do outro lado da noite.

Há dias em que tudo parece iluminado. O coração acorda disposto, os caminhos se abrem e até os pequenos acontecimentos parecem carregar alguma espécie de felicidade. São os dias de sol da alma.

Mas também chegam as nuvens.

Há momentos em que não conseguimos compreender determinadas perdas, certas ausências, alguns silêncios. Perguntamos por quê. Procuramos respostas. E descobrimos, muitas vezes, que a vida não responde imediatamente. Ela prefere ensinar devagar.

O tempo é um professor silencioso.

Aquilo que ontem parecia insuportável, amanhã talvez seja compreendido como aprendizado. A dor não deixa de ter doído, mas passa a ocupar outro lugar dentro de nós. E, quando percebemos, já estamos novamente caminhando.

Talvez seja esse um dos maiores segredos da existência: sempre existe um recomeço escondido depois de alguma despedida.

Povo do Meu Agrado...


Povo do Meu Agrado



31 / 08 / 2026

**Bom dia! Tem dia que começa com cheiro de feira e gosto de tradição.**

 


Que hoje não falte alimento na mesa,

coragem para trabalhar,

saúde para seguir a caminhada

e um sorriso bonito no rosto.


Assim como o pescador traz o peixe,

que a vida também traga pra nós

uma boa pescaria de paz,

alegria e esperança.

 

**Bom dia, meu povo! Que Deus abençoe nossa caminhada e nossa feira.**

 *****

 “Povo do Meu Agrado é uma página dedicada à cultura, poesia e encanto do Nordeste. Aqui você encontra versos que celebram a beleza da nossa terra, os cantos dos pássaros, a força do sertão e a sabedoria popular.”


Poeta Sertanejo - Se não fosse o amor que se instalou no meu peito...


Poeta Sertanejo

31 / 08 / 2026

Se não fosse o amor que se instalou no meu peito, eu não sofria assim desse jeito por aquela ingrata.

Porque a dor dos desprezo, é lança, que fere e maltrata.

Estou indo em busca da minha felicidade.


Estou deixando a cidade, vou viver entre meio as matas.

Volto pra minha terra hoje de madrugada.

Já está tudo certo, as coisas estão arrumadas.

A dor que trago no peito, nas águas do ribeirão, depois um mergulhão serão afogadas.

A tristeza vou deixar, pelos caminhos esparramada.


No galope do tordilho, que feito eu não se entrega por nada.

Estou indo embora de volta pro meu sertão.

Trouxe o peito vazio, mas levo a tristeza no coração.

Mas também levo a certeza, que cidade não é lugar de peão.

Vou atrás de uma caboclinha lá da minha região.

Não vou deixar o desprezo, tirar de mim a razão.

Sou filho do mato, o mato é mesmo minha paixão.

Bom dia meu povoooooo

Uma semana ricamente abençoada para todos vocês


ROSAS & VASOS por Antonio Guimarães de Oliveira, poeta e escritor


ROSAS & VASOS

Antonio Guimarães de Oliveira, poeta e escritor



O tempo para quando

o vaso que abriga uma

roseira deixa de ser vaso;

quando a roseira frondosa

deixa de produzir rosas;

quando o espinho pontudo

deixa de ferir;

quando uma notícia é

recebida e tudo

cai das mãos;

quando não se tem

vontade de juntar os pedaços...

Chove em mim...

Oh! Mas quanta aridez

existe no jardim de Deus!

Eu me lembro:

o tempo era contínuo,

progressivo, eterno

– infinito!

Agora não é mais...

Oh! O que fiz?

Não sou mais vaso,

não abrigo roseira,

tampouco rosas

nem espinhos...

Sou a fatalidade,

um monte de areia

aliado a fragmentos

de nada...


(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 31.08.2026. SÃO LUÍS-MA).

 

As maravilhas do tempo - Artigo de Dom Paulo Mendes Peixoto


As maravilhas do tempo

Dom Paulo Mendes Peixoto*

A vida é um mistério, realidade que encanta e desencanta. Existem sim muitos encantos e estímulos que nos impulsionam a viver bem, com a esperança de novidades saudáveis e motivadoras de felicidade. Na prateleira dos encantos, estão também os desencantos, a convivência do bem e do mal juntos, exigindo de nós o exercício do discernimento. Temos que fazer nossas escolhas.

Não tem como a gente não estar envolvido com realidades do tempo. Somos todos conduzidos por uma cultura tecnológica sem retorno. É um processo de massificação e descaracterização de nossa identidade. Tudo é maravilhoso, que contamina e conduz à alienação. Por detrás da Inteligência Artificial (IA) está um grupo manipulador e concentrador de dados, com capacidade para ideologias de exclusão.

Temos fenômenos naturais: relâmpagos, trovões, granizos, terremotos etc. A IA está se tornando um outro fenômeno, não natural, mas com potencial inimaginável. Sem dúvida, é sinal de potencial humano, mas não pode descartar o mistério da ação divina. A máquina não consegue amar, os algoritmos não ultrapassam os limites de uma concatenação de dados, portanto, não é ato humano.

A tônica divina é a vitória do bem sobre o mal. Assim foi a morte de Cristo na Cruz, abrindo caminho para a realidade eterna da vida. A IA nunca vai se prestar para isto, porque escapa a ela o mistério que envolve a vida humana. Ela pode, e isto acontece, ajudar a antecipar realidades de mistério, caso seja usada para construir o bem, a fraternidade e o amor solidário.

Preocupa-nos a dimensão que a inteligência artificial pode dar às mentiras, falsidades, fake news, principalmente agora em ano eleitoral. Ela tem capacidade manipuladora e de desviar a atenção e a intenção das pessoas. Pode mostrar a face podre de um candidato de forma totalmente trabalhada. Agora, o importante é não cair nas suas armadilhas, nos encantos, que trazem desencanto e sofrimento.

As novidades são maravilhosas. A Bíblia fala que o anúncio do Anjo a Maria foi uma novidade (Lc 1,26-38). Isto se consolida nos encantos de vida, no relacionamento, na convivência e no calor humano. A IA, com toda sua pujança, não pode impedir o verdadeiro sentido da vida, transfigurada no absoluto mistério de Deus. A vida é muito mais bela e maravilhosa, que ultrapassa os algoritmos.

*Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo metropolitano de Uberaba


domingo, 30 de agosto de 2026

SOB O OLHAR DE DEUS - Por Carlos Alberto Lima Coelho, escritor e poeta

 



SOB O OLHAR DE DEUS



Carlos Alberto Lima Coelho

São Luís-Maranhão-Brasil

30 / 08 / 2026

Há momentos em que a vida parece diminuir o passo apenas para nos permitir pensar. Pensar no que somos, no que fazemos aqui e, sobretudo, no estranho e maravilhoso mistério de existir.

Basta observar a natureza.

O vento passa pelas árvores e, sem que ninguém lhe ensine música, transforma folhas em instrumentos. A mata responde com seus próprios sons. Uma semente rompe a terra, uma flor se abre silenciosamente, um pássaro anuncia a manhã. Tudo acontece sem aplausos, sem holofotes, sem a necessidade de provar coisa alguma.

Talvez esteja aí uma das grandes lições da existência.

A natureza simplesmente cumpre o seu destino.

Nós, seres humanos, ao contrário, passamos boa parte da vida procurando respostas. Queremos saber de onde viemos, para onde vamos, por que sofremos, por que amamos e qual o propósito de carregarmos um espírito dentro desta temporária morada chamada corpo.

Mistério?

Certamente.

Mas talvez o mistério não tenha sido criado para ser totalmente explicado. Algumas coisas foram feitas para serem sentidas.

O amor é uma delas.

Quanto mais aprendemos a amar sem cobrar, sem exigir, sem transformar afeto em moeda de troca, mais começamos a compreender dimensões da vida que a razão, sozinha, não alcança.

Nascemos de um gesto de amor e, desde o primeiro sopro, iniciamos uma caminhada particular. Os caminhos aparecem diante de nós, as escolhas se multiplicam e cada pessoa precisa descobrir qual estrada deseja percorrer.

É justamente aí que começam muitos dos nossos desencontros.

DIA NACIONAL DO PERDÃO - Por Antônio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta


DIA NACIONAL DO PERDÃO

30 / 08 / 2026 

Por Antônio Guimarães de Oliveira, escritor e poeta



Por que não posso perdoar aquela abelha pela ferroada que me deu?

Intrépido subi nas alturas daquela árvore e peguei todos os favos de mel. E de muitas, uma delas não gostou.

O mel, lógico, muito doce, mas a reação daquela abelha me fez chorar - foi amarga...

Lembro que Jesus perdoou a todos que lhes fizeram mal, embora escarnecido naquela cruz.

Hoje é o dia do perdão. Acredito que aquela abelha me perdoou, pois para com ela já o fiz há muito tempo.

O perdão é um ato nobre que nos ensinou amarga e naturalmente, o Nazareno.

Peço, portanto, perdão de todos os meus pecados e pelas ofensas que, voluntária ou involuntariamente pratico, e ainda sou capaz de cometer.

É a proximidade mais imediata que temos com o divino, reconhecer o mal praticado e perdoar a quem, por vez, também nos fez o mesmo.

Eu peço perdão pela minha intrépida juventude sem limites; peço perdão ao meu corpo cheio de cicatrizes...

Enfim, peço perdão pelos meus erros sucessivos e pela minha cegueira e desleixo diante da verdade.

(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 30.08.2026. SÃO LUÍS-MA)


Verdade e poder - Artigo de Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte.


Verdade e poder

Dom Walmor Oliveira de Azevedo*

Cada ano eleitoral é oportunidade para o cidadão dirigir o seu olhar, mais atentamente, aos funcionamentos da sociedade que exercem força determinante nos discernimentos. A disputa eleitoral oferece, pois, possibilidade para o exercício consciente da cidadania, um poder que tem força para operar grandes mudanças, indispensáveis e inadiáveis mudanças, considerando as demandas inscritas nos cenários sociais, especialmente quando se trata de pobreza e de exclusão. Convive-se com a escassez de nomes confiáveis e, sobretudo, capazes de exercer o poder a serviço dos pobres, contribuindo com a constituição de uma nova cultura. Sabe-se que não se pode enjaular o poder, que deveria ser exercido em nome do povo e na promoção do bem comum, nas bitolas da política partidária. Espera-se, e é uma urgência, que possa prevalecer uma perspectiva mais humanística, capaz de garantir que o exercício do poder busque alicerçar o bem comum e esteja a serviço da vida de todos.

De modo geral, as promessas sobre as quais os candidatos se assentam não se efetivam por muitas razões. A carência de líderes com envergadura moral e espiritual faz com que a sociedade pague preço alto demais. Há uma especial demanda por pessoas nas instâncias do poder capacitadas a partir de uma espiritualidade que permita reconhecer como a humanidade é magnífica. Essa lacuna influencia decisivamente posturas políticas, limitando-as à busca pela garantia de benesses a oligarquias, a interesses particulares e cartoriais, sem considerar a responsabilidade de contribuir com a gestação de uma nova cultura, capaz de edificar uma ordem sociopolítica renovada. Constata-se uma miopia que contamina diferentes procedimentos, convive-se com posturas mesquinhas que prejudicam todos os cidadãos. Promessas não são garantidas, as vaidades presidem condutas, e a falta de sensibilidade social leva à normalização da indiferença em relação aos que sofrem.

sábado, 29 de agosto de 2026

Povo do Meu Agrado - 29 / 08 / 2026

Povo do Meu Agrado 




Nessa casa simples mora um tesouro,

que dinheiro nenhum consegue comprar.

É feita de fé, de luta e esperança,

de quem nunca desistiu de plantar.


O terreiro guarda pegadas antigas,

o alpendre já viu tanta conversa acontecer.

Cada parede conta um pedaço da vida,

que o tempo jamais vai esquecer.


No sertão, a riqueza tem outro nome.

É um café passado na hora, um sorriso sincero,

uma sombra boa no fim da tarde

e a paz de voltar para o lugar que a gente mais ama.


Quem também acredita que uma casa simples pode guardar as maiores histórias da vida?

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 “Povo do Meu Agrado é uma página dedicada à cultura, poesia e encanto do Nordeste. Aqui você encontra versos que celebram a beleza da nossa terra, os cantos dos pássaros, a força do sertão e a sabedoria popular.”


Poeta Sertanejo - Cantou o galo ainda de madrugada...


Poeta Sertanejo

29 / 08 / 2026

Cantou o galo ainda de madrugada, já estou de pé a besta ruana está preparada.

Parto sozinho mas volto com minha amada.

Vou fazer de tudo, para resolver de um jeito camarada.

Seu pai e irmão dizem ser valentão, a briga está formada.


Pode até chover bala no sertão, mas não recuo por nada.

Ela é bonita feito uma rosa em botão.

É mesmo na verdade a moça mais linda da região.

Dei pra ela meu amor, para mim entregou seu meigo coração.

Levo comigo na cinta uma faca e um trinta, vou cortando a escuridão.

Vou mostrar para esses sujeitos, a fibra que tem um peão.


Bom dia meus companheiros, trago para vocês duas opções.

Não dou viagem à toa, ou ela vai comigo numa boa.

Ou vamos lutar feito três leões.

Aconteça o que acontecer a menina vai comigo, vai ser minha patroa.


Chega pra cá boiadeiro, se realmente isso que quer nós te abençoa.

O sujeito com fama de valente, pra mim hoje não tem melhor pessoa.

Falo e não retiro, que é o avô dos meus filhos, adoro esse coroa.

Bom dia meu povoooooo

Um abençoado para todos vocês


sexta-feira, 28 de agosto de 2026

SE NASCÊSSEMOS VELHOS - Artigo do poeta Carlos Alberto Lima Coelho, jornalista e escritor


SE NASCÊSSEMOS VELHOS

Carlos Alberto Lima Coelho

São Luís-Maranhão-Brasil

E se a vida tivesse escolhido outro caminho?

E se chegássemos ao mundo com cabelos brancos, rosto marcado, passos lentos e olhos carregados de uma sabedoria que ainda não tivemos tempo de conquistar?

Nasceríamos velhos.

Viríamos ao mundo não para crescer, mas para diminuir os anos. A cada aniversário, uma ruga desapareceria. Os cabelos recuperariam a cor. As pernas ficariam mais firmes, a memória mais rápida, o coração talvez mais inquieto.

Seria a teoria do decrescimento: em vez de caminharmos da infância para a velhice, seguiríamos da velhice em direção à juventude.

Aos oitenta, começaríamos a vida.

Aos setenta, aprenderíamos a andar com mais segurança. Aos sessenta, descobriríamos que o corpo responde melhor aos nossos desejos. Aos cinquenta, sentiríamos nascer uma energia desconhecida. Aos quarenta, olharíamos o mundo com entusiasmo renovado. Aos trinta, acreditaríamos que quase tudo ainda é possível.

E, curiosamente, quanto mais jovens ficássemos, menos experiência carregaríamos.

Talvez aí estivesse o grande mistério.

Hoje envelhecemos acumulando lembranças. Nesse mundo invertido, rejuvenesceríamos perdendo-as.

A cada ano, uma história poderia desaparecer.

Primeiro esqueceríamos algumas dores. Depois, talvez certos amores. As decepções se apagariam, mas junto com elas poderiam desaparecer também as lições aprendidas. Os ressentimentos morreriam, porém parte da nossa identidade seguiria o mesmo caminho.

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